Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
33

Eliú acusa Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331Assim, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões e dá ouvidos a todas as minhas palavras. 2Eis que já abri a minha boca; falou a minha língua debaixo do meu paladar. 3As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração; e a pura ciência, dos meus lábios. 4O Espírito

33.4
Gn 2.7
de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida. 5Se podes, responde-me; dispõe bem as tuas razões e levanta-te. 6Eis que vim de Deus, como tu; do lodo também eu fui formado. 7Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.

8Na verdade, tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras; dizias: 9Limpo

33.9
Jó 9.17
estou, sem transgressão; puro sou; e não tenho culpa. 10Eis que ele acha contra mim ocasiões e me considerou
33.10
Jó 13.24
16.9
19.11
como seu inimigo. 11Põe
33.11
Jó 13.27
14.16
31.4
no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas. 12Eis que nisto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem. 13Por que razão
33.13
Is 45.9
contendes com ele? Porque ele não dá contas de nenhum dos seus feitos. 14Antes, Deus
33.14
Jó 40.5
fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso. 15Em sonho
33.15
Nm 12.6
Jó 4.13
ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama, 16então, abre os ouvidos dos homens, e lhes sela a sua instrução, 17para apartar o homem do seu desígnio e esconder do homem a soberba; 18para desviar a sua alma da cova e a sua vida, de passar pela espada.

19Também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos; 20de modo que a sua vida abomina até o pão; e a sua alma, a comida apetecível. 21Desaparece a sua carne a olhos vistos; e os seus ossos, que se não viam, agora aparecem; 22e a sua alma se vai chegando à cova; e a sua vida, ao que traz morte.

23Se com ele, pois, houver um 33.23 ou anjomensageiro, um intérprete, um entre milhares para declarar ao homem a sua retidão, 24então, terá misericórdia dele e lhe dirá: Livra-o, que não desça à cova; achei resgate. 25Sua carne se reverdecerá mais do que na sua infância e tornará aos dias da sua juventude. 26Deveras, orará a Deus, que se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça. 27Olhará para os homens e dirá: Pequei

33.27
2Sm 12.13
Pv 28.13
Lc 15.21
1Jo 1.9
e perverti o direito, o que de nada me aproveitou. 28Mas Deus livrou
33.28
Is 38.17
a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz.

29Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem, 30para desviar

33.30
Jó 33.28
Sl 56.13
a sua alma da perdição e o alumiar com a luz dos viventes. 31Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei. 32Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te. 33Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.

34

Eliú acusa Jó de falar injustamente de Deus

341Respondeu mais Eliú e disse: 2Ouvi vós, sábios, as minhas razões; e vós, instruídos, inclinai os ouvidos para mim. 3Porque

34.3
Jó 6.30
12.11
o ouvido prova as palavras como o paladar prova a comida. 4O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom. 5Porque Jó disse:
34.5
Jó 33.9
Sou justo, e Deus
34.5
Jó 27.2
tirou o meu direito. 6Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso;
34.6
Jó 9.17
a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.

7Que homem como Jó, que bebe a zombaria como água? 8E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios? 9Porque disse:

34.9
Jó 9.23
35.3
Ml 3.14
De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.

10Pelo que vós, homens de entendimento, escutai-me:

34.10
Gn 18.25
Dt 32.4
Rm 9.14
longe de Deus a impiedade, e do Todo-Poderoso, a perversidade! 11Porque, segundo
34.11
Pv 24.12
Jr 32.19
Ez 33.20
Mt 16.17
Rm 2.6
2Co 5.10
1Pe 1.17
Ap 22.12
a obra do homem, ele lhe paga; e faz que cada um ache segundo o seu caminho. 12Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. 13Quem lhe entregou o governo da terra? E quem dispôs a todo o mundo? 14Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, 15toda
34.15
Gn 3.19
Ec 12.7
a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.

16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos à voz do meu discurso. 17Porventura, o que aborrecesse o direito governaria?

34.17
Gn 18.25
E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso? 18Ou dir-se-á a um rei:
34.18
Êx 22.28
Oh! Belial? Ou, aos príncipes: Oh! Ímpios? 19Quanto menos àquele que não faz acepção da pessoa de
34.19
Dt 10.17
2Cr 19.7
At 10.34
Rm 2.11
Cl 3.25
1Pe 1.17
príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque
34.19
Jó 31.15
todos são obra de suas mãos. 20Eles, num momento, morrem; e, até à meia-noite,
34.20
Êx 12.29-30
os povos são perturbados e passam, e os poderosos são tomados sem mão.

21Porque

34.21
2Cr 16.9
Jó 31.4
Jr 16.17
32.19
os olhos de Deus estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos. 22Não trevas
34.22
Sl 140.12
Am 9.2-3
Hb 4.13
nem sombra de morte onde se escondam os que praticam a iniquidade. 23Porque não precisa considerar muito no homem para o fazer ir a juízo diante de Deus. 24Ele quebranta
34.24
Dn 2.21
os fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar. 25Ele conhece, pois, as suas obras; de noite, os transtorna, e ficam moídos. 26Ele bate-lhes como ímpios que são à vista de quem os contempla; 27porquanto se
34.27
1Sm 15.11
Is 5.12
desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos, 28para fazer que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos. 29Se ele aquietar, quem, então, inquietará? Se encobrir o rosto, quem, então, o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só? 30Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços
34.30
1Rs 12.28,30
2Rs 21.9
no povo.

31Na verdade, quem disse a Deus:

34.31
Dn 9.7,14
Sofri, não pecarei mais; 32o que não vejo, ensina-mo tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer? 33Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a desprezes? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; que é, logo, o que sabes? Fala!

34Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sábio, que me ouvir: 35

34.35
Jó 35.16
falou sem ciência; e às suas palavras falta prudência. 36Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos. 37Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate as palmas e multiplica contra Deus as suas razões.

35

O bem e o mal não podem afetar a Deus, mas algumas vezes, por falta de fé dos aflitos, não os ouve

351Respondeu mais Eliú e disse: 2Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? 3Porque disseste:

35.3
Jó 34.9
De que te serviria? Que proveito tiraria mais do que do meu pecado? 4Eu te darei resposta, a ti e aos teus amigos contigo. 5Atenta
35.5
Jó 22.12
para os céus e vê; e contempla as mais altas nuvens, que estão mais altas do que tu. 6Se pecares, que efetuarás
35.6
Pv 8.36
Jr 7.19
contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás? 7Se fores justo, que lhe darás,
35.7
Jó 22.2-3
Pv 9.12
Rm 11.35
ou que receberá da tua mão? 8A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria a um filho do homem.

9Por causa da grandeza da opressão eles clamam;

35.9
Êx 2.23
Jó 34.28
eles clamam por causa do braço dos grandes. 10Mas ninguém diz:
35.10
Is 51.13
Onde está Deus, que me fez? Que dá salmos entre a noite? 11Que nos faz mais doutos do que os animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus? 12Clamam,
35.12
Pv 1.28
Jr 11.11
porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus. 13Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso. 14E
35.14
Jó 9.11
quanto ao que disseste, que o não verás, juízo perante ele; por isso, espera nele. 15Mas agora, porque a sua ira ainda se não exerce, nem grandemente considera a arrogância, 16logo, Jó em vão abre a sua boca e sem ciência multiplica palavras.