Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
71

Súplicas de um ancião

711Em ti, Senhor, me refugio;

não seja eu jamais envergonhado.

2Livra-me por tua justiça e resgata-me;

inclina-me os ouvidos e salva-me.

3Sê tu para mim uma rocha habitável em que sempre me acolha;

ordenaste que eu me salve,

pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.

4Livra-me, Deus meu, das mãos do ímpio,

das garras do homem injusto e cruel.

5Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus,

a minha confiança desde a minha mocidade.

6Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento;

do ventre materno tu me tiraste,

tu és motivo para os meus louvores constantemente.

7Para muitos sou como um portento,

mas tu és o meu forte refúgio.

8Os meus lábios estão cheios do teu louvor

e da tua glória continuamente.

9Não me rejeites na minha velhice;

quando me faltarem as forças, não me desampares.

10Pois falam contra mim os meus inimigos;

e os que me espreitam a alma consultam reunidos,

11dizendo: Deus o desamparou;

persegui-o e prendei-o,

pois não há quem o livre.

12Não te ausentes de mim, ó Deus;

Deus meu, apressa-te em socorrer-me.

13Sejam envergonhados e consumidos

os que são adversários de minha alma;

cubram-se de opróbrio e de vexame

os que procuram o mal contra mim.

14Quanto a mim, esperarei sempre

e te louvarei mais e mais.

15A minha boca relatará a tua justiça

e de contínuo os feitos da tua salvação,

ainda que eu não saiba o seu número.

16Sinto-me na força do Senhor Deus;

e rememoro a tua justiça, a tua somente.

17Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade;

e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas.

18Não me desampares, pois, ó Deus,

até à minha velhice e às cãs;

até que eu tenha declarado à presente geração a tua força

e às vindouras o teu poder.

19Ora, a tua justiça, ó Deus, se eleva até aos céus.

Grandes coisas tens feito, ó Deus;

quem é semelhante a ti?

20Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males,

me restaurarás ainda a vida

e de novo me tirarás dos abismos da terra.

21Aumenta a minha grandeza,

conforta-me novamente.

22Eu também te louvo com a lira,

celebro a tua verdade, ó meu Deus;

cantar-te-ei salmos na harpa,

ó Santo de Israel.

23Os meus lábios exultarão

quando eu te salmodiar;

também exultará a minha alma, que remiste.

24Igualmente a minha língua celebrará a tua justiça todo o dia;

pois estão envergonhados e confundidos

os que procuram o mal contra mim.

72

O rei justo e o seu reinado eterno

Salmo de Salomão

721Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos

e a tua justiça, ao filho do rei.

2Julgue ele com justiça o teu povo

e os teus aflitos, com equidade.

3Os montes trarão paz ao povo,

também as colinas a trarão, com justiça.

4Julgue ele os aflitos do povo,

salve os filhos dos necessitados

e esmague ao opressor.

5Ele permanecerá enquanto existir o sol

e enquanto durar a lua, através das gerações.

6Seja ele como chuva que desce sobre a campina ceifada,

como aguaceiros que regam a terra.

7Floresça em seus dias o justo,

e haja abundância de paz até que cesse de haver lua.

8Domine ele

72.8
Zc 9.10
de mar a mar

e desde o rio até aos confins da terra.

9Curvem-se diante dele os habitantes do deserto,

e os seus inimigos lambam o pó.

10Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas;

os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes.

11E todos os reis se prostrem perante ele;

todas as nações o sirvam.

12Porque ele acode ao necessitado que clama

e também ao aflito e ao desvalido.

13Ele tem piedade do fraco e do necessitado

e salva a alma aos indigentes.

14Redime a sua alma da opressão e da violência,

e precioso lhe é o sangue deles.

15Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá;

e continuamente se fará por ele oração,

e o bendirão todos os dias.

16Haja na terra abundância de cereais,

que ondulem até aos cimos dos montes;

seja a sua messe como o Líbano,

e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra.

17Subsista para sempre o seu nome

e prospere enquanto resplandecer o sol;

nele sejam abençoados todos os homens,

e as nações lhe chamem bem-aventurado.

18Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel,

que só ele opera prodígios.

19Bendito para sempre o seu glorioso nome,

e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém!

20Findam as orações de Davi, filho de Jessé.

73

Livro III

Salmos 73—89

O problema da prosperidade dos maus

Salmo de Asafe

731Com efeito, Deus é bom para com Israel,

para com os de coração limpo.

2Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés;

pouco faltou para que se desviassem os meus passos.

3Pois eu invejava os arrogantes,

ao ver a prosperidade dos perversos.

4Para eles não há preocupações,

o seu corpo é sadio e nédio.

5Não partilham das canseiras dos mortais,

nem são afligidos como os outros homens.

6Daí, a soberba que os cinge como um colar,

e a violência que os envolve como manto.

7Os olhos saltam-lhes da gordura;

do coração brotam-lhes fantasias.

8Motejam e falam maliciosamente;

da opressão falam com altivez.

9Contra os céus desandam a boca,

e a sua língua percorre a terra.

10Por isso, o seu povo se volta para eles

e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.

11E diz: Como sabe Deus?

Acaso, há conhecimento no Altíssimo?

12Eis que são estes os ímpios;

e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.

13Com efeito, inutilmente conservei puro o coração

e lavei as mãos na inocência.

14Pois de contínuo sou afligido

e cada manhã, castigado.

15Se eu pensara em falar tais palavras,

já aí teria traído a geração de teus filhos.

16Em só refletir para compreender isso,

achei mui pesada tarefa para mim;

17até que entrei no santuário de Deus

e atinei com o fim deles.

18Tu certamente os pões em lugares escorregadios

e os fazes cair na destruição.

19Como ficam de súbito assolados,

totalmente aniquilados de terror!

20Como ao sonho, quando se acorda,

assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles.

21Quando o coração se me amargou

e as entranhas se me comoveram,

22eu estava embrutecido e ignorante;

era como um irracional à tua presença.

23Todavia, estou sempre contigo,

tu me seguras pela minha mão direita.

24Tu me guias com o teu conselho

e depois me recebes na glória.

25Quem mais tenho eu no céu?

Não há outro em quem eu me compraza na terra.

26Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,

Deus é a fortaleza do meu coração

e a minha herança para sempre.

27Os que se afastam de ti, eis que perecem;

tu destróis todos os que são infiéis para contigo.

28Quanto a mim, bom é estar junto a Deus;

no Senhor Deus ponho o meu refúgio,

para proclamar todos os seus feitos.