Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
21

Jó mostra que os ímpios, muitas vezes, gozam prosperidade nesta vida

211Respondeu, porém, Jó e disse: 2Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolação. 3Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado,

21.3
Jó 16.10
17.2
zombai. 4Porventura, eu me queixo a algum homem? Mas, ainda que assim fosse, por que se não angustiaria o meu espírito? 5Olhai para mim e pasmai; e ponde a mão
21.5
Jz 18.19
Jó 29.9
40.4
sobre a boca, 6Porque, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.

7Por que razão

21.7
Jó 12.6
Jr 12.1
Hc 1.16
vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder? 8A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos, perante os seus olhos. 9As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. 10O seu touro gera e não falha; pare a sua vaca
21.10
Êx 23.26
e não aborta. 11Fazem sair as suas crianças como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. 12Levantam a voz ao som do tamboril e da harpa e alegram-se ao som das flautas. 13Na prosperidade gastam
21.13
Jó 36.11
os seus dias e num momento descem à sepultura. 14E, todavia,
21.14
Jó 22.17
dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos. 15Quem
21.15
Êx 5.2
Jó 34.9
35.3
Ml 3.14
é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações? 16Vede, porém, que o seu bem não está na mão deles;
21.16
Jó 22.18
Pv 1.10
esteja longe de mim o conselho dos ímpios!

17Quantas

21.17
Jó 18.6
vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? E
21.17
Jó 20.28-29
Deus, na sua ira, lhes reparte dores! 18Porque
21.18
Is 17.13
29.5
Os 13.3
são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho. 19Deus guarda
21.19
Êx 20.5
a sua violência para os filhos deles, e aos ímpios dá o pago, para que o conheçam. 20Seus olhos veem a sua ruína,
21.20
Is 51.17
Jr 25.15
Ap 14.10
19.15
e ele bebe do furor do Todo-Poderoso. 21Porque, que prazer teria na sua casa depois de si, cortando-se-lhe o número dos seus meses? 22Porventura,
21.22
Is 40.13
45.9
Rm 11.34
1Co 2.16
a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos? 23Um morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado. 24Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos. 25E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo provado do bem. 26Juntamente
21.26
Jó 20.11
Ec 9.2
jazem no pó, e os bichos os cobrem.

27Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência. 28Porque direis:

21.28
Jó 20.7
Onde está a casa do príncipe e onde a tenda em que morava o ímpio? 29Porventura, o não perguntastes aos que passam pelo caminho e não conheceis os seus sinais? 30Que
21.30
Pv 16.4
2Pe 2.9
o mau é preservado para o dia da destruição e arrebatado no dia do furor? 31Quem acusará diante dele
21.31
Gl 2.11
o seu caminho? E quem lhe dará o pago do que faz? 32Finalmente, é levado à sepultura e vigia no túmulo. 33Os torrões do vale lhe são doces, e ele arrasta após si a todos os homens; e antes dele havia inumeráveis. 34Como, pois, me consolais em vão? Pois nas vossas respostas só há falsidade.

22

Elifaz acusa Jó de diversos pecados e o exorta ao arrependimento

221Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2Porventura,

22.2
Jó 35.7
Lc 17.10
o homem será de algum proveito a Deus? Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso. 3Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum em que tu faças perfeitos os teus caminhos? 4Ou te repreende pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo? 5Porventura, não é grande a tua malícia; e sem termo, as tuas iniquidades? 6Porque penhoraste a teus irmãos sem causa
22.6
Êx 22.26-27
Dt 24.10
Jó 24.3,9
Ez 18.22
alguma e aos nus despojaste das vestes. 7Não deste água a beber ao cansado
22.7
Dt 15.7
Jó 31.17
Is 58.7
Ez 18.7,16
Mt 25.42
e ao faminto retiveste o pão. 8Mas para o violento era a terra, e o homem tido em respeito habitava nela. 9As viúvas despediste vazias, e os braços dos órfãos foram
22.9
Jó 31.21
Is 10.2
Ez 22.7
quebrantados. 10Por isso, é que estás cercado de laços,
22.10
Jó 18.8-10
19.6
e te perturbou um pavor repentino, 11ou trevas, em que nada vês; e a abundância
22.11
Lm 3.54
de águas te cobre.

12Porventura, Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão! 13E dizes: Que sabe Deus disto? Porventura, julgará por entre a escuridão? 14As nuvens são o escondedouro dele, para que não veja; e ele passeia pelo circuito dos céus. 15Porventura, consideraste a vereda do século passado, que pisaram os homens iníquos? 16Eles foram arrebatados

22.16
Jó 15.32
antes do seu tempo; sobre o seu fundamento um dilúvio se derramou. 17Diziam
22.17
Jó 21.14
Sl 4.6
a Deus: Retira-te de nós. E: Que foi que o Todo-Poderoso nos fez? 18Ora, ele enchera de bens as suas casas; pelo que, longe de mim o
22.18
Jó 21.16
conselho dos ímpios! 19Os justos o viram e se alegraram, e o inocente escarneceu deles, 20dizendo: Na verdade, os ímpios foram destruídos, e o fogo consumiu o resto deles.

21Une-te, pois, a Deus, e

22.21
Is 27.5
tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem. 22Aceita, peço-te, a lei da sua boca e põe as suas palavras no teu coração. 23Se te converteres
22.23
Jó 8.5-6
11.13-14
ao Todo-Poderoso, serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. 24Então, amontoarás
22.24
2Cr 1.15
ouro como pó e o ouro de Ofir, como pedras dos ribeiros. 25E até o Todo-Poderoso te será por ouro e por prata amontoada. 26Porque, então, te deleitarás
22.26
Jó 27.10
Is 58.14
no Todo-Poderoso
22.26
Jó 11.15
Is 58.9
e levantarás o teu rosto para Deus. 27Tu orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos. 28Determinando tu algum negócio, ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos. 29Quando te abaterem, então, tu dirás: Haja exaltação! E Deus salvará
22.29
Pv 29.23
Tg 4.6
1Pe 5.5
ao humilde 30e livrará até ao que não é inocente; sim, ele será libertado pela pureza de tuas mãos.

23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231Respondeu, porém, Jó e disse: 2Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido. 3Ah! Se eu

23.3
Jó 13.3
16.21
soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. 4Com boa ordem exporia ante ele a minha causa e a minha boca encheria de argumentos. 5Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse. 6Porventura, segundo a grandeza de seu poder contenderia
23.6
Is 57.16
comigo? Não; antes, cuidaria de mim. 7Ali, o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz.

8Eis que, se me

23.8
Jó 9.11
adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. 9Se opera à mão esquerda, não o vejo; encobre-se à mão direita, e não o diviso. 10Mas ele sabe o meu caminho; prove-me,
23.10
Tg 1.12
e sairei como o ouro. 11Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho e não me desviei dele. 12Do preceito de seus lábios nunca me apartei e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento. 13Mas, se ele está contra alguém, quem, então,
23.13
Jó 12.14
Rm 9.19
o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. 14Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem
23.14
1Ts 3.3
consigo. 15Por isso, me perturbo perante ele; e quando isto considero, temo-me dele. 16Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou. 17Porquanto não fui desarraigado antes das trevas, nem encobriu a escuridão o meu rosto.