Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
78

A providência divina na história do seu povo

Salmo didático de Asafe

781Escutai, povo meu, a minha lei;

prestai ouvidos às palavras da minha boca.

2Abrirei os lábios em parábolas

e publicarei enigmas dos tempos antigos.

3O que ouvimos e aprendemos,

o que nos contaram nossos pais,

4não o encobriremos a seus filhos;

contaremos à vindoura geração

os louvores do Senhor, e o seu poder,

e as maravilhas que fez.

5Ele estabeleceu um testemunho em Jacó,

e instituiu uma lei em Israel,

e ordenou a nossos pais

que os transmitissem a seus filhos,

6a fim de que a nova geração os conhecesse,

filhos que ainda hão de nascer

se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;

7para que pusessem em Deus a sua confiança

e não se esquecessem dos feitos de Deus,

mas lhe observassem os mandamentos;

8e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde,

geração de coração inconstante,

e cujo espírito não foi fiel a Deus.

9Os filhos de Efraim, embora armados de arco,

bateram em retirada no dia do combate.

10Não guardaram a aliança de Deus,

não quiseram andar na sua lei;

11esqueceram-se das suas obras

e das maravilhas que lhes mostrara.

12Prodígios fez na presença de seus pais

na terra do Egito, no campo de Zoã.

13Dividiu o mar e fê-los seguir;

aprumou as águas como num dique.

14Guiou-os de dia com uma nuvem

e durante a noite com um clarão de fogo.

15No deserto, fendeu rochas

e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.

16Da pedra fez brotar torrentes,

fez manar água como rios.

17Mas, ainda assim, prosseguiram em pecar contra ele

e se rebelaram, no deserto, contra o Altíssimo.

18Tentaram a Deus no seu coração,

pedindo alimento que lhes fosse do gosto.

19Falaram contra Deus, dizendo:

Pode, acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?

20Com efeito, feriu ele a rocha,

e dela manaram águas, transbordaram caudais.

Pode ele dar-nos pão também?

Ou fornecer carne para o seu povo?

21Ouvindo isto, o Senhor ficou indignado;

acendeu-se fogo contra Jacó,

e também se levantou o seu furor contra Israel;

22porque não creram em Deus,

nem confiaram na sua salvação.

23Nada obstante, ordenou às alturas

e abriu as portas dos céus;

24fez chover maná sobre eles, para alimentá-los,

e lhes deu cereal do céu.

25Comeu cada qual o pão dos anjos;

enviou-lhes ele comida a fartar.

26Fez soprar no céu o vento do Oriente

e pelo seu poder conduziu o vento do Sul.

27Também fez chover sobre eles carne como poeira

e voláteis como areia dos mares.

28Fê-los cair no meio do arraial deles,

ao redor de suas tendas.

29Então, comeram e se fartaram a valer;

pois lhes fez o que desejavam.

30Porém não reprimiram o apetite.

Tinham ainda na boca o alimento,

31quando se elevou contra eles a ira de Deus,

e entre os seus mais robustos semeou a morte,

e prostrou os jovens de Israel.

32Sem embargo disso, continuaram a pecar

e não creram nas suas maravilhas.

33Por isso, ele fez que os seus dias se dissipassem num sopro

e os seus anos, em súbito terror.

34Quando os fazia morrer, então, o buscavam;

arrependidos, procuravam a Deus.

35Lembravam-se de que Deus era a sua rocha

e o Deus Altíssimo, o seu redentor.

36Lisonjeavam-no, porém de boca,

e com a língua lhe mentiam.

37Porque o coração deles não era firme para com ele,

nem foram fiéis à sua aliança.

38Ele, porém, que é misericordioso,

perdoa a iniquidade e não destrói;

antes, muitas vezes desvia a sua ira

e não dá largas a toda a sua indignação.

39Lembra-se de que eles são carne,

vento que passa e já não volta.

40Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto

e na solidão o provocaram!

41Tornaram a tentar a Deus,

agravaram o Santo de Israel.

42Não se lembraram do poder dele,

nem do dia em que os resgatou do adversário;

43de como no Egito operou ele os seus sinais

e os seus prodígios, no campo de Zoã;

44e converteu em sangue os rios deles,

para que das suas correntes não bebessem.

45Enviou contra eles enxames de moscas que os devorassem

e rãs que os destruíssem.

46Entregou às larvas as suas colheitas

e aos gafanhotos, o fruto do seu trabalho.

47Com chuvas de pedra lhes destruiu as vinhas

e os seus sicômoros, com geada.

48Entregou à saraiva o gado deles

e aos raios, os seus rebanhos.

49Lançou contra eles o furor da sua ira:

cólera, indignação e calamidade,

legião de anjos portadores de males.

50Deu livre curso à sua ira;

não poupou da morte a alma deles,

mas entregou-lhes a vida à pestilência.

51Feriu todos os primogênitos no Egito,

as primícias da virilidade nas tendas de Cam.

52Fez sair o seu povo como ovelhas

e o guiou pelo deserto, como um rebanho.

53Dirigiu-o com segurança, e não temeram,

ao passo que o mar submergiu os seus inimigos.

54Levou-os até à sua terra santa,

até ao monte que a sua destra adquiriu.

55Da presença deles expulsou as nações,

cuja região repartiu com eles por herança;

e nas suas tendas fez habitar as tribos de Israel.

56Ainda assim, tentaram o Deus Altíssimo, e a ele resistiram,

e não lhe guardaram os testemunhos.

57Tornaram atrás e se portaram aleivosamente como seus pais;

desviaram-se como um arco enganoso.

58Pois o provocaram com os seus altos

e o incitaram a zelos com as suas imagens de escultura.

59Deus ouviu isso, e se indignou,

e sobremodo se aborreceu de Israel.

60Por isso, abandonou o tabernáculo de Siló,

a tenda de sua morada entre os homens,

61e passou a arca da sua força ao cativeiro,

e a sua glória, à mão do adversário.

62Entregou o seu povo à espada

e se encolerizou contra a sua própria herança.

63O fogo devorou os jovens deles,

e as suas donzelas não tiveram canto nupcial.

64Os seus sacerdotes caíram à espada,

e as suas viúvas não fizeram lamentações.

65Então, o Senhor despertou como de um sono,

como um valente que grita excitado pelo vinho;

66fez recuar a golpes os seus adversários

e lhes cominou perpétuo desprezo.

67Além disso, rejeitou a tenda de José

e não elegeu a tribo de Efraim.

68Escolheu, antes, a tribo de Judá,

o monte Sião, que ele amava.

69E construiu o seu santuário durável como os céus

e firme como a terra que fundou para sempre.

70Também escolheu a Davi, seu servo,

e o tomou dos redis das ovelhas;

71tirou-o do cuidado das ovelhas e suas crias,

para ser o pastor de Jacó, seu povo,

e de Israel, sua herança.

72E ele os apascentou consoante a integridade do seu coração

e os dirigiu com mãos precavidas.

79

O povo pede castigo contra os inimigos

Salmo de Asafe

791Ó Deus, as nações invadiram a tua herança,

profanaram o teu santo templo,

reduziram Jerusalém a um montão de ruínas.

2Deram os cadáveres dos teus servos

por cibo às aves dos céus

e a carne dos teus santos, às feras da terra.

3Derramaram como água o sangue deles

ao redor de Jerusalém,

e não houve quem lhes desse sepultura.

4Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos,

o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam.

5Até quando, Senhor? Será para sempre a tua ira?

Arderá como fogo o teu zelo?

6Derrama o teu furor sobre as nações

que te não conhecem

e sobre os reinos

que não invocam o teu nome.

7Porque eles devoraram a Jacó

e lhe assolaram as moradas.

8Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais;

apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias,

pois estamos sobremodo abatidos.

9Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso,

pela glória do teu nome;

livra-nos e perdoa-nos os pecados,

por amor do teu nome.

10Por que diriam as nações:

Onde está o seu Deus?

Seja, à nossa vista, manifesta entre as nações a vingança do sangue

que dos teus servos é derramado.

11Chegue à tua presença o gemido do cativo;

consoante a grandeza do teu poder,

preserva os sentenciados à morte.

12Retribui, Senhor, aos nossos vizinhos, sete vezes tanto,

o opróbrio com que te vituperaram.

13Quanto a nós, teu povo e ovelhas do teu pasto,

para sempre te daremos graças;

de geração em geração proclamaremos os teus louvores.

80

Pedindo restaurações

Ao mestre de canto, segundo a melodia “Os lírios”. Testemunho de Asafe. Salmo

801Dá ouvidos, ó pastor de Israel,

tu que conduzes a José como um rebanho;

tu que estás entronizado acima dos querubins,

mostra o teu esplendor.

2Perante Efraim, Benjamim e Manassés,

desperta o teu poder e vem salvar-nos.

3Restaura-nos, ó Deus;

faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.

4Ó Senhor, Deus dos Exércitos,

até quando estarás indignado contra a oração do teu povo?

5Dás-lhe a comer pão de lágrimas

e a beber copioso pranto.

6Constituis-nos em contendas para os nossos vizinhos,

e os nossos inimigos zombam de nós a valer.

7Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos;

faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.

8Trouxeste uma videira do Egito,

expulsaste as nações e a plantaste.

9Dispuseste-lhe o terreno,

ela deitou profundas raízes e encheu a terra.

10Com a sombra dela os montes se cobriram,

e, com os seus sarmentos, os cedros de Deus.

11Estendeu ela a sua ramagem até ao mar

e os seus rebentos, até ao rio.

12Por que lhe derribaste as cercas,

de sorte que a vindimam todos os que passam pelo caminho?

13O javali da selva a devasta,

e nela se repastam os animais que pululam no campo.

14Ó Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos,

olha do céu, e vê, e visita esta vinha;

15protege o que a tua mão direita plantou,

o sarmento que para ti fortaleceste.

16Está queimada, está decepada.

Pereçam os nossos inimigos pela repreensão do teu rosto.

17Seja a tua mão sobre o povo da tua destra,

sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.

18E assim não nos apartaremos de ti;

vivifica-nos, e invocaremos o teu nome.

19Restaura-nos, ó Senhor, Deus dos Exércitos,

faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.