Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
27

Jó sustenta sua integridade e sinceridade

271E prosseguindo Jó em sua parábola, disse: 2Vive Deus,

27.2
Jó 34.5
que desviou a minha causa, e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma. 3Enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz, 4não falarão os meus lábios iniquidade, nem a minha língua pronunciará engano. 5Longe de mim que eu vos justifique;
27.5
Jó 2.9
13.15
até que eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade. 6À minha justiça me apegarei
27.6
At 24.16
e não a largarei; não me remorderá o meu coração em toda a minha vida.

7Seja como o ímpio o meu inimigo; e o que se levantar contra mim, como o perverso. 8

27.8
Mt 16.26
Lc 12.20
Porque qual será a esperança do hipócrita, havendo sido avaro, quando Deus lhe arrancar a sua alma? 9Porventura,
27.9
Jó 35.12
Pv 1.28
28.9
Ez 8.18
Mq 3.4
Jo 9.31
Tg 4.3
Deus ouvirá o seu clamor, sobrevindo-lhe a tribulação? 10Ou deleitar-se-á no Todo-Poderoso ou invocará a Deus em todo o tempo?

11Ensinar-vos-ei

27.11
Jó 22.26-27
o que é concernente à mão de Deus, e não vos encobrirei o que está com o Todo-Poderoso. 12Eis que todos vós vistes isso; por que, pois, vos desvaneceis na vossa vaidade? 13Eis qual será, da parte de Deus, a
27.13
Jó 20.29
porção do homem ímpio e a herança que os tiranos receberão do Todo-Poderoso: 14Se
27.14
Dt 28.41
Os 9.13
os seus filhos se multiplicarem, será para a espada, e os seus renovos se não fartarão de pão. 15Os que ficarem dele, na morte serão enterrados, e as suas viúvas não chorarão. 16Se amontoar prata como pó, e aparelhar vestes como lodo, 17ele as aparelhará, mas
27.17
Pv 28.8
Ec 2.26
o justo as vestirá, e o inocente repartirá a prata. 18Ele edifica a sua casa como a traça, e como o guarda que faz a
27.18
Is 1.8
Lm 2.6
cabana. 19Rico se deita e não será recolhido; seus olhos abre e ele não será. 20Pavores se
27.20
Jó 18.11
apoderam dele como águas; de noite, o arrebatará a tempestade. 21O vento oriental o levará, e ir-se-á; varrê-lo-á com ímpeto do seu lugar. 22E Deus lançará isto sobre ele e não o poupará; irá fugindo da sua mão. 23Cada um baterá contra ele as palmas das mãos e do seu lugar o assobiará.

28

O homem tem ciência das coisas da terra, mas a sabedoria é dom de Deus

281Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem. 2O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal. 3O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte. 4Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão. 5A terra, de onde procede o pão, embaixo é revolvida como por fogo. 6As suas pedras são o lugar da safira e têm pós de ouro.

7Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. 8Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela.

9Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes. 10Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as coisas preciosas. 11Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido.

12Mas onde se achará

28.12
Jó 28.20
Ec 7.24
a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência? 13O homem não lhe
28.13
Pv 3.35
conhece o valor; não se acha na terra dos viventes. 14O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz:
28.14
Jó 28.22
Rm 11.32,34
Ela não está comigo. 15Não se
28.15
Pv 3.13-15
8.10-11,19
16.16
dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela. 16Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. 17Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino. 18Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis. 19Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.

20De onde, pois,

28.20
Jó 28.12
vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência? 21Porque está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu.

22A perdição

28.22
Jó 28.14
e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. 23Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. 24Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo
28.24
Pv 15.3
o que há debaixo dos céus. 25Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas; 26quando prescreveu uma
28.26
Jó 38.25
lei para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões, 27então, a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou. 28Mas disse ao homem: Eis que o temor
28.28
Dt 4.6
Pv 1
9.10
Ec 12.13
do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.

29

Lamentação de Jó lembrando-se do seu primeiro estado

291E, prosseguindo Jó em sua parábola, disse: 2Ah! Quem me dera ser como eu fui nos meses

29.2
Jó 7.3
passados, como nos dias em que Deus me guardava! 3Quando
29.3
Jó 18.6
fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça, e eu, com a sua luz, caminhava pelas trevas; 4como era nos dias da minha mocidade, quando 29.4 ou a amizadeo segredo de Deus estava sobre a minha tenda; 5quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos, em redor de mim; 6quando
29.6
Gn 49.11
Dt 32.13
33.24
Jó 20.17
lavava os meus passos em manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite; 7quando saía para a porta da cidade e na praça fazia preparar a minha cadeira. 8Os moços me viam e se escondiam; e os idosos se levantavam e se punham em pé; 9os príncipes continham as suas palavras e punham a
29.9
Jó 21.5
mão sobre a boca; 10a voz dos chefes se escondia, e a sua língua se pegava ao seu paladar; 11ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado; vendo-me algum olho, dava testemunho de mim; 12porque eu
29.12
Pv 21.13
24.11
livrava o miserável, que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse. 13A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que rejubilasse o coração da viúva. 14Cobria-me de
29.14
Nm 10.31
Is 59.17
61.10
Ef 6.14
justiça, e ela me servia de veste; como manto e diadema era o meu juízo. 15Eu era o olho do cego e os pés do coxo; 16dos necessitados era pai e as causas
29.16
Pv 29.7
de que não tinha conhecimento inquiria com diligência; 17e quebrava os queixais do perverso e dos seus dentes tirava a presa. 18E dizia: no meu ninho expirarei e multiplicarei os meus dias como a areia. 19A minha
29.19
Jó 18.16
Jr 17.8
raiz se estendia junto às águas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos; 20a minha honra se renovava em mim,
29.20
Gn 49.24
e o meu arco se reforçava na minha mão.

21Ouvindo-me, esperavam e em silêncio atendiam ao meu conselho. 22Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões destilavam sobre eles; 23porque me esperavam como à chuva; e abriam a boca como à

29.23
Zc 10.1
chuva tardia. 24Se me ria para eles, não o criam e não faziam abater a luz do meu rosto; 25se eu escolhia o seu caminho, assentava-me como chefe; e habitava como rei entre as suas tropas, como aquele que consola os que pranteiam.

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