Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
14

Jó roga o favor de Deus por causa da brevidade e miséria da vida humana

141O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio

14.1
Jó 5.7
Ec 2.22
de inquietação. 2Sai como
14.2
Jó 8.9
Is 40.6
Tg 1.10-11
4.14
1Pe 1.24
a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece. 3E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo. 4(Quem do imundo tirará
14.4
Gn 5.3
Jo 3.6
Rm 5.12
Ef 2.3
o puro? Ninguém!) 5Visto que os seus dias estão
14.5
Jó 7.1
determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. 6Desvia-te
14.6
Jó 7.1,16,19
10.20
dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.

7Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda se renovará,

14.7
Jó 14.14
e não cessarão os seus renovos. 8Se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó, 9ao cheiro das águas, brotará e dará ramos como a planta. 10Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então, onde está? 11Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota e fica seco, 12assim o homem se deita e não se levanta; até
14.12
Is 51.6
65.17
66.22
At 3.21
Rm 8.20
2Pe 3.7,10-11
Ap 20.11
21.1
que não haja mais céus, não acordará, nem se erguerá de seu sono. 13Tomara que me escondesses 14.13 Hebr. no Sheolna sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! 14Morrendo o homem, porventura, tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria,
14.14
Jó 13.15
14.7
até que viesse a minha mudança. 15Chamar-me-ias,
14.15
Jó 13.22
e eu te responderia; afeiçoa-te à obra de tuas mãos. 16Mas agora
14.16
Jó 10.6,14
13.27
31.4
34.21
Pv 5.21
Jr 32.19
contas os meus passos; não estás tu vigilante sobre o meu pecado? 17A minha transgressão está selada
14.17
Dt 32.34
Os 13.12
num saco, e amontoas as minhas iniquidades. 18E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar. 19As águas gastam as pedras; as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem. 20Tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; tu, mudando o seu rosto, o despedes. 21Os seus filhos estão em honra, sem que ele o saiba; ou ficam minguados,
14.21
Ec 9.5
Is 63.16
sem que ele o perceba; 22mas a sua carne, nele, tem dores; e a sua alma, nele, lamenta.

15

Elifaz acusa Jó de impiedade

151Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2Porventura, dará o sábio, em resposta, ciência de vento? E encherá o seu ventre de vento oriental, 3arguindo com palavras que de nada servem e com razões que de nada aproveitam? 4E tu tens feito vão o temor e diminuis os rogos diante de Deus. 5Porque a tua boca declara a tua iniquidade; e tu escolheste a língua dos astutos. 6A tua boca

15.6
Lc 19.22
te condena, e não eu; e os teus lábios testificam contra ti.

7És tu, porventura, o primeiro homem que foi nascido?

15.7
Pv 8.25
Ou foste gerado antes dos outeiros? 8Ou ouviste
15.8
Rm 11.25,34
1Co 2.11
o secreto conselho de Deus e a ti somente limitaste a sabedoria? 9Que sabes
15.9
Jó 13.2
tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós? 10Também
15.10
Jó 32.6-7
entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai. 11Porventura, as consolações de Deus te são pequenas? Ou alguma coisa se oculta em ti? 12Por que te arrebata o teu coração e por que piscas os teus olhos, 13para virares contra Deus o teu espírito e deixares sair tais palavras da tua boca? 14Que
15.14
1Rs 8.46
2Cr 6.36
Jó 14.4
Pv 20.8
Ec 7.20
1Jo 1.8
é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo? 15Eis que nos
15.15
Jó 4.18
25.5
seus santos não confiaria, e nem os céus são puros aos seus olhos. 16Quanto mais
15.16
Jó 4.19
abominável e corrupto é o homem, que bebe a
15.16
Jó 34.7
Pv 19.28
iniquidade como a água?

Elifaz mostra que o ímpio é atormentado nesta vida

17Escuta-me, e mostrar-to-ei; e o que vi te contarei; 18o que os sábios anunciaram, e o que ouviram de seus pais, e não

15.18
Jó 8.8
ocultaram 19(aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou
15.19
Jl 3.17
por entre eles): 20Todos os dias o ímpio se dá pena a si mesmo, no curto número de anos que se reservam para o tirano. 21O sonido dos horrores está nos seus
15.21
1Ts 5.3
ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador. 22Não crê que tornará das trevas, mas que o espera a espada. 23Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia
15.23
Jó 18.12
das trevas lhe está perto, à mão. 24Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja. 25Porque estendeu a sua mão contra Deus e contra o Todo-Poderoso se embraveceu. 26Arremete contra ele com dura cerviz e com os pontos grossos dos seus escudos. 27Porquanto cobriu o rosto com a sua gordura e criou enxúndias nas ilhargas. 28E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas. 29Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões. 30Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos e, ao assopro da boca
15.30
Jó 9.4
de Deus, desaparecerá. 31Não confie, pois, na
15.31
Is 59.4
vaidade enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. 32Antes
15.32
Jó 22.16
do seu dia ela se consumará; e o seu ramo não reverdecerá. 33Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a da oliveira. 34Porque o ajuntamento dos hipócritas se fará estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno. 35Concebem
15.35
Is 59.4
Os 10.13
o trabalho e produzem a iniquidade; e o seu ventre prepara enganos.

16

Jó acusa a seus amigos de falta de compaixão e misericórdia

161Então, respondeu Jó e disse: 2Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores

16.2
Jó 13.4
molestos. 3Porventura, não terão fim estas palavras de vento? Ou que te irrita, para assim responderes? 4Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha alma? Ou amontoaria palavras contra vós e menearia contra vós a minha cabeça? 5Antes, vos fortaleceria com a minha boca, e a consolação dos meus lábios abrandaria a vossa dor.

6Se eu falar, a minha dor não cessa; e, calando-me, qual é o meu alívio? 7Na verdade, agora me molestou; tu assolaste toda a minha companhia. 8Testemunha disto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza se levanta contra mim e no meu rosto testifica contra mim. 9Na sua ira, me

16.9
Jó 10.16-17
despedaçou, e ele me perseguiu; rangeu os dentes contra mim; aguça o meu adversário os olhos
16.9
Jó 13.24
contra mim. 10Abrem
16.10
Lm 3.30
Mq 5.1
a boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos e contra mim se ajuntam todos. 11Entrega-me
16.11
Jó 1.15,17
Deus ao perverso e nas mãos dos ímpios me faz cair. 12Descansado estava eu, porém ele me quebrantou; e pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; também me pôs por seu alvo. 13Cercam-me os seus flecheiros; atravessa-me os rins e não me poupa; e o meu fel derrama pela terra. 14Quebranta-me com golpe sobre golpe; arremete contra mim como um valente. 15Cosi sobre a minha
16.15
Jó 30.19
pele o cilício e revolvi a minha cabeça no pó. 16O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, 17apesar de não haver violência nas minhas mãos e de ser pura a minha oração.

18Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não haja

16.18
Jó 27.9
lugar para o meu clamor! 19Eis que também, agora, está a minha
16.19
Rm 1.9
testemunha no céu, e o meu fiador, nas alturas. 20Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus. 21Ah!
16.21
Jó 31.25
Ec 6.10
Is 45.9
Rm 9.20
Se alguém pudesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo! 22Porque, decorridos poucos anos, eu seguirei o caminho por onde não tornarei.