Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
72

O rei justo e o seu reinado eterno

Salmo de Salomão

721Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos

e a tua justiça, ao filho do rei.

2Julgue ele com justiça o teu povo

e os teus aflitos, com equidade.

3Os montes trarão paz ao povo,

também as colinas a trarão, com justiça.

4Julgue ele os aflitos do povo,

salve os filhos dos necessitados

e esmague ao opressor.

5Ele permanecerá enquanto existir o sol

e enquanto durar a lua, através das gerações.

6Seja ele como chuva que desce sobre a campina ceifada,

como aguaceiros que regam a terra.

7Floresça em seus dias o justo,

e haja abundância de paz até que cesse de haver lua.

8Domine ele

72.8
Zc 9.10
de mar a mar

e desde o rio até aos confins da terra.

9Curvem-se diante dele os habitantes do deserto,

e os seus inimigos lambam o pó.

10Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas;

os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes.

11E todos os reis se prostrem perante ele;

todas as nações o sirvam.

12Porque ele acode ao necessitado que clama

e também ao aflito e ao desvalido.

13Ele tem piedade do fraco e do necessitado

e salva a alma aos indigentes.

14Redime a sua alma da opressão e da violência,

e precioso lhe é o sangue deles.

15Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá;

e continuamente se fará por ele oração,

e o bendirão todos os dias.

16Haja na terra abundância de cereais,

que ondulem até aos cimos dos montes;

seja a sua messe como o Líbano,

e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra.

17Subsista para sempre o seu nome

e prospere enquanto resplandecer o sol;

nele sejam abençoados todos os homens,

e as nações lhe chamem bem-aventurado.

18Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel,

que só ele opera prodígios.

19Bendito para sempre o seu glorioso nome,

e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém!

20Findam as orações de Davi, filho de Jessé.

73

Livro III

Salmos 73—89

O problema da prosperidade dos maus

Salmo de Asafe

731Com efeito, Deus é bom para com Israel,

para com os de coração limpo.

2Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés;

pouco faltou para que se desviassem os meus passos.

3Pois eu invejava os arrogantes,

ao ver a prosperidade dos perversos.

4Para eles não há preocupações,

o seu corpo é sadio e nédio.

5Não partilham das canseiras dos mortais,

nem são afligidos como os outros homens.

6Daí, a soberba que os cinge como um colar,

e a violência que os envolve como manto.

7Os olhos saltam-lhes da gordura;

do coração brotam-lhes fantasias.

8Motejam e falam maliciosamente;

da opressão falam com altivez.

9Contra os céus desandam a boca,

e a sua língua percorre a terra.

10Por isso, o seu povo se volta para eles

e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.

11E diz: Como sabe Deus?

Acaso, há conhecimento no Altíssimo?

12Eis que são estes os ímpios;

e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.

13Com efeito, inutilmente conservei puro o coração

e lavei as mãos na inocência.

14Pois de contínuo sou afligido

e cada manhã, castigado.

15Se eu pensara em falar tais palavras,

já aí teria traído a geração de teus filhos.

16Em só refletir para compreender isso,

achei mui pesada tarefa para mim;

17até que entrei no santuário de Deus

e atinei com o fim deles.

18Tu certamente os pões em lugares escorregadios

e os fazes cair na destruição.

19Como ficam de súbito assolados,

totalmente aniquilados de terror!

20Como ao sonho, quando se acorda,

assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles.

21Quando o coração se me amargou

e as entranhas se me comoveram,

22eu estava embrutecido e ignorante;

era como um irracional à tua presença.

23Todavia, estou sempre contigo,

tu me seguras pela minha mão direita.

24Tu me guias com o teu conselho

e depois me recebes na glória.

25Quem mais tenho eu no céu?

Não há outro em quem eu me compraza na terra.

26Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,

Deus é a fortaleza do meu coração

e a minha herança para sempre.

27Os que se afastam de ti, eis que perecem;

tu destróis todos os que são infiéis para contigo.

28Quanto a mim, bom é estar junto a Deus;

no Senhor Deus ponho o meu refúgio,

para proclamar todos os seus feitos.

74

Lamento por causa da profanação

Salmo didático de Asafe

741Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre?

Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?

2Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade,

que remiste para ser a tribo da tua herança;

lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado.

3Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas,

tudo quanto de mau tem feito o inimigo no santuário.

4Os teus adversários bramam no lugar das assembleias

e alteiam os seus próprios símbolos.

5Parecem-se com os que brandem machado no espesso da floresta,

6e agora a todos esses lavores de entalhe

quebram também, com machados e martelos.

7Deitam fogo ao teu santuário;

profanam, arrasando-a até ao chão, a morada do teu nome.

8Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez.

Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra.

9Já não vemos os nossos símbolos;

já não há profeta;

nem, entre nós, quem saiba até quando.

10Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará?

Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome?

11Por que retrais a mão, sim, a tua destra,

e a conservas no teu seio?

12Ora, Deus, meu Rei, é desde a antiguidade;

ele é quem opera feitos salvadores no meio da terra.

13Tu, com o teu poder, dividiste o mar;

74.13
Êx 14.21

esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos.

14Tu espedaçaste as cabeças do crocodilo

74.14
Jó 41.1
Sl 104.26
Is 27.1

e o deste por alimento às alimárias do deserto.

15Tu abriste fontes e ribeiros;

secaste rios caudalosos.

16Teu é o dia; tua, também, a noite;

a luz e o sol, tu os formaste.

17Fixaste os confins da terra;

verão e inverno, tu os fizeste.

18Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao Senhor,

e um povo insensato tem blasfemado o teu nome.

19Não entregues à rapina a vida de tua rola,

nem te esqueças perpetuamente da vida dos teus aflitos.

20Considera a tua aliança,

pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de violência.

21Não fique envergonhado o oprimido;

louvem o teu nome o aflito e o necessitado.

22Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;

lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.

23Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos,

do sempre crescente tumulto dos teus adversários.

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