Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6
Coro

61Para onde foi o teu amado,

ó mais formosa entre as mulheres?

Que rumo tomou o teu amado?

E o buscaremos contigo.

Esposa

2O meu amado desceu ao seu jardim,

aos canteiros de bálsamo,

para pastorear nos jardins

e para colher os lírios.

3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;

ele pastoreia entre os lírios.

Quinto cântico

Esposo

4Formosa és, querida minha, como Tirza,

aprazível como Jerusalém,

formidável como um exército com bandeiras.

5Desvia de mim os olhos,

porque eles me perturbam.

Os teus cabelos descem ondeantes

como o rebanho das cabras de Gileade.

6São os teus dentes como o rebanho de ovelhas

que sobem do lavadouro,

e das quais todas produzem gêmeos,

e nenhuma delas há sem crias.

7As tuas faces, como romã partida,

brilham através do véu.

8Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas,

e as virgens, sem número.

9Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada,

de sua mãe, a única,

a predileta daquela que a deu à luz;

viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa;

viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.

Coro

10Quem é esta que aparece como a alva do dia,

formosa como a lua, pura como o sol,

formidável como um exército com bandeiras?

Esposa

11Desci ao jardim das nogueiras,

para mirar os renovos do vale,

para ver se brotavam as vides,

se floresciam as romeiras.

12Não sei como,

imaginei-me no carro do meu nobre povo!

Coro

13Volta, volta, ó sulamita,

volta, volta, para que nós te contemplemos.

Esposa

Por que quereis contemplar a sulamita

na dança de Maanaim?

7
Esposo

71Que formosos são os teus passos dados de sandálias,

ó filha do príncipe!

Os meneios dos teus quadris

são como colares trabalhados por mãos de artista.

2O teu umbigo é taça redonda,

a que não falta bebida;

o teu ventre é monte de trigo,

cercado de lírios.

3Os teus dois seios, como duas crias,

gêmeas de uma gazela.

4O teu pescoço, como torre de marfim;

os teus olhos são as piscinas de Hesbom,

junto à porta de Bate-Rabim;

o teu nariz, como a torre do Líbano,

que olha para Damasco.

5A tua cabeça é como o monte Carmelo,

a tua cabeleira, como a púrpura;

um rei está preso nas tuas tranças.

6Quão formosa e quão aprazível és,

ó amor em delícias!

7Esse teu porte é semelhante à palmeira,

e os teus seios, a seus cachos.

8Dizia eu: subirei à palmeira,

pegarei em seus ramos.

Sejam os teus seios como os cachos da vide,

e o aroma da tua respiração, como o das maçãs.

9Os teus beijos são como o bom vinho,

Esposa

vinho que se escoa suavemente para o meu amado,

deslizando entre seus lábios e dentes.

10Eu sou do meu amado,

e ele tem saudades de mim.

11Vem, ó meu amado, saiamos ao campo,

passemos as noites nas aldeias.

12Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas;

vejamos se florescem as vides,

se se abre a flor, se já brotam as romeiras;

dar-te-ei ali o meu amor.

13As mandrágoras exalam o seu perfume,

e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos,

novos e velhos;

eu tos reservei, ó meu amado.

8

81Tomara fosses como meu irmão,

que mamou os seios de minha mãe!

Quando te encontrasse na rua, beijar-te-ia,

e não me desprezariam!

2Levar-te-ia e te introduziria

na casa de minha mãe,

e tu me ensinarias;

eu te daria a beber vinho aromático

e mosto das minhas romãs.

3A sua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça,

e a sua direita me abraçaria.

4Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

que não acordeis, nem desperteis o amor,

até que este o queira.

Sexto cântico

Coro

5Quem é esta que sobe do deserto

e vem encostada ao seu amado?

Esposo

Debaixo da macieira te despertei,

ali esteve tua mãe com dores;

ali esteve com dores aquela que te deu à luz.

6Põe-me como selo sobre o teu coração,

como selo sobre o teu braço,

porque o amor é forte como a morte,

e duro como a sepultura, o ciúme;

as suas brasas são brasas de fogo,

são veementes labaredas.

7As muitas águas não poderiam apagar o amor,

nem os rios, afogá-lo;

ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor,

seria de todo desprezado.

Coro

8Temos uma irmãzinha

que ainda não tem seios;

que faremos a esta nossa irmã,

no dia em que for pedida?

9Se ela for um muro,

edificaremos sobre ele uma torre de prata;

se for uma porta,

cercá-la-emos com tábuas de cedro.

Esposa

10Eu sou um muro,

e os meus seios, como as suas torres;

sendo eu assim, fui tida por digna

da confiança do meu amado.

Coro

11Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom;

entregou-a a uns guardas,

e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata.

Esposa

12A vinha que me pertence está ao meu dispor;

tu, ó Salomão, terás os mil siclos,

e os que guardam o fruto dela, duzentos.

Esposo

13Ó tu que habitas nos jardins,

os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz;

faze-me, pois, também ouvi-la.

Esposa

14Vem depressa, amado meu,

faze-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela,

que saltam sobre os montes aromáticos.