Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231Respondeu, porém, Jó e disse: 2Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido. 3Ah! Se eu

23.3
Jó 13.3
16.21
soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. 4Com boa ordem exporia ante ele a minha causa e a minha boca encheria de argumentos. 5Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse. 6Porventura, segundo a grandeza de seu poder contenderia
23.6
Is 57.16
comigo? Não; antes, cuidaria de mim. 7Ali, o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz.

8Eis que, se me

23.8
Jó 9.11
adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. 9Se opera à mão esquerda, não o vejo; encobre-se à mão direita, e não o diviso. 10Mas ele sabe o meu caminho; prove-me,
23.10
Tg 1.12
e sairei como o ouro. 11Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho e não me desviei dele. 12Do preceito de seus lábios nunca me apartei e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento. 13Mas, se ele está contra alguém, quem, então,
23.13
Jó 12.14
Rm 9.19
o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. 14Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem
23.14
1Ts 3.3
consigo. 15Por isso, me perturbo perante ele; e quando isto considero, temo-me dele. 16Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou. 17Porquanto não fui desarraigado antes das trevas, nem encobriu a escuridão o meu rosto.

24

Jó contesta que os ímpios, muitas vezes, fiquem sem castigo nesta vida

241Visto que do Todo-Poderoso se não encobriram os tempos,

24.1
At 1.7
por que não veem os seus dias os que o conhecem? 2Há os que até os limites removem;
24.2
Dt 19.14
27.17
Pv 22.28
23.10
Os 5.10
roubam os rebanhos e os apascentam. 3Levam
24.3
Dt 24.6,10,12,17
Jó 22.6
o jumento do órfão; tomam em penhor o boi da viúva. 4Desviam do caminho os necessitados; e os miseráveis da terra juntos se
24.4
Pv 28.28
escondem. 5Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem à sua obra, madrugando para a presa; o campo raso mantimento a eles e aos seus filhos. 6No campo, segam o seu pasto e vindimam a vinha do ímpio. 7Ao nu
24.7
Êx 22.26-27
Dt 24.12-13
Jó 22.6
fazem passar a noite sem roupa, não tendo ele coberta contra o frio. 8Pelas correntes das montanhas são molhados e, não tendo refúgio, abraçam-se
24.8
Lm 4.5
com as rochas. 9Ao orfãozinho arrancam do peito e aceitam o penhor do pobre. 10Fazem com que os nus vão sem veste e aos famintos tiram as espigas. 11Dentro dos seus muros fazem o azeite; pisam os lagares e ainda têm sede. 12Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos clama; e, contudo, Deus lho não imputa como loucura.

13Eles estão entre os que se opõem à luz; não conhecem os seus caminhos e não permanecem nas suas veredas. 14De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado e de noite é como o ladrão. 15Assim como os

24.15
Pv 7.9
olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Não me verá olho nenhum, e oculta o rosto, 16nas trevas minam as casas que de dia assinalaram; não
24.16
Jo 3.20
conhecem a luz. 17Porque a manhã, para todos eles, é como sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte.

18São ligeiros sobre a face das águas; maldita é a sua porção sobre a terra; não voltam pelo caminho das vinhas. 19A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim desfará a sepultura aos que pecaram. 20A madre se esquecerá deles, os vermes os comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança

24.20
Pv 10.7
deles, e a iniquidade se quebrará como a árvore. 21Afligem a estéril que não dá à luz e à viúva não fazem bem; 22até aos poderosos arrastam com a sua força; se eles se levantam, não há vida segura. 23Se Deus lhes dá descanso, estribam-se nisso; seus
24.23
Pv 15.3
olhos, porém, estão nos caminhos deles. 24Por um pouco se alçam e logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos os outros e cortados como as pontas das espigas. 25Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?

25

Bildade sustenta que o homem não pode, sem presunção, justificar-se diante de Deus

251Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: 2Com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas. 3Porventura, têm número os seus exércitos? E para quem não se levanta a sua

25.3
Tg 1.17
luz? 4Como, pois, seria justo
25.4
Jó 4.17
15.14
o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher? 5Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. 6E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!