Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
3

Jó amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miséria

31Depois disto, abriu Jó a boca e amaldiçoou o seu dia. 2E Jó, falando, disse: 3Pereça

3.3
Jó 10.18-19
Jr 15.10,14,20
o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! 4Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz! 5Contaminem-no as trevas
3.5
Jó 10.21-22
16.16
28.3
Jr 13.16
Am 5.8
e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; negros vapores do dia o espantem! 6A escuridão tome aquela noite, e não se goze entre os dias do ano, e não entre no número dos meses! 7Ah! Que solitária seja aquela noite e suave música não entre nela! 8Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia,
3.8
Jr 9.17-18
que estão prontos para fazer correr o seu pranto. 9Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha; e não veja as pestanas dos olhos da alva! 10Porquanto não fechou as portas do ventre, nem escondeu dos meus olhos a canseira.

11Por que

3.11
Jó 10.18
não morri eu desde a madre e, em saindo do ventre, não expirei? 12Por que
3.12
Gn 30.3
Is 66.12
me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse? 13Porque agora jazeria e repousaria; dormiria, e, então, haveria repouso para mim, 14com os reis e conselheiros da terra que para si edificavam casas nos lugares
3.14
Jó 15.28
assolados, 15ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata; 16ou, como aborto oculto, não existiria; como as crianças que nunca viram a luz. 17Ali, os maus cessam de perturbar; e, ali, repousam os cansados. 18Ali, os presos juntamente repousam e não ouvem
3.18
Jó 39.7
a voz do exator. 19Ali, está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor.

20Por que

3.20
Jr 20.18
se dá luz ao miserável, e vida aos
3.20
1Sm 1.10
2Rs 4.27
Pv 31.6
amargurados de ânimo, 21que esperam
3.21
Pv 2.4
Ap 9.6
a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos; 22que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura? 23Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem
3.23
Jó 19.8
Lm 3.7
Deus o encobriu? 24Porque antes do meu pão vem o meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água. 25Porque o que eu temia me veio, e o que receava me aconteceu. 26Nunca estive descansado, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação.

4

Elifaz repreende Jó

41Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderá conter as palavras? 3Eis que ensinaste a muitos e esforçaste

4.3
Is 35.3
as mãos fracas. 4As tuas palavras levantaram os que tropeçavam,
4.4
Is 35.3
e os joelhos desfalecentes fortificaste. 5Mas agora a ti te vem, e te enfadas; e, tocando-te a ti, te perturbas. 6Porventura, não era o
4.6
Jó 1.1
Pv 3.26
teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança, a sinceridade dos teus caminhos?

7Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? 8Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam

4.8
Pv 22.8
Os 10.13
Gl 6.7-8
isso mesmo. 9Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem. 10O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebrantam. 11Perece o leão velho, porque não há presa, e os filhos da leoa andam dispersos.

12Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. 13Entre pensamentos de visões da noite, quando cai sobre os

4.13
Jó 33.15
homens o sono profundo, 14sobreveio-me o espanto e o
4.14
Hc 3.16
tremor, e todos os meus ossos estremeceram. 15Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne; 16parou ele, mas não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos; e, calando-me, ouvi uma voz que dizia: 17Seria, porventura,
4.17
Jó 9.2
o homem mais justo do que Deus? Seria, porventura, o varão mais puro do que o seu Criador? 18Eis que
4.18
Jó 15.15
25.5
2Pe 2.4
nos seus servos não confia e nos seus anjos encontra loucura; 19quanto
4.19
Jó 15.16
2Co 4.7
5.1
mais naqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são machucados como a traça! 20Desde de manhã até à tarde são despedaçados; e eternamente perecem, sem que disso se faça caso. 21Porventura, não passa com eles a sua excelência? Morrem, mas sem sabedoria.

5

Elifaz exorta a Jó a que busque a Deus

51Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás? 2Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo. 3Bem vi eu

5.3
Jr 12.2-3
o louco lançar raízes; mas logo amaldiçoei a sua habitação. 4Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas, e não há quem os livre. 5A sua messe a devora o faminto, que até dentre os
5.5
Gn 3.17-19
1Co 10.13
espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda. 6Porque do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho. 7Mas o homem
5.7
Gn 3.17-19
nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar.

8Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a ele dirigiria a minha fala. 9Ele faz

5.9
Jó 9.10
37.5
coisas tão grandiosas, que se não podem esquadrinhar; e tantas maravilhas que se não podem contar. 10Ele dá
5.10
Jó 28.26
Jr 5.24
10.13
51.16
At 14.17
a chuva sobre a terra e envia água sobre os campos, 11para pôr
5.11
1Sm 2.7
os abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação. 12Ele aniquila
5.12
Ne 4.15
Is 8.10
as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito. 13Ele apanha
5.13
1Co 3.19
os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita. 14Eles, de dia,
5.14
Dt 28.29
Is 59.10
Am 8.9
encontram as trevas; e, ao meio-dia, andam como de noite, às apalpadelas. 15Mas ao necessitado livra da espada da sua boca, e da mão do forte. 16Assim, há esperança para o pobre;
5.16
1Sm 2.9
e a iniquidade tapa a sua própria boca.

17Eis que bem-aventurado é o homem a quem

5.17
Pv 3.11-12
Hb 12.5
Tg 1.12
Ap 3.19
Deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso. 18Porque
5.18
Dt 32.39
1Sm 2.6
Is 30.26
Os 6.1
ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam. 19Em seis angústias,
5.19
Pv 24.16
1Co 10.13
te livrará; e, na sétima, o mal te não tocará. 20Na fome, te livrará da morte; e, na guerra, da violência da espada. 21Do açoite da língua estarás abrigado; e não temerás a assolação, quando vier. 22Da assolação e
5.22
Is 11.9
35.9
65.25
Ez 34.25
da fome te rirás; e os animais da terra não temerás. 23Porque até
5.23
Os 2.18
com as pedras do campo terás a tua aliança; e os animais do campo estarão contigo. 24E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e nada te faltará. 25Também saberás que se multiplicará a tua semente, e a tua posteridade, como a erva da terra. 26Na
5.26
Pv 9.11
10.27
velhice virás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

27Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o e medita nisso para teu bem.

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