Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
30

Jó descreve o estado miserável em que caiu

301Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho. 2De que também me serviria a força das suas mãos, força de homens cuja velhice esgotou-lhes o vigor? 3De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos. 4Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram raízes dos zimbros. 5Do meio dos homens eram expulsos (gritava-se contra eles como contra um ladrão), 6para habitarem nos barrancos dos vales e nas cavernas da terra e das rochas. 7Bramavam entre os arbustos e ajuntavam-se debaixo das urtigas. 8Eram filhos de doidos e filhos de gente sem nome e da terra eram expulsos.

9Mas

30.9
Jó 17.6
Lm 3.14,63
agora sou a sua canção e lhes sirvo de provérbio. 10Abominam-me, e fogem para longe de mim,
30.10
Pv 3.15
e no meu rosto não se privam de cuspir. 11Porque Deus
30.11
Jó 30.22
Rm 11.33-34
desatou a sua corda e me oprimiu; pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto. 12À direita se levantam os moços; empurram os meus pés e preparam contra
30.12
Pv 3.13-15
8.10-11,19
16.1
mim os seus caminhos de destruição. 13Desbaratam-me o meu caminho; promovem a minha miséria; uma gente que não tem nenhum ajudador. 14Vêm contra mim como por uma grande brecha e revolvem-se entre a assolação. 15Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha 30.15 ou nobrezahonra, e como nuvem passou a minha felicidade.

16E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim. 17De noite, se me traspassam os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa. 18Pela grande força do meu mal se demudou a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge. 19Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza. 20Clamo a ti, mas tu não me respondes; estou em pé, mas para mim não atentas. 21Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente. 22Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele e derretes-me o ser. 23Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento destinada

30.23
Hb 9.27
a todos os viventes.

24Mas não estenderás a mão para um montão de terra, se houver clamor nele na sua desventura? 25Porventura, não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? 26Todavia, aguardando

30.26
Jr 8.15
eu o bem, eis que me veio o mal; e, esperando eu a luz, veio a escuridão. 27O meu íntimo ferve e não está quieto; os dias da aflição me surpreenderam. 28Denegrido ando, mas não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro. 29Irmão
30.29
Mq 1.8
me fiz dos 30.29 ou chacaisdragões, e companheiro dos avestruzes. 30Enegreceu-se a minha pele
30.30
Lm 4.8
5.10
sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor. 31Pelo que se tornou a minha harpa em lamentação, e a minha flauta, em voz dos que choram.

31

Jó declara sua integridade nos seus deveres

311Fiz concerto com os meus olhos;

31.1
Mt 5.28
como, pois, os fixaria numa virgem? 2Porque qual seria a parte
31.2
Jó 20.29
27.13
de Deus vinda de cima, ou a herança do Todo-Poderoso desde as alturas? 3Porventura, não é a perdição para o perverso, e o desastre, para os que praticam iniquidade? 4Ou não vê
31.4
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
ele os meus caminhos e não conta todos os meus passos?

5Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano 6(pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade); 7se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração

31.7
Nm 15.39
Ec 11.9
Ez 6.9
Mt 5.29
segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou alguma coisa, 8então, semeie eu,
31.8
Lv 26.16
Dt 28.30,38
e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz.

9Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu andei rondando à porta do meu próximo, 10então, moa minha mulher para

31.10
2Sm 12.11
Jr 8.10
outro, e outros se encurvem sobre ela. 11Porque isso seria uma
31.11
Gn 38.24
Lv 20.10
Dt 22.22
Jó 31.28
infâmia e delito, pertencente aos juízes. 12Porque é fogo que consome até à perdição e desarraigaria toda a minha renda.

13Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo, 14então, que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia? 15Aquele

31.15
Jó 34.19
Pv 14.31
22.2
Ml 3.10
que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?

16Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva; 17ou sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele 18(porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e o guiei desde o ventre da minha mãe); 19se a alguém vi perecer por falta de veste e, ao necessitado, por não ter coberta; 20se os seus lombos me não

31.20
Dt 24.13
abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros; 21se eu levantei a mão contra
31.21
Jó 22.9
o órfão, porque na porta via a minha ajuda, 22então, caia do ombro a minha espádua, e quebre-se o meu braço desde o osso. 23Porque o castigo de Deus era para mim um
31.23
Is 13.7
Jl 1.15
assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza.

24Se

31.24
Mc 10.24
1Tm 6.17
no ouro pus a minha esperança ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança; 25se
31.25
Pv 11.28
me alegrei de que era muita a minha fazenda e de que a minha mão tinha alcançado muito; 26se olhei
31.26
Dt 4.19
11.16
17.3
Ez 3.16
para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa; 27e o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão, 28também isto seria
31.28
Jó 31.11
delito pertencente ao juiz; pois assim negaria a Deus, que está em cima.

29Se me alegrei

31.29
Pv 17.5
da desgraça do que me tem ódio, e se eu exultei quando o mal o achou 30(também não deixei
31.30
Mt 5.44
Rm 12.14
pecar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição); 31se a gente da minha tenda não disse: Ah! Quem se não terá saciado com a sua carne! 32O estrangeiro
31.32
Gn 19.2-3
não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante. 33Se, como Adão, encobri as minhas
31.33
Gn 3.8,12
Pv 28.13
transgressões, ocultando o meu delito no meu seio, 34trema eu perante uma
31.34
Êx 23.2
grande multidão, e o desprezo das famílias me apavore, e eu me cale, e não saia da porta. 35Ah! Quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu intento é que o Todo-Poderoso
31.35
Jó 13.22
me responda e que o meu adversário escreva um livro. 36Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria como coroa. 37O número dos meus passos lhe mostraria; como
31.37
1Rs 21.19
Tg 5.4
príncipe me chegaria a ele.

38Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem; 39se comi a sua novidade sem dinheiro e sufoquei a alma dos seus donos, 40por trigo me produza cardos,

31.40
Gn 3.18
e por cevada, joio. Acabaram-se as palavras de Jó.

32

Eliú repreende Jó e os seus três amigos

321Então, aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era

32.1
Jó 33.9
justo aos seus próprios olhos. 2E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel,
32.2
Gn 22.21
o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. 3Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos; porque, não achando que responder, todavia, condenavam a Jó. 4Eliú, porém, esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele. 5Vendo, pois, Eliú que não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu.

6E respondeu Eliú, filho de Baraquel, o buzita, e disse: Eu sou de menos

32.6
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião. 7Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria. 8Na verdade, há um espírito no homem,
32.8
Mt 11.25
Tg 1.5
e a inspiração do Todo-Poderoso os faz sábios. 9Os grandes não são
32.9
1Co 1.26
os sábios, nem os velhos entendem o que é reto. 10Pelo que digo: Dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião.

11Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões. 12Atentando, pois, para vós, eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó, nem que responda às suas razões. 13Pelo que não digais:

32.13
Jr 9.23
1Co 1.29
Achamos a sabedoria, Deus o derribou, e não homem algum. 14Ora, ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.

15Estais pasmados, não respondeis mais, faltam-vos as palavras. 16Esperei, pois, mas não falais; porque já parastes, e não respondeis mais. 17Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião. 18Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange. 19Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar como odres novos. 20Falarei e respirarei; abrirei os meus lábios e responderei. 21Queira Deus que eu não faça acepção

32.21
Lv 19.15
Dt 1.17
16.19
Pv 24.23
Mt 22.16
de pessoas, nem use de lisonjas com o homem! 22Porque não sei usar de lisonjas; em breve me levaria o meu Criador.

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