Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
4
Esposo

41Como és formosa, querida minha,

como és formosa!

Os teus olhos são como os das pombas

e brilham através do teu véu.

Os teus cabelos são como o rebanho de cabras

que descem ondeantes do monte de Gileade.

2São os teus dentes como o rebanho das ovelhas recém-tosquiadas,

que sobem do lavadouro,

e das quais todas produzem gêmeos,

e nenhuma delas há sem crias.

3Os teus lábios são como um fio de escarlata,

e tua boca é formosa;

as tuas faces, como romã partida,

brilham através do véu.

4O teu pescoço é como a torre de Davi,

edificada para arsenal;

mil escudos pendem dela,

todos broquéis de soldados valorosos.

5Os teus dois seios são como duas crias,

gêmeas de uma gazela,

que se apascentam entre os lírios.

Esposa

6Antes que refresque o dia,

e fujam as sombras,

irei ao monte da mirra

e ao outeiro do incenso.

Esposo

7Tu és toda formosa, querida minha,

e em ti não há defeito.

8Vem comigo do Líbano, noiva minha,

vem comigo do Líbano;

olha do cimo do Amana,

do cimo do Senir e do Hermom,

dos covis dos leões,

dos montes dos leopardos.

9Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha;

arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares,

com uma só pérola do teu colar.

10Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha!

Quanto melhor é o teu amor do que o vinho,

e o aroma dos teus unguentos do que toda sorte de especiarias!

11Os teus lábios, noiva minha, destilam mel.

Mel e leite se acham debaixo da tua língua,

e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano.

12Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha,

manancial recluso, fonte selada.

13Os teus renovos são um pomar de romãs,

com frutos excelentes: a hena e o nardo;

14o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo,

com toda a sorte de árvores de incenso,

a mirra e o aloés,

com todas as principais especiarias.

15És fonte dos jardins, poço das águas vivas,

torrentes que correm do Líbano!

Esposa

16Levanta-te, vento norte,

e vem tu, vento sul;

assopra no meu jardim,

para que se derramem os seus aromas.

Ah! Venha o meu amado para o seu jardim

e coma os seus frutos excelentes!

5
Esposo

51Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva minha;

colhi a minha mirra com a especiaria,

comi o meu favo com o mel,

bebi o meu vinho com o leite.

Comei e bebei, amigos;

bebei fartamente, ó amados.

Quarto cântico

Esposa

2Eu dormia, mas o meu coração velava;

eis a voz do meu amado, que está batendo:

Esposo

Abre-me, minha irmã, querida minha,

pomba minha, imaculada minha,

porque a minha cabeça está cheia de orvalho,

os meus cabelos, das gotas da noite.

Esposa

3Já despi a minha túnica,

hei de vesti-la outra vez?

Já lavei os pés,

tornarei a sujá-los?

4O meu amado meteu a mão por uma fresta,

e o meu coração se comoveu por amor dele.

5Levantei-me para abrir ao meu amado;

as minhas mãos destilavam mirra,

e os meus dedos mirra preciosa

sobre a maçaneta do ferrolho.

6Abri ao meu amado,

mas já ele se retirara e tinha ido embora;

a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou;

busquei-o e não o achei;

chamei-o, e não me respondeu.

7Encontraram-me os guardas

que rondavam pela cidade;

espancaram-me e feriram-me;

tiraram-me o manto os guardas dos muros.

8Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

se encontrardes o meu amado,

que lhe direis?

Que desfaleço de amor.

Coro

9Que é o teu amado mais do que outro amado,

ó tu, a mais formosa entre as mulheres?

Que é o teu amado mais do que outro amado,

que tanto nos conjuras?

Esposa

10O meu amado é alvo e rosado,

o mais distinguido entre dez mil.

11A sua cabeça é como o ouro mais apurado,

os seus cabelos, cachos de palmeira,

são pretos como o corvo.

12Os seus olhos são como os das pombas

junto às correntes das águas,

lavados em leite,

postos em engaste.

13As suas faces são como um canteiro de bálsamo,

como colinas de ervas aromáticas;

os seus lábios são lírios

que gotejam mirra preciosa;

14as suas mãos, cilindros de ouro,

embutidos de jacintos;

o seu ventre, como alvo marfim,

coberto de safiras.

15As suas pernas, colunas de mármore,

assentadas em bases de ouro puro;

o seu aspecto, como o Líbano,

esbelto como os cedros.

16O seu falar é muitíssimo doce;

sim, ele é totalmente desejável.

Tal é o meu amado, tal, o meu esposo,

ó filhas de Jerusalém.

6
Coro

61Para onde foi o teu amado,

ó mais formosa entre as mulheres?

Que rumo tomou o teu amado?

E o buscaremos contigo.

Esposa

2O meu amado desceu ao seu jardim,

aos canteiros de bálsamo,

para pastorear nos jardins

e para colher os lírios.

3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;

ele pastoreia entre os lírios.

Quinto cântico

Esposo

4Formosa és, querida minha, como Tirza,

aprazível como Jerusalém,

formidável como um exército com bandeiras.

5Desvia de mim os olhos,

porque eles me perturbam.

Os teus cabelos descem ondeantes

como o rebanho das cabras de Gileade.

6São os teus dentes como o rebanho de ovelhas

que sobem do lavadouro,

e das quais todas produzem gêmeos,

e nenhuma delas há sem crias.

7As tuas faces, como romã partida,

brilham através do véu.

8Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas,

e as virgens, sem número.

9Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada,

de sua mãe, a única,

a predileta daquela que a deu à luz;

viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa;

viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.

Coro

10Quem é esta que aparece como a alva do dia,

formosa como a lua, pura como o sol,

formidável como um exército com bandeiras?

Esposa

11Desci ao jardim das nogueiras,

para mirar os renovos do vale,

para ver se brotavam as vides,

se floresciam as romeiras.

12Não sei como,

imaginei-me no carro do meu nobre povo!

Coro

13Volta, volta, ó sulamita,

volta, volta, para que nós te contemplemos.

Esposa

Por que quereis contemplar a sulamita

na dança de Maanaim?