Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
88

Lamentação de um atribulado

Cântico. Salmo dos filhos de Corá. Ao mestre de canto. Para ser cantado com cítara. Salmo didático de Hemã, ezraíta

881Ó Senhor, Deus da minha salvação,

dia e noite clamo diante de ti.

2Chegue à tua presença a minha oração,

inclina os ouvidos ao meu clamor.

3Pois a minha alma está farta de males,

e a minha vida já se abeira da morte.

4Sou contado com os que baixam à cova;

sou como um homem sem força,

5atirado entre os mortos;

como os feridos de morte que jazem na sepultura,

dos quais já não te lembras;

são desamparados de tuas mãos.

6Puseste-me na mais profunda cova,

nos lugares tenebrosos, nos abismos.

7Sobre mim pesa a tua ira;

tu me abates com todas as tuas ondas.

8Apartaste de mim os meus conhecidos

e me fizeste objeto de abominação para com eles;

estou preso e não vejo como sair.

9Os meus olhos desfalecem de aflição;

dia após dia, venho clamando a ti, Senhor,

e te levanto as minhas mãos.

10Mostrarás tu prodígios aos mortos

ou os finados se levantarão para te louvar?

11Será referida a tua bondade na sepultura?

A tua fidelidade, nos abismos?

12Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas?

E a tua justiça, na terra do esquecimento?

13Mas eu, Senhor, clamo a ti por socorro,

e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração.

14Por que rejeitas, Senhor, a minha alma

e ocultas de mim o rosto?

15Ando aflito e prestes a expirar desde moço;

sob o peso dos teus terrores, estou desorientado.

16Por sobre mim passaram as tuas iras,

os teus terrores deram cabo de mim.

17Eles me rodeiam como água, de contínuo;

a um tempo me circundam.

18Para longe de mim afastaste amigo e companheiro;

os meus conhecidos são trevas.

89

Promessa do reino messiânico a Davi

Salmo didático de Etã,

89, título
1Rs 4.31
ezraíta

891Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor;

os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.

2Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre;

a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo:

3Fiz aliança com o meu escolhido

e jurei a Davi, meu servo:

4Para sempre estabelecerei a tua posteridade

e firmarei o teu trono de geração em geração.

89.3-4
2Sm 7.12-16
1Cr 17.11-14
Sl 132.11
At 2.30

5Celebram os céus as tuas maravilhas, ó Senhor,

e, na assembleia dos santos, a tua fidelidade.

6Pois quem nos céus é comparável ao Senhor?

Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao Senhor?

7Deus é sobremodo tremendo na assembleia dos santos

e temível sobre todos os que o rodeiam.

8Ó Senhor, Deus dos Exércitos,

quem é poderoso como tu és, Senhor,

com a tua fidelidade ao redor de ti?!

9Dominas a fúria do mar;

quando as suas ondas se levantam, tu as amainas.

10Calcaste a Raabe, como um ferido de morte;

com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos.

11Teus são os céus, tua, a terra;

o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.

12O Norte e o Sul, tu os criaste;

o Tabor e o Hermom exultam em teu nome.

13O teu braço é armado de poder,

forte é a tua mão, e elevada, a tua destra.

14Justiça e direito são o fundamento do teu trono;

graça e verdade te precedem.

15Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo,

que anda, ó Senhor, na luz da tua presença.

16Em teu nome, de contínuo se alegra

e na tua justiça se exalta,

17porquanto tu és a glória de sua força;

no teu favor avulta o nosso poder.

18Pois ao Senhor pertence o nosso escudo,

e ao Santo de Israel, o nosso rei.

19Outrora, falaste em visão aos teus santos e disseste:

A um herói concedi o poder de socorrer;

do meio do povo, exaltei um escolhido.

20Encontrei Davi,

89.20
1Sm 13.14
16.12
At 13.22
meu servo;

com o meu santo óleo o ungi.

21A minha mão será firme com ele,

o meu braço o fortalecerá.

22O inimigo jamais o surpreenderá,

nem o há de afligir o filho da perversidade.

23Esmagarei diante dele os seus adversários

e ferirei os que o odeiam.

24A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar,

e em meu nome crescerá o seu poder.

25Porei a sua mão sobre o mar

e a sua direita, sobre os rios.

26Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai,

meu Deus e a rocha da minha salvação.

27Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito,

89.27
Ap 1.5

o mais elevado entre os reis da terra.

28Conservar-lhe-ei para sempre a minha graça

e, firme com ele, a minha aliança.

29Farei durar para sempre a sua descendência;

e, o seu trono, como os dias do céu.

30Se os seus filhos desprezarem a minha lei

e não andarem nos meus juízos,

31se violarem os meus preceitos

e não guardarem os meus mandamentos,

32então, punirei com vara as suas transgressões

e com açoites, a sua iniquidade.

33Mas jamais retirarei dele a minha bondade,

nem desmentirei a minha fidelidade.

34Não violarei a minha aliança,

nem modificarei o que os meus lábios proferiram.

35Uma vez jurei por minha santidade

(e serei eu falso a Davi?):

36A sua posteridade durará para sempre,

e o seu trono, como o sol perante mim.

37Ele será estabelecido para sempre como a lua

e fiel como a testemunha no espaço.

38Tu, porém, o repudiaste e o rejeitaste;

e te indignaste com o teu ungido.

39Aborreceste a aliança com o teu servo;

profanaste-lhe a coroa, arrojando-a para a terra.

40Arrasaste os seus muros todos;

reduziste a ruínas as suas fortificações.

41Despojam-no todos os que passam pelo caminho;

e os vizinhos o escarnecem.

42Exaltaste a destra dos seus adversários

e deste regozijo a todos os seus inimigos.

43Também viraste o fio da sua espada

e não o sustentaste na batalha.

44Fizeste cessar o seu esplendor

e deitaste por terra o seu trono.

45Abreviaste os dias da sua mocidade

e o cobriste de ignomínia.

46Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre?

Arderá a tua ira como fogo?

47Lembra-te de como é breve a minha existência!

Pois criarias em vão todos os filhos dos homens!

48Que homem há, que viva e não veja a morte?

Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?

49Que é feito, Senhor, das tuas benignidades de outrora,

juradas a Davi por tua fidelidade?

50Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos

e de como trago no peito a injúria de muitos povos,

51com que, Senhor, os teus inimigos têm vilipendiado,

sim, vilipendiado os passos do teu ungido.

52Bendito seja o Senhor para sempre! Amém e amém!

90

Livro IV

Salmos 90—106

A eternidade de Deus e a transitoriedade do homem

Oração de Moisés, homem de Deus

901Senhor, tu tens sido o nosso refúgio,

de geração em geração.

2Antes que os montes nascessem

e se formassem a terra e o mundo,

de eternidade a eternidade, tu és Deus.

3Tu reduzes o homem ao pó

e dizes: Tornai, filhos dos homens.

4Pois mil anos,

90.4
2Pe 3.8
aos teus olhos,

são como o dia de ontem que se foi

e como a vigília da noite.

5Tu os arrastas na torrente, são como um sono,

como a relva que floresce de madrugada;

6de madrugada, viceja e floresce;

à tarde, murcha e seca.

7Pois somos consumidos pela tua ira

e pelo teu furor, conturbados.

8Diante de ti puseste as nossas iniquidades

e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.

9Pois todos os nossos dias se passam na tua ira;

acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.

10Os dias da nossa vida sobem a setenta anos

ou, em havendo vigor, a oitenta;

neste caso, o melhor deles é canseira e enfado,

porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.

11Quem conhece o poder da tua ira?

E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?

12Ensina-nos a contar os nossos dias,

para que alcancemos coração sábio.

13Volta-te, Senhor! Até quando?

Tem compaixão dos teus servos.

14Sacia-nos de manhã com a tua benignidade,

para que cantemos de júbilo

e nos alegremos todos os nossos dias.

15Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido,

por tantos anos quantos suportamos a adversidade.

16Aos teus servos apareçam as tuas obras,

e a seus filhos, a tua glória.

17Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus;

confirma sobre nós as obras das nossas mãos,

sim, confirma a obra das nossas mãos.

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