Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
76

A majestade e o poder de Deus

Ao mestre de canto, com instrumentos de cordas. Salmo de Asafe. Cântico

761Conhecido é Deus em Judá;

grande, o seu nome em Israel.

2Em Salém, está o seu tabernáculo,

e, em Sião, a sua morada.

3Ali, despedaçou ele os relâmpagos do arco,

o escudo, a espada e a batalha.

4Tu és ilustre e mais glorioso

do que os montes eternos.

5Despojados foram os de ânimo forte;

jazem a dormir o seu sono,

e nenhum dos valentes

pode valer-se das próprias mãos.

6Ante a tua repreensão, ó Deus de Jacó,

paralisaram carros e cavalos.

7Tu, sim, tu és terrível;

se te iras,

quem pode subsistir à tua vista?

8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo;

tremeu a terra e se aquietou,

9ao levantar-se Deus para julgar

e salvar todos os humildes da terra.

10Pois até a ira humana há de louvar-te;

e do resíduo das iras te cinges.

11Fazei votos e pagai-os ao Senhor, vosso Deus;

tragam presentes todos os que o rodeiam,

àquele que deve ser temido.

12Ele quebranta o orgulho dos príncipes;

é tremendo aos reis da terra.

77

As grandes obras e a misericórdia de Deus

Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Asafe

771Elevo a Deus a minha voz e clamo,

elevo a Deus a minha voz, para que me atenda.

2No dia da minha angústia, procuro o Senhor;

erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam;

a minha alma recusa consolar-se.

3Lembro-me de Deus e passo a gemer;

medito, e me desfalece o espírito.

4Não me deixas pregar os olhos;

tão perturbado estou, que nem posso falar.

5Penso nos dias de outrora,

trago à lembrança os anos de passados tempos.

6De noite indago o meu íntimo,

e o meu espírito perscruta.

7Rejeita o Senhor para sempre?

Acaso, não torna a ser propício?

8Cessou perpetuamente a sua graça?

Caducou a sua promessa para todas as gerações?

9Esqueceu-se Deus de ser benigno?

Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?

10Então, disse eu: isto é a minha aflição;

mudou-se a destra do Altíssimo.

11Recordo os feitos do Senhor,

pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade.

12Considero também nas tuas obras todas

e cogito dos teus prodígios.

13O teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que deus é tão grande como o nosso Deus?

14Tu és o Deus que operas maravilhas

e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.

15Com o teu braço remiste o teu povo,

os filhos de Jacó e de José.

16Viram-te as águas, ó Deus;

as águas te viram e temeram,

até os abismos se abalaram.

17Grossas nuvens se desfizeram em água;

houve trovões nos espaços;

também as suas setas cruzaram de uma parte para outra.

18O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza;

os relâmpagos alumiaram o mundo;

a terra se abalou e tremeu.

19Pelo mar foi o teu caminho;

as tuas veredas, pelas grandes águas;

e não se descobrem os teus vestígios.

20O teu povo, tu o conduziste, como rebanho,

pelas mãos de Moisés e de Arão.

78

A providência divina na história do seu povo

Salmo didático de Asafe

781Escutai, povo meu, a minha lei;

prestai ouvidos às palavras da minha boca.

2Abrirei os lábios em parábolas

78.2
Mt 13.35

e publicarei enigmas dos tempos antigos.

3O que ouvimos e aprendemos,

o que nos contaram nossos pais,

4não o encobriremos a seus filhos;

contaremos à vindoura geração

os louvores do Senhor, e o seu poder,

e as maravilhas que fez.

5Ele estabeleceu um testemunho em Jacó,

e instituiu uma lei em Israel,

e ordenou a nossos pais

que os transmitissem a seus filhos,

6a fim de que a nova geração os conhecesse,

filhos que ainda hão de nascer

se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;

7para que pusessem em Deus a sua confiança

e não se esquecessem dos feitos de Deus,

mas lhe observassem os mandamentos;

8e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde,

geração de coração inconstante,

e cujo espírito não foi fiel a Deus.

9Os filhos de Efraim, embora armados de arco,

bateram em retirada no dia do combate.

10Não guardaram a aliança de Deus,

não quiseram andar na sua lei;

11esqueceram-se das suas obras

e das maravilhas que lhes mostrara.

12Prodígios fez

78.12
Êx 7.8—12.32
na presença de seus pais

na terra do Egito, no campo de Zoã.

13Dividiu o mar

78.13
Êx 14.21-22
e fê-los seguir;

aprumou as águas como num dique.

14Guiou-os de dia com uma nuvem

78.14
Êx 13.21-22

e durante a noite com um clarão de fogo.

15No deserto, fendeu rochas

78.15
Êx 17.1-7
Nm 20.2-13

e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.

16Da pedra fez brotar torrentes,

fez manar água como rios.

17Mas, ainda assim, prosseguiram em pecar contra ele

e se rebelaram, no deserto, contra o Altíssimo.

18Tentaram a Deus

78.18
Êx 16.2-15
Nm 11.4-23,31-35
no seu coração,

pedindo alimento que lhes fosse do gosto.

19Falaram contra Deus, dizendo:

Pode, acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?

20Com efeito, feriu ele a rocha,

e dela manaram águas, transbordaram caudais.

Pode ele dar-nos pão também?

Ou fornecer carne para o seu povo?

21Ouvindo isto, o Senhor ficou indignado;

acendeu-se fogo contra Jacó,

e também se levantou o seu furor contra Israel;

22porque não creram em Deus,

nem confiaram na sua salvação.

23Nada obstante, ordenou às alturas

e abriu as portas dos céus;

24fez chover maná sobre eles, para alimentá-los,

e lhes deu cereal do céu.

78.24
Jo 6.31

25Comeu cada qual o pão dos anjos;

enviou-lhes ele comida a fartar.

26Fez soprar no céu o vento do Oriente

e pelo seu poder conduziu o vento do Sul.

27Também fez chover sobre eles carne como poeira

e voláteis como areia dos mares.

28Fê-los cair no meio do arraial deles,

ao redor de suas tendas.

29Então, comeram e se fartaram a valer;

pois lhes fez o que desejavam.

30Porém não reprimiram o apetite.

Tinham ainda na boca o alimento,

31quando se elevou contra eles a ira de Deus,

e entre os seus mais robustos semeou a morte,

e prostrou os jovens de Israel.

32Sem embargo disso, continuaram a pecar

e não creram nas suas maravilhas.

33Por isso, ele fez que os seus dias se dissipassem num sopro

e os seus anos, em súbito terror.

34Quando os fazia morrer, então, o buscavam;

arrependidos, procuravam a Deus.

35Lembravam-se de que Deus era a sua rocha

e o Deus Altíssimo, o seu redentor.

36Lisonjeavam-no, porém de boca,

e com a língua lhe mentiam.

37Porque o coração deles não era firme

78.37
At 8.21
para com ele,

nem foram fiéis à sua aliança.

38Ele, porém, que é misericordioso,

perdoa a iniquidade e não destrói;

antes, muitas vezes desvia a sua ira

e não dá largas a toda a sua indignação.

39Lembra-se de que eles são carne,

vento que passa e já não volta.

40Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto

e na solidão o provocaram!

41Tornaram a tentar a Deus,

agravaram o Santo de Israel.

42Não se lembraram do poder dele,

nem do dia em que os resgatou do adversário;

43de como no Egito operou ele os seus sinais

e os seus prodígios, no campo de Zoã;

44e converteu em sangue os rios deles,

78.44
Êx 7.17-21

para que das suas correntes não bebessem.

45Enviou contra eles enxames de moscas

78.45
Êx 8.20-24
que os devorassem

e rãs

78.45
Êx 8.1-6
que os destruíssem.

46Entregou às larvas as suas colheitas

78.46
Êx 10.12-15

e aos gafanhotos, o fruto do seu trabalho.

47Com chuvas de pedra lhes destruiu as vinhas

e os seus sicômoros, com geada.

48Entregou à saraiva o gado deles

e aos raios, os seus rebanhos.

78.47-48
Êx 9.22-25

49Lançou contra eles o furor da sua ira:

cólera, indignação e calamidade,

legião de anjos portadores de males.

50Deu livre curso à sua ira;

não poupou da morte a alma deles,

mas entregou-lhes a vida à pestilência.

51Feriu todos os primogênitos

78.51
Êx 12.29
no Egito,

as primícias da virilidade nas tendas de Cam.

52Fez sair o seu povo como ovelhas

e o guiou

78.52
Êx 13.17-22
pelo deserto, como um rebanho.

53Dirigiu-o com segurança, e não temeram,

ao passo que o mar submergiu os seus inimigos.

78.53
Êx 14.26-28

54Levou-os até à sua terra santa,

78.54
Êx 15.17
Js 3.14-17

até ao monte que a sua destra adquiriu.

55Da presença deles expulsou as nações,

78.55
Js 11.16-23

cuja região repartiu com eles por herança;

e nas suas tendas fez habitar as tribos de Israel.

56Ainda assim, tentaram o Deus Altíssimo, e a ele resistiram,

78.56
Jz 2.11-15

e não lhe guardaram os testemunhos.

57Tornaram atrás e se portaram aleivosamente como seus pais;

desviaram-se como um arco enganoso.

58Pois o provocaram com os seus altos

e o incitaram a zelos com as suas imagens de escultura.

59Deus ouviu isso, e se indignou,

e sobremodo se aborreceu de Israel.

60Por isso, abandonou o tabernáculo de Siló,

78.60
Js 18.1
Jr 7.12-14
26.6

a tenda de sua morada entre os homens,

61e passou a arca da sua força ao cativeiro,

78.61
1Sm 4.4-22

e a sua glória, à mão do adversário.

62Entregou o seu povo à espada

e se encolerizou contra a sua própria herança.

63O fogo devorou os jovens deles,

e as suas donzelas não tiveram canto nupcial.

64Os seus sacerdotes caíram à espada,

e as suas viúvas não fizeram lamentações.

65Então, o Senhor despertou como de um sono,

como um valente que grita excitado pelo vinho;

66fez recuar a golpes os seus adversários

e lhes cominou perpétuo desprezo.

67Além disso, rejeitou a tenda de José

e não elegeu a tribo de Efraim.

68Escolheu, antes, a tribo de Judá,

o monte Sião, que ele amava.

69E construiu o seu santuário

78.69
1Rs 6.1
2Cr 3.1
durável como os céus

e firme como a terra que fundou para sempre.

70Também escolheu a Davi,

78.70
1Sm 16.11-12
2Sm 7.8
seu servo,

e o tomou dos redis das ovelhas;

71tirou-o do cuidado das ovelhas e suas crias,

para ser o pastor de Jacó, seu povo,

e de Israel, sua herança.

72E ele os apascentou consoante a integridade do seu coração

e os dirigiu com mãos precavidas.