Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
39

A vaidade da vida

Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Davi

391Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos,

para não pecar com a língua;

porei mordaça à minha boca,

enquanto estiver na minha presença o ímpio.

2Emudeci em silêncio,

calei acerca do bem,

e a minha dor se agravou.

3Esbraseou-se-me no peito o coração;

enquanto eu meditava, ateou-se o fogo;

então, disse eu com a própria língua:

4Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim

e qual a soma dos meus dias,

para que eu reconheça a minha fragilidade.

5Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos;

à tua presença, o prazo da minha vida é nada.

Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.

6Com efeito, passa o homem como uma sombra;

em vão se inquieta;

amontoa tesouros e não sabe quem os levará.

7E eu, Senhor, que espero?

Tu és a minha esperança.

8Livra-me de todas as minhas iniquidades;

não me faças o opróbrio do insensato.

9Emudeço, não abro os lábios

porque tu fizeste isso.

10Tira de sobre mim o teu flagelo;

pelo golpe de tua mão, estou consumido.

11Quando castigas o homem com repreensões,

por causa da iniquidade,

destróis nele, como traça, o que tem de precioso.

Com efeito, todo homem é pura vaidade.

12Ouve, Senhor, a minha oração,

escuta-me quando grito por socorro;

não te emudeças à vista de minhas lágrimas,

porque sou forasteiro à tua presença,

peregrino como todos os meus pais o foram.

13Desvia de mim o olhar, para que eu tome alento,

antes que eu passe e deixe de existir.

40

Oração para livramento

Vs. 13-17: Sl 70.1-5

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

401Esperei confiantemente pelo Senhor;

ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.

2Tirou-me de um poço de perdição,

de um tremedal de lama;

colocou-me os pés sobre uma rocha

e me firmou os passos.

3E me pôs nos lábios um novo cântico,

um hino de louvor ao nosso Deus;

muitos verão essas coisas, temerão

e confiarão no Senhor.

4Bem-aventurado o homem

que põe no Senhor a sua confiança

e não pende para os arrogantes,

nem para os afeiçoados à mentira.

5São muitas, Senhor, Deus meu,

as maravilhas que tens operado

e também os teus desígnios para conosco;

ninguém há que se possa igualar contigo.

Eu quisera anunciá-los e deles falar,

mas são mais do que se pode contar.

6Sacrifícios e ofertas não quiseste;

abriste os meus ouvidos;

holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres.

7Então, eu disse: eis aqui estou,

no rolo do livro está escrito a meu respeito;

8agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu;

dentro do meu coração, está a tua lei.

40.6-8
Hb 10.5-7

9Proclamei as boas-novas de justiça

na grande congregação;

jamais cerrei os lábios,

tu o sabes, Senhor.

10Não ocultei no coração a tua justiça;

proclamei a tua fidelidade e a tua salvação;

não escondi da grande congregação

a tua graça e a tua verdade.

11Não retenhas de mim, Senhor, as tuas misericórdias;

guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade.

12Não têm conta os males que me cercam;

as minhas iniquidades me alcançaram,

tantas, que me impedem a vista;

são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça,

e o coração me desfalece.

13Praza-te, Senhor, em livrar-me;

dá-te pressa, ó Senhor, em socorrer-me.

14Sejam à uma envergonhados e cobertos de vexame

os que me demandam a vida;

tornem atrás e cubram-se de ignomínia

os que se comprazem no meu mal.

15Sofram perturbação por causa da sua ignomínia

os que dizem: Bem feito! Bem feito!

16Folguem e em ti se rejubilem

todos os que te buscam;

os que amam a tua salvação

digam sempre: O Senhor seja magnificado!

17Eu sou pobre e necessitado,

porém o Senhor cuida de mim;

tu és o meu amparo e o meu libertador;

não te detenhas, ó Deus meu!

41

A calúnia dos inimigos e o socorro de Deus

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

411Bem-aventurado o que acode ao necessitado;

o Senhor o livra no dia do mal.

2O Senhor o protege, preserva-lhe a vida

e o faz feliz na terra;

não o entrega à discrição dos seus inimigos.

3O Senhor o assiste no leito da enfermidade;

na doença, tu lhe afofas a cama.

4Disse eu: compadece-te de mim, Senhor;

sara a minha alma, porque pequei contra ti.

5Os meus inimigos falam mal de mim:

Quando morrerá e lhe perecerá o nome?

6Se algum deles me vem visitar, diz coisas vãs,

amontoando no coração malícias;

em saindo, é disso que fala.

7De mim rosnam à uma todos os que me odeiam;

engendram males contra mim, dizendo:

8Peste maligna deu nele, e: Caiu de cama,

já não há de levantar-se.

9Até o meu amigo íntimo,

41.9
Mt 26.24
Mc 14.21
Lc 22.22
Jo 13.18
17.12
em quem eu confiava,

que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar.

10Tu, porém, Senhor, compadece-te de mim

e levanta-me, para que eu lhes pague segundo merecem.

11Com isto conheço que tu te agradas de mim:

em não triunfar contra mim o meu inimigo.

12Quanto a mim, tu me susténs na minha integridade

e me pões à tua presença para sempre.

13Bendito seja o Senhor,

41.13
Sl 106.48
Deus de Israel,

da eternidade para a eternidade!

Amém e amém!