Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
90

Livro IV

Salmos 90—106

A eternidade de Deus e a transitoriedade do homem

Oração de Moisés, homem de Deus

901Senhor, tu tens sido o nosso refúgio,

de geração em geração.

2Antes que os montes nascessem

e se formassem a terra e o mundo,

de eternidade a eternidade, tu és Deus.

3Tu reduzes o homem ao pó

e dizes: Tornai, filhos dos homens.

4Pois mil anos,

90.4
2Pe 3.8
aos teus olhos,

são como o dia de ontem que se foi

e como a vigília da noite.

5Tu os arrastas na torrente, são como um sono,

como a relva que floresce de madrugada;

6de madrugada, viceja e floresce;

à tarde, murcha e seca.

7Pois somos consumidos pela tua ira

e pelo teu furor, conturbados.

8Diante de ti puseste as nossas iniquidades

e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.

9Pois todos os nossos dias se passam na tua ira;

acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.

10Os dias da nossa vida sobem a setenta anos

ou, em havendo vigor, a oitenta;

neste caso, o melhor deles é canseira e enfado,

porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.

11Quem conhece o poder da tua ira?

E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?

12Ensina-nos a contar os nossos dias,

para que alcancemos coração sábio.

13Volta-te, Senhor! Até quando?

Tem compaixão dos teus servos.

14Sacia-nos de manhã com a tua benignidade,

para que cantemos de júbilo

e nos alegremos todos os nossos dias.

15Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido,

por tantos anos quantos suportamos a adversidade.

16Aos teus servos apareçam as tuas obras,

e a seus filhos, a tua glória.

17Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus;

confirma sobre nós as obras das nossas mãos,

sim, confirma a obra das nossas mãos.

91

Sob a sombra do Altíssimo

911O que habita no esconderijo do Altíssimo

e descansa à sombra do Onipotente

2diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte,

Deus meu, em quem confio.

3Pois ele te livrará do laço do passarinheiro

e da peste perniciosa.

4Cobrir-te-á com as suas penas,

e, sob suas asas, estarás seguro;

a sua verdade é pavês e escudo.

5Não te assustarás do terror noturno,

nem da seta que voa de dia,

6nem da peste que se propaga nas trevas,

nem da mortandade que assola ao meio-dia.

7Caiam mil ao teu lado,

e dez mil, à tua direita;

tu não serás atingido.

8Somente com os teus olhos contemplarás

e verás o castigo dos ímpios.

9Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio.

Fizeste do Altíssimo a tua morada.

10Nenhum mal te sucederá,

praga nenhuma chegará à tua tenda.

11Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,

para que te guardem em todos os teus caminhos.

12Eles te sustentarão nas suas mãos,

para não tropeçares nalguma pedra.

91.11-12
Mt 4.6
Lc 4.10-11

13Pisarás

91.13
Lc 10.19
o leão e a áspide,

calcarás aos pés o leãozinho e a serpente.

14Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei;

pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome.

15Ele me invocará, e eu lhe responderei;

na sua angústia eu estarei com ele,

livrá-lo-ei e o glorificarei.

16Saciá-lo-ei com longevidade

e lhe mostrarei a minha salvação.

92

Hino de gratidão a Deus

Salmo. Cântico para o dia de sábado

921Bom é render graças ao Senhor

e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,

2anunciar de manhã a tua misericórdia

e, durante as noites, a tua fidelidade,

3com instrumentos de dez cordas, com saltério

e com a solenidade da harpa.

4Pois me alegraste, Senhor, com os teus feitos;

exultarei nas obras das tuas mãos.

5Quão grandes, Senhor, são as tuas obras!

Os teus pensamentos, que profundos!

6O inepto não compreende,

e o estulto não percebe isto:

7ainda que os ímpios brotam como a erva,

e florescem todos os que praticam a iniquidade,

nada obstante, serão destruídos para sempre;

8tu, porém, Senhor, és o Altíssimo eternamente.

9Eis que os teus inimigos, Senhor,

eis que os teus inimigos perecerão;

serão dispersos todos os que praticam a iniquidade.

10Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem;

derramas sobre mim o óleo fresco.

11Os meus olhos veem com alegria os inimigos que me espreitam,

e os meus ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam.

12O justo florescerá como a palmeira,

crescerá como o cedro no Líbano.

13Plantados na Casa do Senhor,

florescerão nos átrios do nosso Deus.

14Na velhice darão ainda frutos,

serão cheios de seiva e de verdor,

15para anunciar que o Senhor é reto.

Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.

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