Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
2

O cerco, a fome e a ruína de Jerusalém

Álefe.

21Como cobriu o Senhor de nuvens, na sua ira, a filha de Sião!

2.1
Mt 11.23
Derribou do céu à terra a glória de Israel e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira.

Bete.

2Devorou

2.2
Lm 2.17,21
3.43
o Senhor todas as moradas de Jacó e não se apiedou; derribou no seu furor as fortalezas da filha de Judá e as abateu até à terra; profanou o reino e os seus príncipes.

Guímel.

3Cortou, no furor da sua ira, 2.3 Hebr. todo o chifretoda a força de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que tudo consome em redor.

Dálete.

4Armou

2.4
Is 63.10
Lm 2.5
o seu arco como inimigo, firmou a sua destra como adversário
2.4
Ez 24.25
e matou tudo o que era formoso à vista; derramou a sua indignação, como fogo na tenda da filha de Sião.

Hê.

5Tornou-se

2.5
Lm 2.4
Jr 30.14
52.13
2Rs 25.9
o Senhor como inimigo; devorou Israel, devorou todos os seus palácios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judá a lamentação e a tristeza.

Vau.

6E arrancou a sua cabana com violência, como se fosse a de uma horta;

2.6
Is 1.8
5.5
Lm 1.4
Sf 3.18
destruiu a sua congregação; o Senhor, em Sião, pôs em esquecimento a solenidade e o sábado e, na indignação da sua ira, rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote.

Zain.

7Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu santuário; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palácios; deram gritos na Casa do Senhor, como em dia de reunião solene.

Hete.

8Intentou o Senhor destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel, não retirou a sua mão destruidora;

2.8
2Rs 21.13
Is 34.11
fez gemer o antemuro e o muro; eles estão juntamente enfraquecidos.

Tete.

9Abateram as suas portas;

2.9
Jr 51.30
Lm 1.3
4.20
ele destruiu e quebrou os seus ferrolhos; o seu rei e os seus príncipes estão entre as nações onde não lei, nem acham visão alguma do Senhor os seus profetas.

Jode.

10Estão sentados

2.10
Jó 2.12-13
Is 3.26
15.3
Lm 3.28
Ez 7.18
27.31
na terra, silenciosos, os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre a sua cabeça, cingiram panos de saco; as virgens de Jerusalém abaixam a sua cabeça até à terra.

Cafe.

11Já se consumiram os meus olhos

2.11
Lm 1.20
3.48
com lágrimas, turbada está a minha alma, o meu coração se derramou pela terra, por causa do quebrantamento da filha do meu povo; pois desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade.

Lâmede.

12Dizem a suas mães: Onde trigo e vinho?

2.12
Lm 2.19
4.4
Quando desfalecem como o ferido pelas ruas da cidade, derramando-se a sua alma no regaço de suas mães.

Mem.

13Que testemunho te trarei?

2.13
Lm 1.12
Dn 9.12
A quem te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei, para te consolar a ti, ó virgem filha de Sião? Porque grande como o mar é a tua ferida; quem te sarará?

Nun.

14Os teus profetas

2.14
Jr 2.8
5.31
14.14
23.16
27.14
29.8-9
Ez 13.2
viram para ti vaidade e loucura e não manifestaram a tua maldade, para afastarem o teu cativeiro; mas viram para ti cargas vãs e motivos de expulsão.

Sâmeque.

15Todos

2.15
2Rs 19.21
9.8
Jr 18.16
Na 3.19
Ez 25.6
os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam a cabeça sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam perfeita em formosura, gozo de toda a terra?

Pê.

16Todos

2.16
Jó 16.9-10
Lm 3.46
os teus inimigos abrem a boca contra ti, assobiam e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este é o dia que esperávamos; achamo-lo e vimo-lo.

Ain.

17Fez o Senhor

2.17
Lv 26.16
Dt 28.15
o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antiguidade: derribou e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou 2.17 Hebr. o chifreo poder dos teus adversários.

Tsadê.

18O coração deles clamou ao Senhor:

2.18
Lm 1.16
2.8
Jr 14.17
Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem parem as meninas de teus olhos.

Cofe.

19Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama o teu coração como águas diante da face do Senhor; levanta a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos,

2.19
Is 51.20
Lm 2.11
4.1
Na 3.10
que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas.

Rexe.

20Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste assim!

2.20
Lv 26.29
Dt 28.53
Jr 19.9
Lm 4.10
Ez 5.10
Hão de as mulheres comer o fruto de si mesmas, as crianças que trazem nos braços?
2.20
Lm 4.13,16
Ou matar-se-á no santuário do Senhor o sacerdote e o profeta?

Chim.

21Jazem em terra pelas ruas o moço

2.21
2Cr 36.17
e o velho; as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira;
2.21
Lm 3.43
degolaste-os e não te apiedaste deles.

Tau.

22Convocaste de toda parte os meus receios, como em um dia de solenidade;

2.22
Jr 6.25
46.5
não houve no dia da ira do Senhor quem escapasse ou ficasse; aqueles
2.22
Os 9.12-13
que trouxe nas mãos e sustentei, o meu inimigo os consumiu.

3

A tristeza de Jeremias. Ele convida o povo a reconhecer o seu pecado e a voltar para Deus, para obter misericórdia

Álefe.

31Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor. 2Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz. 3Deveras se tornou contra mim; virou contra mim de contínuo, a mão todo o dia.

Bete.

4

3.4
Jó 16.8
Is 38.13
Jr 50.17
Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrantou os meus ossos. 5Edificou contra mim e me cercou de fel e trabalho. 6Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito.

Guímel.

7

3.7
Jó 3.23
19.8
Os 2.6
Circunvalou-me, e não posso sair; agravou os meus grilhões. 8Ainda
3.8
Jó 30.20
quando clamo e grito, ele exclui a minha oração. 9Circunvalou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.

Dálete.

10Fez-me

3.10
Os 5.14
13.7-8
como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11Desviou os meus caminhos e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. 12Armou o seu arco,
3.12
Jó 7.20
16.12
e me pôs como alvo à flecha.

Hê.

13Fez

3.13
Jó 6.4
entrar nos meus rins as flechas da sua aljava. 14Fui
3.14
Jr 20.7
Jó 30.9
Lm 3.63
feito um objeto de escárnio para todo o meu povo e a sua canção todo o dia. 15Fartou-me
3.15
Jr 9.15
de amarguras, saciou-me de absinto.

Vau.

16Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes;

3.16
Pv 20.17
cobriu-me de cinza. 17E afastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem. 18Então, disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.

Zain.

19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto,

3.19
Jr 9.15
do absinto e do fel. 20Minha alma, certamente, se lembra e se abate dentro de mim. 21Disso me recordarei no meu coração; por isso, tenho esperança.

Hete.

22As misericórdias

3.22
Ml 3.6
do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. 23Novas
3.23
Is 33.2
são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Tete.

25Bom é o Senhor para os que se atêm a ele,

3.25
Is 30.18
Mq 7.7
para a alma que o busca. 26Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade;

Jode.

28assentar-se

3.28
Jr 15.17
Lm 2.10
solitário e ficar em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. 29Ponha
3.29
Jó 42.6
a boca no pó; talvez assim haja esperança. 30
3.30
Is 50.6
Mt 5.39
a face ao que o fere; farte-se de afronta.

Cafe.

31Porque o Senhor não rejeitará para sempre. 32Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

Lâmede.

34Pisar debaixo dos pés todos os presos da terra, 35perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo, 36subverter o homem no seu pleito,

3.36
Hc 1.13
não o veria o Senhor?

Mem.

37Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? 38Porventura da boca do Altíssimo

3.38
Jó 2.10
Is 45.7
Am 3.6
não sai o mal e o bem? 39De
3.39
Pv 19.3
Mq 7.9
que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.

Nun.

40Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los e voltemos para o Senhor. 41Levantemos o coração juntamente com as mãos para Deus nos céus, dizendo: 42Nós prevaricamos

3.42
Dn 9.5
e fomos rebeldes; por isso, tu não perdoaste.

Sâmeque.

43Cobriste-nos de ira e nos perseguiste;

3.43
Lm 2.2,17,21
mataste, não perdoaste. 44Cobriste-te
3.44
Lm 3.8
de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45Como
3.45
1Co 4.13
cisco e rejeitamento, nos puseste no meio dos povos.

Pê.

46Todos

3.46
Lm 2.16
os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47Temor e cova
3.47
Is 24.17
51.19
Jr 48.43
vieram sobre nós, assolação e quebrantamento. 48Torrentes de águas derramaram os meus olhos,
3.48
Jr 4.19
9.1
14.17
Lm 2.11
por causa da destruição da filha do meu povo.

Ain.

49Os

3.49
Lm 1.16
meus olhos choram e não cessam, porque não há descanso, 50até
3.50
Is 63.15
que o Senhor atente e veja desde os céus. 51O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.

Tsadê.

52Como ave, me caçaram os que são meus inimigos sem causa. 53Arrancaram

3.53
Jr 38.6,9-10
Dn 6.17
a minha vida na cova e lançaram pedras sobre mim. 54Águas correram sobre a minha
3.54
Lm 3.18
Is 38.10-11
cabeça; eu disse: Estou cortado.

Cofe.

55Invoquei

3.55
Jn 2.2
o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova. 56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57Tu te aproximaste no dia em que te invoquei;
3.57
Tg 4.8
disseste: Não temas.

Rexe.

58Pleiteaste,

3.58
Jr 51.36
Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a minha vida. 59Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. 60Viste toda a sua vingança,
3.60
Jr 11.19
todos os seus pensamentos contra mim.

Chim.

61Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim; 62os lábios dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra mim todo o dia. 63Observa-os ao se assentarem e ao se levantarem;

3.63
Lm 3.14
eu sou a sua canção.

Tau.

64Tu lhes darás a recompensa, Senhor,

3.64
Jr 11.20
2Tm 4.14
conforme a obra das suas mãos. 65Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles. 66Na tua ira, os perseguirás, e
3.66
Dt 25.19
Jr 10.11
eles serão desfeitos debaixo dos céus do Senhor.

4

As grandes aflições de várias classes de pessoas

Álefe.

41Como se escureceu o ouro! Como se mudou

4.1
Lm 2.19
o ouro fino e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário ao canto de todas as ruas!

Bete.

2Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a puro ouro,

4.2
Is 30.14
Jr 19.11
2Co 4.7
como são, agora, reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!

Guímel.

3Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas

4.3
Jó 39.14,16
a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.

Dálete.

4A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar;

4.4
Lm 2.11-12
os meninos pedem pão, e ninguém lho dá.

Hê.

5Os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas;

4.5
Jó 24.8
os que se criaram em carmesim abraçam o esterco.

Vau.

6Porque maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma,

4.6
Gn 19.25
a qual se subverteu como em um momento, sem que trabalhassem nela mãos algumas.

Zain.

7Os seus nazireus eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubins, mais polidos do que a safira.

Hete.

8Mas,

4.8
Lm 5.10
Jl 2.6
Na 2.10
agora, escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos, secou-se, tornou-se como um pedaço de pau.

Tete.

9Os mortos à espada mais ditosos são do que os mortos à fome; porque estes se esgotam como traspassados, por falta dos frutos dos campos.

Jode.

10As

4.10
Lm 2.20
Is 49.15
mãos das mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos;
4.10
Dt 28.57
2Rs 6.29
serviram-lhes de alimento na destruição da filha do meu povo.

Cafe.

11Deu o Senhor cumprimento ao seu furor;

4.11
Jr 7.20
21.14
Dt 32.22
derramou o ardor da sua ira e acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.

Lâmede.

12Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Jerusalém.

Mem.

13Foi por causa dos

4.13
Jr 5.31
6.13
14.14
23.11,21
Ez 22.26,28
Sf 3.4
pecados dos profetas,
4.13
Mt 23.31,37
das maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio dela.

Nun.

14Erram como cegos nas ruas,

4.14
Jr 2.34
andam contaminados de sangue; de tal sorte que ninguém pode tocar nas suas roupas.

Sâmeque.

15Desviai-vos,

4.15
Lv 13.45
bradavam eles. Imundo! Desviai-vos, desviai-vos, não toqueis; quando fugiram e erraram, disseram entre as nações: Nunca mais morarão aqui.

Pê.

16A ira do Senhor os dividiu; ele nunca mais tornará a olhar para eles;

4.16
Lm 5.12
não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos.

Ain.

17Os

4.17
Is 30.6-7
nossos olhos desfaleciam, esperando vão socorro; olhávamos atentamente para gente que não pode livrar.

Tsadê.

18Espiaram os nossos passos,

4.18
2Rs 25.4-5
de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas; está chegando o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias,
4.18
Ez 7.2-3,6
Am 8.2
porque é vindo o nosso fim.

Cofe.

19Os nossos perseguidores foram

4.19
Jr 4.13
mais ligeiros do que as aves dos céus; sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.

Rexe.

20O respiro

4.20
Gn 2.7
das nossas narinas, o ungido do Senhor,
4.20
Jr 52.9
Ez 12.13
19.4,8
foi preso nas suas covas; dele dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.

Chim.

21Regozija-te e

4.21
Ec 11.9
alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz;
4.21
Jr 25.15-16
Ob 10
o cálice chegará também para ti; embebedar-te-ás e te descobrirás.

Tau.

22O castigo da tua maldade

4.22
Is 40.2
está consumado, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; ele visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus pecados.