Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
7
Esposo

71Que formosos são os teus passos dados de sandálias,

ó filha do príncipe!

Os meneios dos teus quadris

são como colares trabalhados por mãos de artista.

2O teu umbigo é taça redonda,

a que não falta bebida;

o teu ventre é monte de trigo,

cercado de lírios.

3Os teus dois seios, como duas crias,

gêmeas de uma gazela.

4O teu pescoço, como torre de marfim;

os teus olhos são as piscinas de Hesbom,

junto à porta de Bate-Rabim;

o teu nariz, como a torre do Líbano,

que olha para Damasco.

5A tua cabeça é como o monte Carmelo,

a tua cabeleira, como a púrpura;

um rei está preso nas tuas tranças.

6Quão formosa e quão aprazível és,

ó amor em delícias!

7Esse teu porte é semelhante à palmeira,

e os teus seios, a seus cachos.

8Dizia eu: subirei à palmeira,

pegarei em seus ramos.

Sejam os teus seios como os cachos da vide,

e o aroma da tua respiração, como o das maçãs.

9Os teus beijos são como o bom vinho,

Esposa

vinho que se escoa suavemente para o meu amado,

deslizando entre seus lábios e dentes.

10Eu sou do meu amado,

e ele tem saudades de mim.

11Vem, ó meu amado, saiamos ao campo,

passemos as noites nas aldeias.

12Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas;

vejamos se florescem as vides,

se se abre a flor, se já brotam as romeiras;

dar-te-ei ali o meu amor.

13As mandrágoras exalam o seu perfume,

e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos,

novos e velhos;

eu tos reservei, ó meu amado.

8

81Tomara fosses como meu irmão,

que mamou os seios de minha mãe!

Quando te encontrasse na rua, beijar-te-ia,

e não me desprezariam!

2Levar-te-ia e te introduziria

na casa de minha mãe,

e tu me ensinarias;

eu te daria a beber vinho aromático

e mosto das minhas romãs.

3A sua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça,

e a sua direita me abraçaria.

4Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

que não acordeis, nem desperteis o amor,

até que este o queira.

Sexto cântico

Coro

5Quem é esta que sobe do deserto

e vem encostada ao seu amado?

Esposo

Debaixo da macieira te despertei,

ali esteve tua mãe com dores;

ali esteve com dores aquela que te deu à luz.

6Põe-me como selo sobre o teu coração,

como selo sobre o teu braço,

porque o amor é forte como a morte,

e duro como a sepultura, o ciúme;

as suas brasas são brasas de fogo,

são veementes labaredas.

7As muitas águas não poderiam apagar o amor,

nem os rios, afogá-lo;

ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor,

seria de todo desprezado.

Coro

8Temos uma irmãzinha

que ainda não tem seios;

que faremos a esta nossa irmã,

no dia em que for pedida?

9Se ela for um muro,

edificaremos sobre ele uma torre de prata;

se for uma porta,

cercá-la-emos com tábuas de cedro.

Esposa

10Eu sou um muro,

e os meus seios, como as suas torres;

sendo eu assim, fui tida por digna

da confiança do meu amado.

Coro

11Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom;

entregou-a a uns guardas,

e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata.

Esposa

12A vinha que me pertence está ao meu dispor;

tu, ó Salomão, terás os mil siclos,

e os que guardam o fruto dela, duzentos.

Esposo

13Ó tu que habitas nos jardins,

os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz;

faze-me, pois, também ouvi-la.

Esposa

14Vem depressa, amado meu,

faze-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela,

que saltam sobre os montes aromáticos.

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