Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
22

Elifaz acusa Jó de diversos pecados e o exorta ao arrependimento

221Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2Porventura,

22.2
Jó 35.7
Lc 17.10
o homem será de algum proveito a Deus? Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso. 3Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum em que tu faças perfeitos os teus caminhos? 4Ou te repreende pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo? 5Porventura, não é grande a tua malícia; e sem termo, as tuas iniquidades? 6Porque penhoraste a teus irmãos sem causa
22.6
Êx 22.26-27
Dt 24.10
Jó 24.3,9
Ez 18.22
alguma e aos nus despojaste das vestes. 7Não deste água a beber ao cansado
22.7
Dt 15.7
Jó 31.17
Is 58.7
Ez 18.7,16
Mt 25.42
e ao faminto retiveste o pão. 8Mas para o violento era a terra, e o homem tido em respeito habitava nela. 9As viúvas despediste vazias, e os braços dos órfãos foram
22.9
Jó 31.21
Is 10.2
Ez 22.7
quebrantados. 10Por isso, é que estás cercado de laços,
22.10
Jó 18.8-10
19.6
e te perturbou um pavor repentino, 11ou trevas, em que nada vês; e a abundância
22.11
Lm 3.54
de águas te cobre.

12Porventura, Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão! 13E dizes: Que sabe Deus disto? Porventura, julgará por entre a escuridão? 14As nuvens são o escondedouro dele, para que não veja; e ele passeia pelo circuito dos céus. 15Porventura, consideraste a vereda do século passado, que pisaram os homens iníquos? 16Eles foram arrebatados

22.16
Jó 15.32
antes do seu tempo; sobre o seu fundamento um dilúvio se derramou. 17Diziam
22.17
Jó 21.14
Sl 4.6
a Deus: Retira-te de nós. E: Que foi que o Todo-Poderoso nos fez? 18Ora, ele enchera de bens as suas casas; pelo que, longe de mim o
22.18
Jó 21.16
conselho dos ímpios! 19Os justos o viram e se alegraram, e o inocente escarneceu deles, 20dizendo: Na verdade, os ímpios foram destruídos, e o fogo consumiu o resto deles.

21Une-te, pois, a Deus, e

22.21
Is 27.5
tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem. 22Aceita, peço-te, a lei da sua boca e põe as suas palavras no teu coração. 23Se te converteres
22.23
Jó 8.5-6
11.13-14
ao Todo-Poderoso, serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. 24Então, amontoarás
22.24
2Cr 1.15
ouro como pó e o ouro de Ofir, como pedras dos ribeiros. 25E até o Todo-Poderoso te será por ouro e por prata amontoada. 26Porque, então, te deleitarás
22.26
Jó 27.10
Is 58.14
no Todo-Poderoso
22.26
Jó 11.15
Is 58.9
e levantarás o teu rosto para Deus. 27Tu orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos. 28Determinando tu algum negócio, ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos. 29Quando te abaterem, então, tu dirás: Haja exaltação! E Deus salvará
22.29
Pv 29.23
Tg 4.6
1Pe 5.5
ao humilde 30e livrará até ao que não é inocente; sim, ele será libertado pela pureza de tuas mãos.

23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231Respondeu, porém, Jó e disse: 2Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido. 3Ah! Se eu

23.3
Jó 13.3
16.21
soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. 4Com boa ordem exporia ante ele a minha causa e a minha boca encheria de argumentos. 5Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse. 6Porventura, segundo a grandeza de seu poder contenderia
23.6
Is 57.16
comigo? Não; antes, cuidaria de mim. 7Ali, o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz.

8Eis que, se me

23.8
Jó 9.11
adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. 9Se opera à mão esquerda, não o vejo; encobre-se à mão direita, e não o diviso. 10Mas ele sabe o meu caminho; prove-me,
23.10
Tg 1.12
e sairei como o ouro. 11Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho e não me desviei dele. 12Do preceito de seus lábios nunca me apartei e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento. 13Mas, se ele está contra alguém, quem, então,
23.13
Jó 12.14
Rm 9.19
o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. 14Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem
23.14
1Ts 3.3
consigo. 15Por isso, me perturbo perante ele; e quando isto considero, temo-me dele. 16Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou. 17Porquanto não fui desarraigado antes das trevas, nem encobriu a escuridão o meu rosto.

24

Jó contesta que os ímpios, muitas vezes, fiquem sem castigo nesta vida

241Visto que do Todo-Poderoso se não encobriram os tempos,

24.1
At 1.7
por que não veem os seus dias os que o conhecem? 2Há os que até os limites removem;
24.2
Dt 19.14
27.17
Pv 22.28
23.10
Os 5.10
roubam os rebanhos e os apascentam. 3Levam
24.3
Dt 24.6,10,12,17
Jó 22.6
o jumento do órfão; tomam em penhor o boi da viúva. 4Desviam do caminho os necessitados; e os miseráveis da terra juntos se
24.4
Pv 28.28
escondem. 5Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem à sua obra, madrugando para a presa; o campo raso mantimento a eles e aos seus filhos. 6No campo, segam o seu pasto e vindimam a vinha do ímpio. 7Ao nu
24.7
Êx 22.26-27
Dt 24.12-13
Jó 22.6
fazem passar a noite sem roupa, não tendo ele coberta contra o frio. 8Pelas correntes das montanhas são molhados e, não tendo refúgio, abraçam-se
24.8
Lm 4.5
com as rochas. 9Ao orfãozinho arrancam do peito e aceitam o penhor do pobre. 10Fazem com que os nus vão sem veste e aos famintos tiram as espigas. 11Dentro dos seus muros fazem o azeite; pisam os lagares e ainda têm sede. 12Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos clama; e, contudo, Deus lho não imputa como loucura.

13Eles estão entre os que se opõem à luz; não conhecem os seus caminhos e não permanecem nas suas veredas. 14De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado e de noite é como o ladrão. 15Assim como os

24.15
Pv 7.9
olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Não me verá olho nenhum, e oculta o rosto, 16nas trevas minam as casas que de dia assinalaram; não
24.16
Jo 3.20
conhecem a luz. 17Porque a manhã, para todos eles, é como sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte.

18São ligeiros sobre a face das águas; maldita é a sua porção sobre a terra; não voltam pelo caminho das vinhas. 19A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim desfará a sepultura aos que pecaram. 20A madre se esquecerá deles, os vermes os comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança

24.20
Pv 10.7
deles, e a iniquidade se quebrará como a árvore. 21Afligem a estéril que não dá à luz e à viúva não fazem bem; 22até aos poderosos arrastam com a sua força; se eles se levantam, não há vida segura. 23Se Deus lhes dá descanso, estribam-se nisso; seus
24.23
Pv 15.3
olhos, porém, estão nos caminhos deles. 24Por um pouco se alçam e logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos os outros e cortados como as pontas das espigas. 25Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?