Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
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Prefácio e saudação

11Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas: saúde.

Acerca de provas e tentações

2Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, 3sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. 4Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.

5E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada. 6Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte. 7Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. 8O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.

9Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação, 10e o rico, em seu abatimento, porque ele passará como a flor da erva. 11Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos.

12Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. 13Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. 14Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. 15Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.

16Não erreis, meus amados irmãos. 17Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação. 18Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas.

Sobre a prática da palavra de Deus

19Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. 20Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. 21Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma. 22E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. 23Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural; 24porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era. 25Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.

26Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. 27A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.

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Condena-se o fazer acepção de pessoas

21Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. 2Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta, 3e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado, 4porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? 5Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? 6Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais? 7Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? 8Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. 9Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores. 10Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos. 11Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei. 12Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. 13Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.

A fé sem obras para nada aproveita

14Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? 15E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, 16e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 17Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

18Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. 19Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o creem e estremecem. 20Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? 21Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? 22Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, 23e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. 24Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. 25E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho? 26Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.