Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
32

Eliú repreende Jó e os seus três amigos

321Então, aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era

32.1
Jó 33.9
justo aos seus próprios olhos. 2E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel,
32.2
Gn 22.21
o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. 3Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos; porque, não achando que responder, todavia, condenavam a Jó. 4Eliú, porém, esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele. 5Vendo, pois, Eliú que não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu.

6E respondeu Eliú, filho de Baraquel, o buzita, e disse: Eu sou de menos

32.6
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião. 7Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria. 8Na verdade, há um espírito no homem,
32.8
Mt 11.25
Tg 1.5
e a inspiração do Todo-Poderoso os faz sábios. 9Os grandes não são
32.9
1Co 1.26
os sábios, nem os velhos entendem o que é reto. 10Pelo que digo: Dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião.

11Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões. 12Atentando, pois, para vós, eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó, nem que responda às suas razões. 13Pelo que não digais:

32.13
Jr 9.23
1Co 1.29
Achamos a sabedoria, Deus o derribou, e não homem algum. 14Ora, ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.

15Estais pasmados, não respondeis mais, faltam-vos as palavras. 16Esperei, pois, mas não falais; porque já parastes, e não respondeis mais. 17Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião. 18Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange. 19Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar como odres novos. 20Falarei e respirarei; abrirei os meus lábios e responderei. 21Queira Deus que eu não faça acepção

32.21
Lv 19.15
Dt 1.17
16.19
Pv 24.23
Mt 22.16
de pessoas, nem use de lisonjas com o homem! 22Porque não sei usar de lisonjas; em breve me levaria o meu Criador.

33

Eliú acusa Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331Assim, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões e dá ouvidos a todas as minhas palavras. 2Eis que já abri a minha boca; falou a minha língua debaixo do meu paladar. 3As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração; e a pura ciência, dos meus lábios. 4O Espírito

33.4
Gn 2.7
de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida. 5Se podes, responde-me; dispõe bem as tuas razões e levanta-te. 6Eis que vim de Deus, como tu; do lodo também eu fui formado. 7Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.

8Na verdade, tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras; dizias: 9Limpo

33.9
Jó 9.17
estou, sem transgressão; puro sou; e não tenho culpa. 10Eis que ele acha contra mim ocasiões e me considerou
33.10
Jó 13.24
16.9
19.11
como seu inimigo. 11Põe
33.11
Jó 13.27
14.16
31.4
no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas. 12Eis que nisto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem. 13Por que razão
33.13
Is 45.9
contendes com ele? Porque ele não dá contas de nenhum dos seus feitos. 14Antes, Deus
33.14
Jó 40.5
fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso. 15Em sonho
33.15
Nm 12.6
Jó 4.13
ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama, 16então, abre os ouvidos dos homens, e lhes sela a sua instrução, 17para apartar o homem do seu desígnio e esconder do homem a soberba; 18para desviar a sua alma da cova e a sua vida, de passar pela espada.

19Também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos; 20de modo que a sua vida abomina até o pão; e a sua alma, a comida apetecível. 21Desaparece a sua carne a olhos vistos; e os seus ossos, que se não viam, agora aparecem; 22e a sua alma se vai chegando à cova; e a sua vida, ao que traz morte.

23Se com ele, pois, houver um 33.23 ou anjomensageiro, um intérprete, um entre milhares para declarar ao homem a sua retidão, 24então, terá misericórdia dele e lhe dirá: Livra-o, que não desça à cova; achei resgate. 25Sua carne se reverdecerá mais do que na sua infância e tornará aos dias da sua juventude. 26Deveras, orará a Deus, que se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça. 27Olhará para os homens e dirá: Pequei

33.27
2Sm 12.13
Pv 28.13
Lc 15.21
1Jo 1.9
e perverti o direito, o que de nada me aproveitou. 28Mas Deus livrou
33.28
Is 38.17
a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz.

29Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem, 30para desviar

33.30
Jó 33.28
Sl 56.13
a sua alma da perdição e o alumiar com a luz dos viventes. 31Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei. 32Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te. 33Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.

34

Eliú acusa Jó de falar injustamente de Deus

341Respondeu mais Eliú e disse: 2Ouvi vós, sábios, as minhas razões; e vós, instruídos, inclinai os ouvidos para mim. 3Porque

34.3
Jó 6.30
12.11
o ouvido prova as palavras como o paladar prova a comida. 4O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom. 5Porque Jó disse:
34.5
Jó 33.9
Sou justo, e Deus
34.5
Jó 27.2
tirou o meu direito. 6Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso;
34.6
Jó 9.17
a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.

7Que homem como Jó, que bebe a zombaria como água? 8E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios? 9Porque disse:

34.9
Jó 9.23
35.3
Ml 3.14
De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.

10Pelo que vós, homens de entendimento, escutai-me:

34.10
Gn 18.25
Dt 32.4
Rm 9.14
longe de Deus a impiedade, e do Todo-Poderoso, a perversidade! 11Porque, segundo
34.11
Pv 24.12
Jr 32.19
Ez 33.20
Mt 16.17
Rm 2.6
2Co 5.10
1Pe 1.17
Ap 22.12
a obra do homem, ele lhe paga; e faz que cada um ache segundo o seu caminho. 12Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. 13Quem lhe entregou o governo da terra? E quem dispôs a todo o mundo? 14Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, 15toda
34.15
Gn 3.19
Ec 12.7
a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.

16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos à voz do meu discurso. 17Porventura, o que aborrecesse o direito governaria?

34.17
Gn 18.25
E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso? 18Ou dir-se-á a um rei:
34.18
Êx 22.28
Oh! Belial? Ou, aos príncipes: Oh! Ímpios? 19Quanto menos àquele que não faz acepção da pessoa de
34.19
Dt 10.17
2Cr 19.7
At 10.34
Rm 2.11
Cl 3.25
1Pe 1.17
príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque
34.19
Jó 31.15
todos são obra de suas mãos. 20Eles, num momento, morrem; e, até à meia-noite,
34.20
Êx 12.29-30
os povos são perturbados e passam, e os poderosos são tomados sem mão.

21Porque

34.21
2Cr 16.9
Jó 31.4
Jr 16.17
32.19
os olhos de Deus estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos. 22Não trevas
34.22
Sl 140.12
Am 9.2-3
Hb 4.13
nem sombra de morte onde se escondam os que praticam a iniquidade. 23Porque não precisa considerar muito no homem para o fazer ir a juízo diante de Deus. 24Ele quebranta
34.24
Dn 2.21
os fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar. 25Ele conhece, pois, as suas obras; de noite, os transtorna, e ficam moídos. 26Ele bate-lhes como ímpios que são à vista de quem os contempla; 27porquanto se
34.27
1Sm 15.11
Is 5.12
desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos, 28para fazer que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos. 29Se ele aquietar, quem, então, inquietará? Se encobrir o rosto, quem, então, o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só? 30Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços
34.30
1Rs 12.28,30
2Rs 21.9
no povo.

31Na verdade, quem disse a Deus:

34.31
Dn 9.7,14
Sofri, não pecarei mais; 32o que não vejo, ensina-mo tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer? 33Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a desprezes? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; que é, logo, o que sabes? Fala!

34Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sábio, que me ouvir: 35

34.35
Jó 35.16
falou sem ciência; e às suas palavras falta prudência. 36Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos. 37Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate as palmas e multiplica contra Deus as suas razões.

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