Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
42

Livro II

Salmos 42—72

A alma anela por Deus

Ao mestre de canto. Salmo didático dos filhos de Corá

421Como suspira a corça

pelas correntes das águas,

assim, por ti, ó Deus,

suspira a minha alma.

2A minha alma tem sede de Deus,

do Deus vivo;

quando irei e me verei

perante a face de Deus?

3As minhas lágrimas têm sido o meu alimento

dia e noite,

enquanto me dizem continuamente:

O teu Deus, onde está?

4Lembro-me destas coisas —

e dentro de mim se me derrama a alma —,

de como passava eu com a multidão de povo

e os guiava em procissão à Casa de Deus,

entre gritos de alegria e louvor,

multidão em festa.

5Por que estás abatida, ó minha alma?

Por que te perturbas dentro de mim?

Espera em Deus, pois ainda o louvarei,

a ele, meu auxílio e Deus meu.

6Sinto abatida dentro de mim a minha alma;

lembro-me, portanto, de ti,

nas terras do Jordão, e no monte Hermom,

e no outeiro de Mizar.

7Um abismo chama outro abismo,

ao fragor das tuas catadupas;

todas as tuas ondas e vagas

passaram sobre mim.

8Contudo, o Senhor, durante o dia, me concede a sua misericórdia,

e à noite comigo está o seu cântico,

uma oração ao Deus da minha vida.

9Digo a Deus, minha rocha:

por que te olvidaste de mim?

Por que hei de andar eu lamentando

sob a opressão dos meus inimigos?

10Esmigalham-se-me os ossos,

quando os meus adversários me insultam,

dizendo e dizendo:

O teu Deus, onde está?

11Por que estás abatida, ó minha alma?

Por que te perturbas dentro de mim?

Espera em Deus, pois ainda o louvarei,

a ele, meu auxílio e Deus meu.

43

Desejos pelo santuário

431Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa

contra a nação contenciosa;

livra-me do homem fraudulento e injusto.

2Pois tu és o Deus da minha fortaleza.

Por que me rejeitas?

Por que hei de andar eu lamentando

sob a opressão dos meus inimigos?

3Envia a tua luz e a tua verdade,

para que me guiem

e me levem ao teu santo monte

e aos teus tabernáculos.

4Então, irei ao altar de Deus,

de Deus, que é a minha grande alegria;

ao som da harpa eu te louvarei,

ó Deus, Deus meu.

5Por que estás abatida, ó minha alma?

Por que te perturbas dentro de mim?

Espera em Deus, pois ainda o louvarei,

a ele, meu auxílio e Deus meu.

44

Apelo por auxílio divino

Ao mestre de canto. Dos filhos de Corá. Salmo didático

441Ouvimos, ó Deus, com os próprios ouvidos;

nossos pais nos têm contado

o que outrora fizeste, em seus dias.

2Como por tuas próprias mãos desapossaste as nações

e os estabeleceste;

oprimiste os povos

e aos pais deste largueza.

3Pois não foi por sua espada que possuíram a terra,

nem foi o seu braço que lhes deu vitória,

e sim a tua destra, e o teu braço,

e o fulgor do teu rosto,

porque te agradaste deles.

4Tu és o meu rei, ó Deus;

ordena a vitória de Jacó.

5Com o teu auxílio, vencemos os nossos inimigos;

em teu nome, calcamos aos pés os que se levantam contra nós.

6Não confio no meu arco,

e não é a minha espada que me salva.

7Pois tu nos salvaste dos nossos inimigos

e cobriste de vergonha os que nos odeiam.

8Em Deus, nos temos gloriado continuamente

e para sempre louvaremos o teu nome.

9Agora, porém, tu nos lançaste fora, e nos expuseste à vergonha,

e já não sais com os nossos exércitos.

10Tu nos fazes bater em retirada à vista dos nossos inimigos,

e os que nos odeiam nos tomam por seu despojo.

11Entregaste-nos como ovelhas para o corte

e nos espalhaste entre as nações.

12Vendes por um nada o teu povo

e nada lucras com o seu preço.

13Tu nos fazes opróbrio dos nossos vizinhos,

escárnio e zombaria aos que nos rodeiam.

14Pões-nos por ditado entre as nações,

alvo de meneios de cabeça entre os povos.

15A minha ignomínia está sempre diante de mim;

cobre-se de vergonha o meu rosto,

16ante os gritos do que afronta e blasfema,

à vista do inimigo e do vingador.

17Tudo isso nos sobreveio;

entretanto, não nos esquecemos de ti,

nem fomos infiéis à tua aliança.

18Não tornou atrás o nosso coração,

nem se desviaram os nossos passos dos teus caminhos,

19para nos esmagares onde vivem os chacais

e nos envolveres com as sombras da morte.

20Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus

ou tivéssemos estendido as mãos a deus estranho,

21porventura, não o teria atinado Deus,

ele, que conhece os segredos dos corações?

22Mas, por amor de ti,

44.22
Rm 8.36
somos entregues à morte continuamente,

somos considerados como ovelhas para o matadouro.

23Desperta! Por que dormes, Senhor?

Desperta! Não nos rejeites para sempre!

24Por que escondes a face

e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?

25Pois a nossa alma está abatida até ao pó,

e o nosso corpo, como que pegado no chão.

26Levanta-te para socorrer-nos

e resgata-nos por amor da tua benignidade.