Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
2

Os gentios e os judeus igualmente culpados. O juízo de Deus

21Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas,

2.1
Mt 7.1
Lc 6.37
quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. 2Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. 3Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? 4Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? 5Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, 6que retribuirá a cada um
2.6
Sl 62.12
segundo o seu procedimento: 7a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; 8mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. 9Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; 10glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. 11Porque para com Deus não há acepção de pessoas.
2.11
Dt 10.17

12Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados. 13Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. 14Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. 15Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, 16no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.

Os judeus são indesculpáveis

17Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 18que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; 19que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, 20instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; 21tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 22Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? 23Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 24Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa.

2.24
Is 52.5

O verdadeiro israelita

25Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão. 26Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? 27E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a ti, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei. 28Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. 29Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.

3

Paulo responde a objeções

31Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? 2Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. 3E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? 4De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito:

Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.

3.4
Sl 51.4

5Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.) 6Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo? 7E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador? 8E por que não dizemos, como alguns, caluniosamente, afirmam que o fazemos: Pratiquemos males para que venham bens? A condenação destes é justa.

Todos os homens na condição de pecadores

9Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10como está escrito:

Não há justo, nem um sequer,

11não há quem entenda, não há quem busque a Deus;

12todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.

3.10-12
Sl 14.1-3
53.1-3

13A garganta

3.13
Sl 5.9
deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora
3.13
Sl 140.3
está nos seus lábios,

14a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura;

3.14
Sl 10.7

15são os seus pés velozes para derramar sangue,

16nos seus caminhos, há destruição e miséria;

17desconheceram o caminho da paz.

3.15-17
Is 59.7-8

18Não há temor de Deus diante de seus olhos.

3.18
Sl 36.1

O judeu não constitui exceção

19Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, 20visto que ninguém será justificado

3.20
Sl 143.2
Gl 2.16
diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.

A justificação pela fé em Jesus Cristo

21Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, 23pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, 24sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, 25a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 26tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

27Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé. 28Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. 29É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios, 30visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso. 31Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.

3.21-31
Gl 2.15-21

4

Abraão justificado pela fé

41Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? 2Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. 3Pois que diz a Escritura?

Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.

4.3
Gn 15.6

4Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. 5Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. 6E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras:

7Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos;

8bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado.

4.7-8
Sl 32.1-2

9Vem, pois, esta bem-aventurança exclusivamente sobre os circuncisos ou também sobre os incircuncisos? Visto que dizemos: a fé foi imputada a Abraão para justiça. 10Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso. 11E recebeu o sinal da circuncisão

4.11
Gn 17.10
como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, 12e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado.
4.1-12
Gl 3.6-18
13Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. 14Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, 15porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão.

16Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, 17como está escrito:

Por pai de muitas nações te constituí.

4.17
Gn 17.5
),

perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. 18Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito:

Assim será a tua descendência.

4.18
Gn 15.5

19E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos,
4.19
Gn 17.17
e a idade avançada de Sara, 20não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, 21estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera. 22Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça. 23E não somente por causa dele está escrito que lhe foi levado em conta, 24mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, 25o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.