Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
1

11Cântico dos cânticos

1.1
1Rs 4.32
de Salomão.

Primeiro cântico

Esposa

2Beija-me com os beijos de tua boca;

porque melhor é o teu amor do que o vinho.

3Suave é o aroma dos teus unguentos,

como unguento derramado é o teu nome;

por isso, as donzelas te amam.

4Leva-me após ti, apressemo-nos.

O rei me introduziu nas suas recâmaras.

Coro

Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos;

do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho;

não é sem razão que te amam.

Esposa

5Eu estou morena e formosa,

ó filhas de Jerusalém,

como as tendas de Quedar,

como as cortinas de Salomão.

6Não olheis para o eu estar morena,

porque o sol me queimou.

Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim

e me puseram por guarda de vinhas;

a vinha, porém, que me pertence, não a guardei.

7Dize-me, ó amado de minha alma:

onde apascentas o teu rebanho,

onde o fazes repousar pelo meio-dia,

para que não ande eu vagando

junto ao rebanho dos teus companheiros?

Esposo

8Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres,

sai-te pelas pisadas dos rebanhos

e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.

9Às éguas dos carros de Faraó

te comparo, ó querida minha.

10Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites,

o teu pescoço, com os colares.

11Enfeites de ouro te faremos,

com incrustações de prata.

Esposa

12Enquanto o rei está assentado à sua mesa,

o meu nardo exala o seu perfume.

13O meu amado é para mim um saquitel de mirra,

posto entre os meus seios.

14Como um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi,

é para mim o meu amado.

Esposo

15Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa;

os teus olhos são como os das pombas.

Esposa

16Como és formoso, amado meu,

como és amável!

O nosso leito é de viçosas folhas,

17as traves da nossa casa são de cedro,

e os seus caibros, de cipreste.

2

21Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

Esposo

2Qual o lírio entre os espinhos,

tal é a minha querida entre as donzelas.

Esposa

3Qual a macieira entre as árvores do bosque,

tal é o meu amado entre os jovens;

desejo muito a sua sombra

e debaixo dela me assento,

e o seu fruto é doce ao meu paladar.

4Leva-me à sala do banquete,

e o seu estandarte sobre mim é o amor.

5Sustentai-me com passas,

confortai-me com maçãs,

pois desfaleço de amor.

6A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça,

e a direita me abrace.

7Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

pelas gazelas e cervas do campo,

que não acordeis, nem desperteis o amor,

até que este o queira.

Segundo cântico

8Ouço a voz do meu amado;

ei-lo aí galgando os montes,

pulando sobre os outeiros.

9O meu amado é semelhante ao gamo

ou ao filho da gazela;

eis que está detrás da nossa parede,

olhando pelas janelas,

espreitando pelas grades.

10O meu amado fala e me diz:

Esposo

Levanta-te, querida minha,

formosa minha, e vem.

11Porque eis que passou o inverno,

cessou a chuva e se foi;

12aparecem as flores na terra,

chegou o tempo de cantarem as aves,

e a voz da rola ouve-se em nossa terra.

13A figueira começou a dar seus figos,

e as vides em flor exalam o seu aroma;

levanta-te, querida minha,

formosa minha, e vem.

14Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos,

no esconderijo das rochas escarpadas,

mostra-me o rosto,

faze-me ouvir a tua voz,

porque a tua voz é doce,

e o teu rosto, amável.

Esposa

15Apanhai-me as raposas,

as raposinhas, que devastam os vinhedos,

porque as nossas vinhas estão em flor.

16O meu amado é meu, e eu sou dele;

ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.

17Antes que refresque o dia

e fujam as sombras,

volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo

ou ao filho das gazelas sobre os montes escabrosos.

3

31De noite, no meu leito,

busquei o amado de minha alma,

busquei-o e não o achei.

2Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade,

pelas ruas e pelas praças;

buscarei o amado da minha alma.

Busquei-o e não o achei.

3Encontraram-me os guardas, que rondavam pela cidade.

Então, lhes perguntei: vistes o amado da minha alma?

4Mal os deixei, encontrei logo o amado da minha alma;

agarrei-me a ele e não o deixei ir embora,

até que o fiz entrar em casa de minha mãe

e na recâmara daquela que me concebeu.

5Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,

pelas gazelas e cervas do campo,

que não acordeis, nem desperteis o amor,

até que este o queira.

Terceiro cântico

Coro

6Que é isso que sobe do deserto,

como colunas de fumaça,

perfumado de mirra, e de incenso,

e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?

7É a liteira de Salomão;

sessenta valentes estão ao redor dela,

dos valentes de Israel.

8Todos sabem manejar a espada

e são destros na guerra;

cada um leva a espada à cinta,

por causa dos temores noturnos.

9O rei Salomão fez para si

um palanquim de madeira do Líbano.

10Fez-lhe as colunas de prata,

a espalda de ouro, o assento de púrpura,

e tudo interiormente ornado

com amor pelas filhas de Jerusalém.

11Saí, ó filhas de Sião,

e contemplai ao rei Salomão com a coroa

com que sua mãe o coroou

no dia do seu desposório,

no dia do júbilo do seu coração.