Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
55

Que os traidores sejam destruídos

Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas. Salmo didático de Davi

551Dá ouvidos, ó Deus, à minha oração;

não te escondas da minha súplica.

2Atende-me e responde-me;

sinto-me perplexo em minha queixa e ando perturbado,

3por causa do clamor do inimigo e da opressão do ímpio;

pois sobre mim lançam calamidade

e furiosamente me hostilizam.

4Estremece-me no peito o coração,

terrores de morte me salteiam;

5temor e tremor me sobrevêm,

e o horror se apodera de mim.

6Então, disse eu: quem me dera asas como de pomba!

Voaria e acharia pouso.

7Eis que fugiria para longe

e ficaria no deserto.

8Dar-me-ia pressa em abrigar-me

do vendaval e da procela.

9Destrói, Senhor, e confunde os seus conselhos,

porque vejo violência e contenda na cidade.

10Dia e noite giram nas suas muralhas,

e, muros a dentro, campeia a perversidade e a malícia;

11há destruição no meio dela;

das suas praças não se apartam a opressão e o engano.

12Com efeito, não é inimigo que me afronta;

se o fosse, eu o suportaria;

nem é o que me odeia quem se exalta contra mim,

pois dele eu me esconderia;

13mas és tu, homem meu igual,

meu companheiro e meu íntimo amigo.

14Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos

e íamos com a multidão à Casa de Deus.

15A morte os assalte, e vivos desçam à cova!

Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo.

16Eu, porém, invocarei a Deus,

e o Senhor me salvará.

17À tarde, pela manhã e ao meio-dia,

farei as minhas queixas e lamentarei;

e ele ouvirá a minha voz.

18Livra-me a alma, em paz, dos que me perseguem;

pois são muitos contra mim.

19Deus ouvirá e lhes responderá,

ele, que preside desde a eternidade,

porque não há neles mudança nenhuma,

e não temem a Deus.

20Tal homem estendeu as mãos contra os que tinham paz com ele;

corrompeu a sua aliança.

21A sua boca era mais macia que a manteiga,

porém no coração havia guerra;

as suas palavras eram mais brandas que o azeite;

contudo, eram espadas desembainhadas.

22Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá;

jamais permitirá que o justo seja abalado.

23Tu, porém, ó Deus, os precipitarás à cova profunda;

homens sanguinários e fraudulentos

não chegarão à metade dos seus dias;

eu, todavia, confiarei em ti.

56

Conforto na perseguição

Ao mestre de canto. Segundo a melodia “A pomba nos terebintos distantes”. Hino de Davi, quando os filisteus o prenderam em Gate

56, título
1Sm 21.13-15

561Tem misericórdia de mim, ó Deus,

porque o homem procura ferir-me;

e me oprime pelejando todo o dia.

2Os que me espreitam continuamente querem ferir-me;

e são muitos os que atrevidamente me combatem.

3Em me vindo o temor,

hei de confiar em ti.

4Em Deus, cuja palavra eu exalto,

neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei.

Que me pode fazer um mortal?

5Todo o dia torcem as minhas palavras;

os seus pensamentos são todos contra mim para o mal.

6Ajuntam-se, escondem-se, espionam os meus passos,

como aguardando a hora de me darem cabo da vida.

7Dá-lhes a retribuição segundo a sua iniquidade.

Derriba os povos, ó Deus, na tua ira!

8Contaste os meus passos quando sofri perseguições;

recolheste as minhas lágrimas no teu odre;

não estão elas inscritas no teu livro?

9No dia em que eu te invocar,

baterão em retirada os meus inimigos;

bem sei isto: que Deus é por mim.

10Em Deus, cuja palavra eu louvo,

no Senhor, cuja palavra eu louvo,

11neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei.

Que me pode fazer o homem?

12Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus;

render-te-ei ações de graças.

13Pois da morte me livraste a alma,

sim, livraste da queda os meus pés,

para que eu ande na presença de Deus,

na luz da vida.

57

Louvor pela benignidade divina

Vs. 7-11: Sl 108.1-5

Ao mestre de canto, segundo a melodia “Não destruas”. Hino de Davi, quando fugia de Saul, na caverna

57, título
1Sm 24.3

571Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia,

pois em ti a minha alma se refugia;

à sombra das tuas asas me abrigo,

até que passem as calamidades.

2Clamarei ao Deus Altíssimo,

ao Deus que por mim tudo executa.

3Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra;

cobre de vergonha os que me ferem.

Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade.

4Acha-se a minha alma entre leões,

ávidos de devorar os filhos dos homens;

lanças e flechas são os seus dentes,

espada afiada, a sua língua.

5Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus;

e em toda a terra esplenda a tua glória.

6Armaram rede aos meus passos,

a minha alma está abatida;

abriram cova diante de mim,

mas eles mesmos caíram nela.

7Firme está o meu coração, ó Deus,

o meu coração está firme;

cantarei e entoarei louvores.

8Desperta, ó minha alma!

Despertai, lira e harpa!

Quero acordar a alva.

9Render-te-ei graças entre os povos;

cantar-te-ei louvores entre as nações.

10Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus,

e a tua fidelidade, até às nuvens.

11Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus;

e em toda a terra esplenda a tua glória.

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