Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
38

Deus responde a Jó e mostra-lhe sua grandeza e sabedoria

381Depois disto, o Senhor respondeu a Jó

38.1
Êx 19.16,18
1Rs 19.11
Ez 1.4
Na 1.3
de um redemoinho e disse: 2Quem é este
38.2
Jó 34.35
42.3
1Tm 1.7
que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? 3Agora cinge
38.3
Jó 40.7
os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei, e, tu, responde-me.

4Onde

38.4
Pv 8.29
30.4
estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. 5Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? 6Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, 7quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos
38.7
Jó 1.6
de Deus rejubilavam?

8Ou quem

38.8
Gn 1.9
Pv 8.29
Jr 5.22
encerrou o mar com portas, quando trasbordou e saiu da madre, 9quando eu pus as nuvens por sua vestidura e, a escuridão, por envolvedouro? 10Quando passei
38.10
Jó 26.10
sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos, 11e disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empoladas?

12Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada ou mostraste à alva o seu lugar, 13para que agarrasse nas extremidades da terra,

38.13
Sl 104.35
e os ímpios fossem sacudidos dela? 14Tudo se modela como o barro sob o selo e se põe como vestes; 15e dos ímpios se desvia a sua luz, e
38.15
Jó 18.5
o braço altivo se quebranta.

16Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo? 17Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte? 18Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto.

19Onde está o caminho da morada da luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar, 20para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa? 21Decerto, tu o sabes, porque já então eras nascido, e porque é grande o número dos teus dias!

22Ou entraste tu até aos tesouros da neve e viste os tesouros da saraiva, 23que eu retenho

38.23
Êx 9.18
Js 10.11
Is 30.30
Ez 13.11,13
Ap 16.21
até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra?

24Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra? 25Quem

38.25
Jó 28.26
abriu para a inundação um leito e um caminho para os relâmpagos dos trovões, 26para chover sobre uma terra onde não há ninguém e no deserto, em que não gente; 27para fartar a terra deserta e assolada e para fazer crescer os renovos da erva? 28A chuva,
38.28
Jr 14.22
porventura, tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho? 29De que ventre procede o gelo? E quem gera a geada do céu, 30quando debaixo de pedras as águas se escondem, e a superfície do abismo se coalha?

31Ou poderás tu ajuntar as cadeias do

38.31
Jó 9.9
Am 5.8
Sete-estrelo ou soltar os atilhos do Órion? 32Ou produzir as constelações a seu tempo e guiar a Ursa com seus filhos? 33Sabes tu
38.33
Jr 31.35
as ordenanças dos céus, ou podes dispor do domínio deles sobre a terra?

34Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra? 35Ou ordenarás aos raios que saiam e te digam: Eis-nos aqui? 36Quem

38.36
Jó 32.8
Ec 2.26
pôs a sabedoria no íntimo, ou quem à mente deu o entendimento? 37Quem numerará as nuvens pela sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os abaixará, 38quando se funde o pó numa massa, e se pegam os torrões uns aos outros?

39Porventura, caçarás tu presa para a leoa ou satisfarás a fome dos filhos dos leões, 40quando se agacham nos covis e estão à espreita nas covas? 41Quem

38.41
Mt 6.26
prepara para os corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer?

39

391Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos, ou consideraste as dores das cervas? 2Contarás os meses que cumprem ou sabes o tempo do seu parto? 3Elas encurvam-se, para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores. 4Seus filhos enrijam, crescem 39.4 ou no campo livrecom o trigo, saem, e nunca mais tornam para elas.

5Quem despediu livre o jumento montês, e quem soltou as prisões ao jumento bravo, 6ao qual dei

39.6
Jó 24.5
Jr 2.24
Os 8.9
o ermo por casa e a terra salgada, por moradas? 7Ri-se do arruído da cidade; não ouve os muitos gritos do 39.7 ou condutorexator. 8O que descobre nos montes é o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde.

9Querer-te-á

39.9
Nm 23.22
Dt 33.17
servir o unicórnio ou ficará na tua cavalariça? 10Ou amarrarás o unicórnio ao rego com uma corda, ou estorroará após ti os vales? 11Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu trabalho? 12Ou te fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira?

13Bate alegre as asas o avestruz, que tem penas de cegonha; 14ele deixa os seus ovos na terra e os aquenta no pó. 15E se esquece de que algum pé os pode pisar, ou de que podem calcá-los os animais do campo. 16Endurece-se para

39.16
Lm 4.3
com seus filhos, como se não fossem seus; debalde é seu trabalho, porquanto está sem temor. 17Porque Deus o privou de sabedoria
39.17
Jó 35.11
e não lhe repartiu entendimento. 18A seu tempo se levanta ao alto; ri-se do cavalo e do que vai montado nele.

19Ou darás tu força ao cavalo, ou revestirás o seu pescoço de crinas? 20Ou espantá-lo-ás, como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas. 21Escarva a terra, e folga na sua força, e

39.21
Jr 2.6
sai ao encontro dos armados. 22Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atrás por causa da espada. 23Contra ele rangem a aljava, o ferro flamante da lança e o dardo. 24Sacudindo-se e removendo-se, escarva a terra e não faz caso do som da buzina. 25Ao soar das buzinas, diz: Eia! E de longe cheira a guerra, e o trovão dos príncipes, e o alarido.

26Ou voa o gavião pela tua inteligência, estendendo as suas asas para o sul? 27Ou se remonta a águia ao teu mandado e põe

39.27
Jr 49.16
Ob 5
no alto o seu ninho? 28Nas penhas, mora e habita; no cume das penhas, e nos lugares seguros. 29Dali, descobre a presa; seus olhos a avistam desde longe. 30Seus filhos chupam o sangue; e onde há mortos, ela
39.30
Mt 24.28
Lc 17.37
aí está.

40

401Respondeu mais

40.1
Jó 38.1
o Senhor a Jó e disse: 2Porventura, o contender contra o Todo-Poderoso é ensinar? Quem assim argui a Deus, que responda a estas coisas.

3Então, Jó respondeu ao Senhor e disse: 4Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho na minha boca. 5Uma vez tenho falado e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.

6Então, o Senhor respondeu a Jó desde a tempestade e disse: 7Cinge agora

40.7
Jó 38.3
42.4
os teus lombos como varão; eu te perguntarei a ti, e tu me responderás. 8Porventura,
40.8
Rm 3.4
também farás tu vão o meu juízo ou me condenarás, para te justificares? 9Ou tens braço como Deus, ou podes trovejar com voz
40.9
Jó 37.4
como a sua?

10Orna-te, pois, de excelência e alteza; e veste-te de majestade e de glória. 11Derrama os furores

40.11
Is 2.12
Dn 4.37
da tua ira, e atenta para todo soberbo, e abate-o. 12Olha para todo soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar. 13Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos em oculto. 14Então, também eu de ti confessarei que a tua mão direita te haverá livrado.

15Contempla agora 40.15 ou hipopótamoo beemote, que eu fiz contigo, que come erva como o boi. 16Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder, nos músculos do seu ventre. 17Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos da suas coxas estão entretecidos. 18Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro. 19Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada. 20Em verdade, os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo folgam. 21Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo dos canaviais e da lama. 22As árvores sombrias o cobrem com a sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam. 23Eis que um rio trasborda, e ele não se apressa, confiando que o Jordão possa entrar na sua boca. 24Podê-lo-iam, porventura, caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?