Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
37

Temporária, a felicidade dos perversos

Salmo de Davi

371Não te indignes por causa dos malfeitores,

nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade.

2Pois eles dentro em breve definharão como a relva

e murcharão como a erva verde.

3Confia no Senhor e faze o bem;

habita na terra e alimenta-te da verdade.

4Agrada-te do Senhor,

e ele satisfará os desejos do teu coração.

5Entrega o teu caminho ao Senhor,

confia nele, e o mais ele fará.

6Fará sobressair a tua justiça como a luz

e o teu direito, como o sol ao meio-dia.

7Descansa no Senhor e espera nele,

não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho,

por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.

8Deixa a ira, abandona o furor;

não te impacientes; certamente, isso acabará mal.

9Porque os malfeitores serão exterminados,

mas os que esperam no Senhor possuirão a terra.

10Mais um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio;

procurarás o seu lugar e não o acharás.

11Mas os mansos

37.11
Mt 5.5
herdarão a terra

e se deleitarão na abundância de paz.

12Trama o ímpio contra o justo

e contra ele ringe os dentes.

13Rir-se-á dele o Senhor,

pois vê estar-se aproximando o seu dia.

14Os ímpios arrancam da espada e distendem o arco

para abater o pobre e necessitado,

para matar os que trilham o reto caminho.

15A sua espada, porém, lhes traspassará o próprio coração,

e os seus arcos serão espedaçados.

16Mais vale o pouco do justo

que a abundância de muitos ímpios.

17Pois os braços dos ímpios serão quebrados,

mas os justos, o Senhor os sustém.

18O Senhor conhece os dias dos íntegros;

a herança deles permanecerá para sempre.

19Não serão envergonhados nos dias do mal

e nos dias da fome se fartarão.

20Os ímpios, no entanto, perecerão,

e os inimigos do Senhor serão como o viço das pastagens;

serão aniquilados e se desfarão em fumaça.

21O ímpio pede emprestado e não paga;

o justo, porém, se compadece e dá.

22Aqueles a quem o Senhor abençoa possuirão a terra;

e serão exterminados aqueles a quem amaldiçoa.

23O Senhor firma os passos do homem bom

e no seu caminho se compraz;

24se cair, não ficará prostrado,

porque o Senhor o segura pela mão.

25Fui moço e já, agora, sou velho,

porém jamais vi o justo desamparado,

nem a sua descendência a mendigar o pão.

26É sempre compassivo e empresta,

e a sua descendência será uma bênção.

27Aparta-te do mal e faze o bem,

e será perpétua a tua morada.

28Pois o Senhor ama a justiça

e não desampara os seus santos;

serão preservados para sempre,

mas a descendência dos ímpios será exterminada.

29Os justos herdarão a terra

e nela habitarão para sempre.

30A boca do justo profere a sabedoria,

e a sua língua fala o que é justo.

31No coração, tem ele a lei do seu Deus;

os seus passos não vacilarão.

32O perverso espreita ao justo

e procura tirar-lhe a vida.

33Mas o Senhor não o deixará nas suas mãos,

nem o condenará quando for julgado.

34Espera no Senhor, segue o seu caminho,

e ele te exaltará para possuíres a terra;

presenciarás isso quando os ímpios forem exterminados.

35Vi um ímpio prepotente

a expandir-se qual cedro do Líbano.

36Passei, e eis que desaparecera;

procurei-o, e já não foi encontrado.

37Observa o homem íntegro e atenta no que é reto;

porquanto o homem de paz terá posteridade.

38Quanto aos transgressores, serão, à uma, destruídos;

a descendência dos ímpios será exterminada.

39Vem do Senhor a salvação dos justos;

ele é a sua fortaleza no dia da tribulação.

40O Senhor os ajuda e os livra;

livra-os dos ímpios e os salva,

porque nele buscam refúgio.

38

Arrependimento do pecador

Salmo de Davi. Em memória

381Não me repreendas, Senhor, na tua ira,

nem me castigues no teu furor.

2Cravam-se em mim as tuas setas,

e a tua mão recai sobre mim.

3Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação;

não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado.

4Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades;

como fardos pesados, excedem as minhas forças.

5Tornam-se infectas e purulentas as minhas chagas,

por causa da minha loucura.

6Sinto-me encurvado e sobremodo abatido,

ando de luto o dia todo.

7Ardem-me os lombos,

e não há parte sã na minha carne.

8Estou aflito e mui quebrantado;

dou gemidos por efeito do desassossego do meu coração.

9Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos,

e a minha ansiedade não te é oculta.

10Bate-me excitado o coração, faltam-me as forças,

e a luz dos meus olhos, essa mesma já não está comigo.

11Os meus amigos e companheiros afastam-se da minha praga,

e os meus parentes ficam de longe.

12Armam ciladas contra mim os que tramam tirar-me a vida;

os que me procuram fazer o mal dizem coisas perniciosas

e imaginam engano todo o dia.

13Mas eu, como surdo, não ouço

e, qual mudo, não abro a boca.

14Sou, com efeito, como quem não ouve

e em cujos lábios não há réplica.

15Pois em ti, Senhor, espero;

tu me atenderás, Senhor, Deus meu.

16Porque eu dizia: Não suceda que se alegrem de mim

e contra mim se engrandeçam quando me resvala o pé.

17Pois estou prestes a tropeçar;

a minha dor está sempre perante mim.

18Confesso a minha iniquidade;

suporto tristeza por causa do meu pecado.

19Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes,

e são muitos os que sem causa me odeiam.

20Da mesma sorte, os que pagam o mal pelo bem

são meus adversários, porque eu sigo o que é bom.

21Não me desampares, Senhor;

Deus meu, não te ausentes de mim.

22Apressa-te em socorrer-me,

Senhor, salvação minha.

39

A vaidade da vida

Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Davi

391Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos,

para não pecar com a língua;

porei mordaça à minha boca,

enquanto estiver na minha presença o ímpio.

2Emudeci em silêncio,

calei acerca do bem,

e a minha dor se agravou.

3Esbraseou-se-me no peito o coração;

enquanto eu meditava, ateou-se o fogo;

então, disse eu com a própria língua:

4Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim

e qual a soma dos meus dias,

para que eu reconheça a minha fragilidade.

5Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos;

à tua presença, o prazo da minha vida é nada.

Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.

6Com efeito, passa o homem como uma sombra;

em vão se inquieta;

amontoa tesouros e não sabe quem os levará.

7E eu, Senhor, que espero?

Tu és a minha esperança.

8Livra-me de todas as minhas iniquidades;

não me faças o opróbrio do insensato.

9Emudeço, não abro os lábios

porque tu fizeste isso.

10Tira de sobre mim o teu flagelo;

pelo golpe de tua mão, estou consumido.

11Quando castigas o homem com repreensões,

por causa da iniquidade,

destróis nele, como traça, o que tem de precioso.

Com efeito, todo homem é pura vaidade.

12Ouve, Senhor, a minha oração,

escuta-me quando grito por socorro;

não te emudeças à vista de minhas lágrimas,

porque sou forasteiro à tua presença,

peregrino como todos os meus pais o foram.

13Desvia de mim o olhar, para que eu tome alento,

antes que eu passe e deixe de existir.

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