Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

A descrição da grande meretriz

171Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,

17.1
Jr 51.13
2com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão,
17.2
Jr 51.7
foi que se embebedaram os que habitam na terra. 3Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta
17.3
Ap 13.1
escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres. 4Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro
17.4
Jr 51.7
transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição. 5Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra. 6Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto. 7O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: 8a besta
17.8
Dn 7.3
que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida
17.8
Sl 69.28
desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá. 9Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, 10dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. 11E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. 12Os dez chifres
17.12
Dn 7.24
que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. 13Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. 14Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele. 15Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas. 16Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo. 17Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus. 18A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.

18

O anúncio da queda de Babilônia

181Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória. 2Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu

18.2
Is 21.9
a grande Babilônia e se tornou morada de demônios,
18.2
Jr 50.39
covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável,
18.2
Is 13.21
3pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição.
18.3
Jr 51.7
Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria.

4Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela,

18.4
Is 48.20
Jr 50.8
povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; 5porque os seus pecados se acumularam até ao céu,
18.5
Jr 51.9
e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou. 6Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu,
18.6
Sl 137.8
Jr 50.29
pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela. 7O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver! 8Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou.
18.7-8
Is 47.8-9

Os lamentos dos admiradores de Babilônia

9Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio, 10e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo.

18.9-10
Ez 26.16-17
11E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria, 12mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura, de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore; 13e canela de cheiro, especiarias, incenso, unguento, bálsamo, vinho, azeite, flor de farinha, trigo, gado e ovelhas; e de cavalos, de carros, de escravos e até almas humanas. 14O fruto sazonado, que a tua alma tanto apeteceu, se apartou de ti, e para ti se extinguiu tudo o que é delicado e esplêndido, e nunca jamais serão achados. 15Os mercadores destas coisas, que, por meio dela, se enriqueceram, conservar-se-ão de longe, pelo medo do seu tormento, chorando e pranteando, 16dizendo: Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas, 17porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza! E todo piloto, e todo aquele que navega livremente, e marinheiros, e quantos labutam no mar conservaram-se de longe. 18Então, vendo a fumaceira do seu incêndio, gritavam: Que cidade se compara à grande cidade? 19Lançaram pó sobre a cabeça e, chorando e pranteando, gritavam: Ai! Ai da grande cidade, na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios no mar, à custa da sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada!
18.11-19
Ez 27.25-36
20Exultai sobre ela,
18.20
Jr 51.48
ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa.

A ruína de Babilônia é completa e definitiva

21Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia,

18.21
Jr 51.63-64
a grande cidade, e nunca jamais será achada.
18.21
Ez 26.21
22E voz de harpistas,
18.22
Ez 26.12
de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho. 23Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva
18.23
Jr 25.10
jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria. 24E nela se achou sangue de profetas,
18.24
Jr 51.49
de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

19

O júbilo no céu

191Depois destas coisas, ouvi no céu uma como grande voz de numerosa multidão, dizendo:

Aleluia!

A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus,

2porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos,

pois julgou a grande meretriz

que corrompia a terra com a sua prostituição

e das mãos dela

vingou

19.2
Dt 32.43
o sangue dos seus servos.

3Segunda vez disseram:

Aleluia!

E a sua fumaça sobe

19.3
Is 34.10
pelos séculos dos séculos.

4Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia! 5Saiu uma voz do trono, exclamando:

Dai louvores ao nosso Deus,

todos os seus servos,

os que o temeis,

os pequenos e os grandes.

19.5
Sl 115.13

6Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas
19.6
Ez 1.24
e como de fortes trovões, dizendo:

Aleluia!

Pois reina o Senhor,

nosso Deus, o Todo-Poderoso.

7Alegremo-nos, exultemos

e demos-lhe a glória,

porque são chegadas as bodas do Cordeiro,

cuja esposa a si mesma já se ataviou,

8pois lhe foi dado vestir-se

de linho finíssimo, resplandecente e puro.

Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.

9Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas

19.9
Mt 22.2-3
do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus. 10Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.

Cristo, o vencedor da besta e do falso profeta

11Vi o céu aberto,

19.11
Ez 1.1
e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. 12Os seus olhos são chama de fogo;
19.12
Dn 10.6
na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. 13Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; 14e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. 15Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro
19.15
Sl 2.9
e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho
19.15
Is 63.3
Jl 3.13
Ap 14.20
do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. 16Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

17Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, 18para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes.

19.17-18
Ez 39.4,17-20

19E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército. 20Mas a besta

19.20
Ap 13.1-18
foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre. 21Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes.