Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
38

Arrependimento do pecador

Salmo de Davi. Em memória

381Não me repreendas, Senhor, na tua ira,

nem me castigues no teu furor.

2Cravam-se em mim as tuas setas,

e a tua mão recai sobre mim.

3Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação;

não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado.

4Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades;

como fardos pesados, excedem as minhas forças.

5Tornam-se infectas e purulentas as minhas chagas,

por causa da minha loucura.

6Sinto-me encurvado e sobremodo abatido,

ando de luto o dia todo.

7Ardem-me os lombos,

e não há parte sã na minha carne.

8Estou aflito e mui quebrantado;

dou gemidos por efeito do desassossego do meu coração.

9Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos,

e a minha ansiedade não te é oculta.

10Bate-me excitado o coração, faltam-me as forças,

e a luz dos meus olhos, essa mesma já não está comigo.

11Os meus amigos e companheiros afastam-se da minha praga,

e os meus parentes ficam de longe.

12Armam ciladas contra mim os que tramam tirar-me a vida;

os que me procuram fazer o mal dizem coisas perniciosas

e imaginam engano todo o dia.

13Mas eu, como surdo, não ouço

e, qual mudo, não abro a boca.

14Sou, com efeito, como quem não ouve

e em cujos lábios não há réplica.

15Pois em ti, Senhor, espero;

tu me atenderás, Senhor, Deus meu.

16Porque eu dizia: Não suceda que se alegrem de mim

e contra mim se engrandeçam quando me resvala o pé.

17Pois estou prestes a tropeçar;

a minha dor está sempre perante mim.

18Confesso a minha iniquidade;

suporto tristeza por causa do meu pecado.

19Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes,

e são muitos os que sem causa me odeiam.

20Da mesma sorte, os que pagam o mal pelo bem

são meus adversários, porque eu sigo o que é bom.

21Não me desampares, Senhor;

Deus meu, não te ausentes de mim.

22Apressa-te em socorrer-me,

Senhor, salvação minha.

39

A vaidade da vida

Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Davi

391Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos,

para não pecar com a língua;

porei mordaça à minha boca,

enquanto estiver na minha presença o ímpio.

2Emudeci em silêncio,

calei acerca do bem,

e a minha dor se agravou.

3Esbraseou-se-me no peito o coração;

enquanto eu meditava, ateou-se o fogo;

então, disse eu com a própria língua:

4Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim

e qual a soma dos meus dias,

para que eu reconheça a minha fragilidade.

5Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos;

à tua presença, o prazo da minha vida é nada.

Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.

6Com efeito, passa o homem como uma sombra;

em vão se inquieta;

amontoa tesouros e não sabe quem os levará.

7E eu, Senhor, que espero?

Tu és a minha esperança.

8Livra-me de todas as minhas iniquidades;

não me faças o opróbrio do insensato.

9Emudeço, não abro os lábios

porque tu fizeste isso.

10Tira de sobre mim o teu flagelo;

pelo golpe de tua mão, estou consumido.

11Quando castigas o homem com repreensões,

por causa da iniquidade,

destróis nele, como traça, o que tem de precioso.

Com efeito, todo homem é pura vaidade.

12Ouve, Senhor, a minha oração,

escuta-me quando grito por socorro;

não te emudeças à vista de minhas lágrimas,

porque sou forasteiro à tua presença,

peregrino como todos os meus pais o foram.

13Desvia de mim o olhar, para que eu tome alento,

antes que eu passe e deixe de existir.

40

Oração para livramento

Vs. 13-17: Sl 70.1-5

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

401Esperei confiantemente pelo Senhor;

ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.

2Tirou-me de um poço de perdição,

de um tremedal de lama;

colocou-me os pés sobre uma rocha

e me firmou os passos.

3E me pôs nos lábios um novo cântico,

um hino de louvor ao nosso Deus;

muitos verão essas coisas, temerão

e confiarão no Senhor.

4Bem-aventurado o homem

que põe no Senhor a sua confiança

e não pende para os arrogantes,

nem para os afeiçoados à mentira.

5São muitas, Senhor, Deus meu,

as maravilhas que tens operado

e também os teus desígnios para conosco;

ninguém há que se possa igualar contigo.

Eu quisera anunciá-los e deles falar,

mas são mais do que se pode contar.

6Sacrifícios e ofertas não quiseste;

abriste os meus ouvidos;

holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres.

7Então, eu disse: eis aqui estou,

no rolo do livro está escrito a meu respeito;

8agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu;

dentro do meu coração, está a tua lei.

40.6-8
Hb 10.5-7

9Proclamei as boas-novas de justiça

na grande congregação;

jamais cerrei os lábios,

tu o sabes, Senhor.

10Não ocultei no coração a tua justiça;

proclamei a tua fidelidade e a tua salvação;

não escondi da grande congregação

a tua graça e a tua verdade.

11Não retenhas de mim, Senhor, as tuas misericórdias;

guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade.

12Não têm conta os males que me cercam;

as minhas iniquidades me alcançaram,

tantas, que me impedem a vista;

são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça,

e o coração me desfalece.

13Praza-te, Senhor, em livrar-me;

dá-te pressa, ó Senhor, em socorrer-me.

14Sejam à uma envergonhados e cobertos de vexame

os que me demandam a vida;

tornem atrás e cubram-se de ignomínia

os que se comprazem no meu mal.

15Sofram perturbação por causa da sua ignomínia

os que dizem: Bem feito! Bem feito!

16Folguem e em ti se rejubilem

todos os que te buscam;

os que amam a tua salvação

digam sempre: O Senhor seja magnificado!

17Eu sou pobre e necessitado,

porém o Senhor cuida de mim;

tu és o meu amparo e o meu libertador;

não te detenhas, ó Deus meu!