Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
10

101A minha alma

10.1
1Rs 19.4
Jó 7.16
Jn 4.3
tem tédio de minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei
10.1
Jó 7.11
na amargura da minha alma. 2Direi a Deus: não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo. 3Parece-te bem que me oprimas, que rejeites o trabalho das tuas mãos e resplandeças sobre o conselho dos ímpios? 4Tens tu, porventura, olhos de carne? Vês
10.4
1Sm 16.7
tu como vê o homem? 5São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem, 6para te informares da minha iniquidade e averiguares o meu pecado? 7Bem sabes tu que eu não sou ímpio; todavia, ninguém que me livre da tua mão. 8As tuas mãos me fizeram e me entreteceram; e, todavia, me consomes. 9Peço-te que te lembres de que, como barro, me formaste,
10.9
Gn 2.7
3.19
Is 64.8
e de que ao pó me farás tornar. 10Porventura, não me vazaste como leite e como queijo me não coalhaste? 11De pele e carne me vestiste e de ossos e nervos me entreteceste. 12Vida e beneficência me concedeste; e o teu cuidado guardou o meu espírito. 13Mas estas coisas as ocultaste no teu coração; bem sei eu que isto esteve contigo. 14Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás. 15Se for ímpio, ai
10.15
Jó 9.12,15,20-21
Is 3.11
de mim! E se for justo, não levantarei a cabeça; cheio estou de ignomínia e olho para a minha miséria. 16Porque se me exalto, tu me caças
10.16
Is 38.13
Lm 3.10
como a um leão feroz, e de novo fazes maravilhas contra mim. 17Tu renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo.

18Por

10.18
Jó 3.11
que, pois, me tiraste da madre? Ah! Se, então, dera o espírito, e olhos nenhuns me vissem! 19Então, fora como se nunca houvera sido; e desde o ventre seria levado à sepultura! 20Porventura, não são poucos os meus dias?
10.20
Jó 7.16,19
Cessa, pois, e deixa-me para que por um pouco eu tome alento; 21antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte; 22terra escuríssima, como a mesma escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão.

11

Zofar repreende Jó, mostra a sabedoria de Deus e exorta ao arrependimento

111Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: 2Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? 3Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? 4Pois

11.4
Jó 6.10
10.7
tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos. 5Mas, na verdade, prouvera Deus que ele falasse e abrisse os seus lábios contra ti, 6e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos
11.6
Ed 9.13
do que merece a tua iniquidade.

7Porventura,

11.7
Ec 3.11
Rm 11.33
alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? 8Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o 11.8 Hebr. Sheolinferno; que poderás tu saber? 9Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. 10Se
11.10
Jó 9.12
12.14
Ap 3.7
ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá? 11Porque ele conhece os homens vãos e vê o vício; e não o terá em consideração? 12Mas o homem vão é
11.12
Ec 3.18
Rm 1.22
falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês.

13Se tu preparaste

11.13
1Sm 10.3
Jó 5.8
22.1
o teu coração, estende as tuas mãos para ele; 14se iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas, 15porque, então,
11.15
Gn 4.5-6
Jó 22.26
1Jo 3.21
o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme e não temerás. 16Porque te esquecerás dos
11.16
Is 65.16
trabalhos e te lembrarás deles como das águas que já passaram. 17E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã. 18E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro. 19E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos acariciarão o teu rosto. 20Mas os
11.20
Lv 26.16
Dt 28.65
Jó 8.14
18.14
Pv 11.7
olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

12

Jó defende-se das acusações de seus amigos

121Então, Jó respondeu e disse: 2Na verdade, que só vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. 3Também eu tenho

12.3
Jó 13.2
um coração como vós e não vos sou inferior; e quem não sabe tais coisas como estas? 4Eu sou irrisão para os
12.4
Jó 16.10
21.3
30.1
meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e o reto servem de irrisão. 5Tocha desprezível é,
12.5
Pv 14.2
na opinião do que está descansado, aquele que está pronto a tropeçar com os pés. 6As tendas
12.6
Jó 21.7
Jr 12.1
Ml 3.15
dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.

7Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber; 8ou fala com a terra, e ela to ensinará; até os peixes do mar to contarão. 9Quem não entende por todas estas coisas que a mão do Senhor fez isto, 10que está na sua mão

12.10
Nm 16.22
Dn 5.23
At 17.29
a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana? 11Porventura, o
12.11
Jó 6.30
34.3
ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas? 12Com os idosos está a
12.12
Jó 32.7
sabedoria, e na abundância de dias, o entendimento.

13Com ele está a sabedoria

12.13
Jó 9.4
11.10
36.5
Is 22.22
Ap 3.7
e a força; conselho e entendimento tem. 14Eis que ele derriba, e não se reedificará; e a quem ele encerra não se abrirá. 15Eis que ele retém
12.15
1Rs 8.35
17.1
as águas, e se secam; e as larga, e transtornam a terra. 16Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar. 17Aos conselheiros leva despojados e aos juízes faz
12.17
2Rs 15.31
Is 19.12
29.14
1Co 1.19
desvairar. 18Solta a atadura dos reis e ata o cinto aos seus lombos. 19Aos príncipes leva despojados; aos poderosos transtorna. 20Aos confiados tira a
12.20
Jó 32.9
Is 3.1-3
Dn 2.21
fala e toma o entendimento aos velhos. 21Derrama desprezo sobre os príncipes e afrouxa o cinto dos fortes. 22As profundezas das
12.22
Dn 2.22
Mt 10.26
1Co 4.5
trevas manifesta e a sombra da morte traz à luz. 23Multiplica
12.23
Is 9.3
26.15
os povos e os faz perecer; dispersa as nações e de novo as reconduz. 24Tira o coração aos chefes dos povos da terra e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho. 25Nas trevas andam às apalpadelas,
12.25
Dt 28.29
Jó 5.14
sem terem luz, e os faz desatinar como ébrios.