Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
5
Esposo

51Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva minha;

colhi a minha mirra com a especiaria,

comi o meu favo com o mel,

bebi o meu vinho com o leite.

Comei e bebei, amigos;

bebei fartamente, ó amados.

Quarto cântico

Esposa

2Eu dormia, mas o meu coração velava;

eis a voz do meu amado, que está batendo:

Esposo

Abre-me, minha irmã, querida minha,

pomba minha, imaculada minha,

porque a minha cabeça está cheia de orvalho,

os meus cabelos, das gotas da noite.

Esposa

3Já despi a minha túnica,

hei de vesti-la outra vez?

Já lavei os pés,

tornarei a sujá-los?

4O meu amado meteu a mão por uma fresta,

e o meu coração se comoveu por amor dele.

5Levantei-me para abrir ao meu amado;

as minhas mãos destilavam mirra,

e os meus dedos mirra preciosa

sobre a maçaneta do ferrolho.

6Abri ao meu amado,

mas já ele se retirara e tinha ido embora;

a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou;

busquei-o e não o achei;

chamei-o, e não me respondeu.

7Encontraram-me os guardas

que rondavam pela cidade;

espancaram-me e feriram-me;

tiraram-me o manto os guardas dos muros.

8Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

se encontrardes o meu amado,

que lhe direis?

Que desfaleço de amor.

Coro

9Que é o teu amado mais do que outro amado,

ó tu, a mais formosa entre as mulheres?

Que é o teu amado mais do que outro amado,

que tanto nos conjuras?

Esposa

10O meu amado é alvo e rosado,

o mais distinguido entre dez mil.

11A sua cabeça é como o ouro mais apurado,

os seus cabelos, cachos de palmeira,

são pretos como o corvo.

12Os seus olhos são como os das pombas

junto às correntes das águas,

lavados em leite,

postos em engaste.

13As suas faces são como um canteiro de bálsamo,

como colinas de ervas aromáticas;

os seus lábios são lírios

que gotejam mirra preciosa;

14as suas mãos, cilindros de ouro,

embutidos de jacintos;

o seu ventre, como alvo marfim,

coberto de safiras.

15As suas pernas, colunas de mármore,

assentadas em bases de ouro puro;

o seu aspecto, como o Líbano,

esbelto como os cedros.

16O seu falar é muitíssimo doce;

sim, ele é totalmente desejável.

Tal é o meu amado, tal, o meu esposo,

ó filhas de Jerusalém.

6
Coro

61Para onde foi o teu amado,

ó mais formosa entre as mulheres?

Que rumo tomou o teu amado?

E o buscaremos contigo.

Esposa

2O meu amado desceu ao seu jardim,

aos canteiros de bálsamo,

para pastorear nos jardins

e para colher os lírios.

3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;

ele pastoreia entre os lírios.

Quinto cântico

Esposo

4Formosa és, querida minha, como Tirza,

aprazível como Jerusalém,

formidável como um exército com bandeiras.

5Desvia de mim os olhos,

porque eles me perturbam.

Os teus cabelos descem ondeantes

como o rebanho das cabras de Gileade.

6São os teus dentes como o rebanho de ovelhas

que sobem do lavadouro,

e das quais todas produzem gêmeos,

e nenhuma delas há sem crias.

7As tuas faces, como romã partida,

brilham através do véu.

8Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas,

e as virgens, sem número.

9Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada,

de sua mãe, a única,

a predileta daquela que a deu à luz;

viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa;

viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.

Coro

10Quem é esta que aparece como a alva do dia,

formosa como a lua, pura como o sol,

formidável como um exército com bandeiras?

Esposa

11Desci ao jardim das nogueiras,

para mirar os renovos do vale,

para ver se brotavam as vides,

se floresciam as romeiras.

12Não sei como,

imaginei-me no carro do meu nobre povo!

Coro

13Volta, volta, ó sulamita,

volta, volta, para que nós te contemplemos.

Esposa

Por que quereis contemplar a sulamita

na dança de Maanaim?

7
Esposo

71Que formosos são os teus passos dados de sandálias,

ó filha do príncipe!

Os meneios dos teus quadris

são como colares trabalhados por mãos de artista.

2O teu umbigo é taça redonda,

a que não falta bebida;

o teu ventre é monte de trigo,

cercado de lírios.

3Os teus dois seios, como duas crias,

gêmeas de uma gazela.

4O teu pescoço, como torre de marfim;

os teus olhos são as piscinas de Hesbom,

junto à porta de Bate-Rabim;

o teu nariz, como a torre do Líbano,

que olha para Damasco.

5A tua cabeça é como o monte Carmelo,

a tua cabeleira, como a púrpura;

um rei está preso nas tuas tranças.

6Quão formosa e quão aprazível és,

ó amor em delícias!

7Esse teu porte é semelhante à palmeira,

e os teus seios, a seus cachos.

8Dizia eu: subirei à palmeira,

pegarei em seus ramos.

Sejam os teus seios como os cachos da vide,

e o aroma da tua respiração, como o das maçãs.

9Os teus beijos são como o bom vinho,

Esposa

vinho que se escoa suavemente para o meu amado,

deslizando entre seus lábios e dentes.

10Eu sou do meu amado,

e ele tem saudades de mim.

11Vem, ó meu amado, saiamos ao campo,

passemos as noites nas aldeias.

12Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas;

vejamos se florescem as vides,

se se abre a flor, se já brotam as romeiras;

dar-te-ei ali o meu amor.

13As mandrágoras exalam o seu perfume,

e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos,

novos e velhos;

eu tos reservei, ó meu amado.