Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
89

Promessa do reino messiânico a Davi

Salmo didático de Etã,

89, título
1Rs 4.31
ezraíta

891Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor;

os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.

2Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre;

a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo:

3Fiz aliança com o meu escolhido

e jurei a Davi, meu servo:

4Para sempre estabelecerei a tua posteridade

e firmarei o teu trono de geração em geração.

89.3-4
2Sm 7.12-16
1Cr 17.11-14
Sl 132.11
At 2.30

5Celebram os céus as tuas maravilhas, ó Senhor,

e, na assembleia dos santos, a tua fidelidade.

6Pois quem nos céus é comparável ao Senhor?

Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao Senhor?

7Deus é sobremodo tremendo na assembleia dos santos

e temível sobre todos os que o rodeiam.

8Ó Senhor, Deus dos Exércitos,

quem é poderoso como tu és, Senhor,

com a tua fidelidade ao redor de ti?!

9Dominas a fúria do mar;

quando as suas ondas se levantam, tu as amainas.

10Calcaste a Raabe, como um ferido de morte;

com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos.

11Teus são os céus, tua, a terra;

o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.

12O Norte e o Sul, tu os criaste;

o Tabor e o Hermom exultam em teu nome.

13O teu braço é armado de poder,

forte é a tua mão, e elevada, a tua destra.

14Justiça e direito são o fundamento do teu trono;

graça e verdade te precedem.

15Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo,

que anda, ó Senhor, na luz da tua presença.

16Em teu nome, de contínuo se alegra

e na tua justiça se exalta,

17porquanto tu és a glória de sua força;

no teu favor avulta o nosso poder.

18Pois ao Senhor pertence o nosso escudo,

e ao Santo de Israel, o nosso rei.

19Outrora, falaste em visão aos teus santos e disseste:

A um herói concedi o poder de socorrer;

do meio do povo, exaltei um escolhido.

20Encontrei Davi,

89.20
1Sm 13.14
16.12
At 13.22
meu servo;

com o meu santo óleo o ungi.

21A minha mão será firme com ele,

o meu braço o fortalecerá.

22O inimigo jamais o surpreenderá,

nem o há de afligir o filho da perversidade.

23Esmagarei diante dele os seus adversários

e ferirei os que o odeiam.

24A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar,

e em meu nome crescerá o seu poder.

25Porei a sua mão sobre o mar

e a sua direita, sobre os rios.

26Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai,

meu Deus e a rocha da minha salvação.

27Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito,

89.27
Ap 1.5

o mais elevado entre os reis da terra.

28Conservar-lhe-ei para sempre a minha graça

e, firme com ele, a minha aliança.

29Farei durar para sempre a sua descendência;

e, o seu trono, como os dias do céu.

30Se os seus filhos desprezarem a minha lei

e não andarem nos meus juízos,

31se violarem os meus preceitos

e não guardarem os meus mandamentos,

32então, punirei com vara as suas transgressões

e com açoites, a sua iniquidade.

33Mas jamais retirarei dele a minha bondade,

nem desmentirei a minha fidelidade.

34Não violarei a minha aliança,

nem modificarei o que os meus lábios proferiram.

35Uma vez jurei por minha santidade

(e serei eu falso a Davi?):

36A sua posteridade durará para sempre,

e o seu trono, como o sol perante mim.

37Ele será estabelecido para sempre como a lua

e fiel como a testemunha no espaço.

38Tu, porém, o repudiaste e o rejeitaste;

e te indignaste com o teu ungido.

39Aborreceste a aliança com o teu servo;

profanaste-lhe a coroa, arrojando-a para a terra.

40Arrasaste os seus muros todos;

reduziste a ruínas as suas fortificações.

41Despojam-no todos os que passam pelo caminho;

e os vizinhos o escarnecem.

42Exaltaste a destra dos seus adversários

e deste regozijo a todos os seus inimigos.

43Também viraste o fio da sua espada

e não o sustentaste na batalha.

44Fizeste cessar o seu esplendor

e deitaste por terra o seu trono.

45Abreviaste os dias da sua mocidade

e o cobriste de ignomínia.

46Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre?

Arderá a tua ira como fogo?

47Lembra-te de como é breve a minha existência!

Pois criarias em vão todos os filhos dos homens!

48Que homem há, que viva e não veja a morte?

Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?

49Que é feito, Senhor, das tuas benignidades de outrora,

juradas a Davi por tua fidelidade?

50Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos

e de como trago no peito a injúria de muitos povos,

51com que, Senhor, os teus inimigos têm vilipendiado,

sim, vilipendiado os passos do teu ungido.

52Bendito seja o Senhor para sempre! Amém e amém!

Livro IV

Salmos 90—106

A eternidade de Deus e a transitoriedade do homem

Oração de Moisés, homem de Deus

901Senhor, tu tens sido o nosso refúgio,

de geração em geração.

2Antes que os montes nascessem

e se formassem a terra e o mundo,

de eternidade a eternidade, tu és Deus.

3Tu reduzes o homem ao pó

e dizes: Tornai, filhos dos homens.

4Pois mil anos,

90.4
2Pe 3.8
aos teus olhos,

são como o dia de ontem que se foi

e como a vigília da noite.

5Tu os arrastas na torrente, são como um sono,

como a relva que floresce de madrugada;

6de madrugada, viceja e floresce;

à tarde, murcha e seca.

7Pois somos consumidos pela tua ira

e pelo teu furor, conturbados.

8Diante de ti puseste as nossas iniquidades

e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.

9Pois todos os nossos dias se passam na tua ira;

acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.

10Os dias da nossa vida sobem a setenta anos

ou, em havendo vigor, a oitenta;

neste caso, o melhor deles é canseira e enfado,

porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.

11Quem conhece o poder da tua ira?

E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?

12Ensina-nos a contar os nossos dias,

para que alcancemos coração sábio.

13Volta-te, Senhor! Até quando?

Tem compaixão dos teus servos.

14Sacia-nos de manhã com a tua benignidade,

para que cantemos de júbilo

e nos alegremos todos os nossos dias.

15Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido,

por tantos anos quantos suportamos a adversidade.

16Aos teus servos apareçam as tuas obras,

e a seus filhos, a tua glória.

17Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus;

confirma sobre nós as obras das nossas mãos,

sim, confirma a obra das nossas mãos.

91

Sob a sombra do Altíssimo

911O que habita no esconderijo do Altíssimo

e descansa à sombra do Onipotente

2diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte,

Deus meu, em quem confio.

3Pois ele te livrará do laço do passarinheiro

e da peste perniciosa.

4Cobrir-te-á com as suas penas,

e, sob suas asas, estarás seguro;

a sua verdade é pavês e escudo.

5Não te assustarás do terror noturno,

nem da seta que voa de dia,

6nem da peste que se propaga nas trevas,

nem da mortandade que assola ao meio-dia.

7Caiam mil ao teu lado,

e dez mil, à tua direita;

tu não serás atingido.

8Somente com os teus olhos contemplarás

e verás o castigo dos ímpios.

9Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio.

Fizeste do Altíssimo a tua morada.

10Nenhum mal te sucederá,

praga nenhuma chegará à tua tenda.

11Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,

para que te guardem em todos os teus caminhos.

12Eles te sustentarão nas suas mãos,

para não tropeçares nalguma pedra.

91.11-12
Mt 4.6
Lc 4.10-11

13Pisarás

91.13
Lc 10.19
o leão e a áspide,

calcarás aos pés o leãozinho e a serpente.

14Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei;

pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome.

15Ele me invocará, e eu lhe responderei;

na sua angústia eu estarei com ele,

livrá-lo-ei e o glorificarei.

16Saciá-lo-ei com longevidade

e lhe mostrarei a minha salvação.