Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

Súplica pela proteção divina

Oração de Davi

171Ouve, Senhor, a causa justa, atende ao meu clamor,

dá ouvidos à minha oração, que procede de lábios não fraudulentos.

2Baixe de tua presença o julgamento a meu respeito;

os teus olhos veem com equidade.

3Sondas-me o coração, de noite me visitas,

provas-me no fogo e iniquidade nenhuma encontras em mim;

a minha boca não transgride.

4Quanto às ações dos homens, pela palavra dos teus lábios,

eu me tenho guardado dos caminhos do violento.

5Os meus passos se afizeram às tuas veredas,

os meus pés não resvalaram.

6Eu te invoco, ó Deus, pois tu me respondes;

inclina-me os ouvidos e acode às minhas palavras.

7Mostra as maravilhas da tua bondade,

ó Salvador dos que à tua destra buscam refúgio

dos que se levantam contra eles.

8Guarda-me como a menina dos olhos,

esconde-me à sombra das tuas asas,

9dos perversos que me oprimem,

inimigos que me assediam de morte.

10Insensíveis, cerram o coração,

falam com lábios insolentes;

11andam agora cercando os nossos passos

e fixam em nós os olhos para nos deitar por terra.

12Parecem-se com o leão, ávido por sua presa,

ou o leãozinho, que espreita de emboscada.

13Levanta-te, Senhor, defronta-os, arrasa-os;

livra do ímpio a minha alma com a tua espada,

14com a tua mão, Senhor, dos homens mundanos,

cujo quinhão é desta vida

e cujo ventre tu enches dos teus tesouros;

os quais se fartam de filhos

e o que lhes sobra deixam aos seus pequeninos.

15Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face;

quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança.

18

Vitória e domínio

2Sm 22.1-51

Ao mestre de canto. Salmo de Davi, servo do Senhor, o qual dirigiu ao Senhor as palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. Ele disse:

181Eu te amo, ó Senhor, força minha.

2O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador;

o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio;

o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte.

3Invoco o Senhor, digno de ser louvado,

e serei salvo dos meus inimigos.

4Laços de morte me cercaram,

torrentes de impiedade me impuseram terror.

5Cadeias infernais me cingiram,

e tramas de morte me surpreenderam.

6Na minha angústia, invoquei o Senhor,

gritei por socorro ao meu Deus.

Ele do seu templo ouviu a minha voz,

e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.

7Então, a terra se abalou e tremeu,

vacilaram também os fundamentos dos montes

e se estremeceram, porque ele se indignou.

8Das suas narinas subiu fumaça,

e fogo devorador, da sua boca;

dele saíram brasas ardentes.

9Baixou ele os céus, e desceu,

e teve sob os pés densa escuridão.

10Cavalgava um querubim e voou;

sim, levado velozmente nas asas do vento.

11Das trevas fez um manto em que se ocultou;

escuridade de águas e espessas nuvens dos céus eram o seu pavilhão.

12Do resplendor que diante dele havia,

as densas nuvens se desfizeram

em granizo e brasas chamejantes.

13Trovejou, então, o Senhor, nos céus;

o Altíssimo levantou a voz,

e houve granizo e brasas de fogo.

14Despediu as suas setas e espalhou os meus inimigos,

multiplicou os seus raios e os desbaratou.

15Então, se viu o leito das águas,

e se descobriram os fundamentos do mundo,

pela tua repreensão, Senhor,

pelo iroso resfolgar das tuas narinas.

16Do alto me estendeu ele a mão e me tomou;

tirou-me das muitas águas.

17Livrou-me de forte inimigo

e dos que me aborreciam,

pois eram mais poderosos do que eu.

18Assaltaram-me no dia da minha calamidade,

mas o Senhor me serviu de amparo.

19Trouxe-me para um lugar espaçoso;

livrou-me, porque ele se agradou de mim.

20Retribuiu-me o Senhor, segundo a minha justiça,

recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos.

21Pois tenho guardado os caminhos do Senhor

e não me apartei perversamente do meu Deus.

22Porque todos os seus juízos me estão presentes,

e não afastei de mim os seus preceitos.

23Também fui íntegro para com ele

e me guardei da iniquidade.

24Daí retribuir-me o Senhor, segundo a minha justiça,

conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença.

25Para com o benigno, benigno te mostras;

com o íntegro, também íntegro.

26Com o puro, puro te mostras;

com o perverso, inflexível.

27Porque tu salvas o povo humilde,

mas os olhos altivos, tu os abates.

28Porque fazes resplandecer a minha lâmpada;

o Senhor, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas.

29Pois contigo desbarato exércitos,

com o meu Deus salto muralhas.

30O caminho de Deus é perfeito;

a palavra do Senhor é provada;

ele é escudo para todos os que nele se refugiam.

31Pois quem é Deus, senão o Senhor?

E quem é rochedo, senão o nosso Deus?

32O Deus que me revestiu de força

e aperfeiçoou o meu caminho,

33ele deu a meus pés a ligeireza das corças

18.33
Hc 3.19

e me firmou nas minhas alturas.

34Ele adestrou as minhas mãos para o combate,

de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze.

35Também me deste o escudo da tua salvação,

a tua direita me susteve,

e a tua clemência me engrandeceu.

36Alargaste sob meus passos o caminho,

e os meus pés não vacilaram.

37Persegui os meus inimigos, e os alcancei,

e só voltei depois de haver dado cabo deles.

38Esmaguei-os a tal ponto, que não puderam levantar-se;

caíram sob meus pés.

39Pois de força me cingiste para o combate

e me submeteste os que se levantaram contra mim.

40Também puseste em fuga os meus inimigos,

e os que me odiaram, eu os exterminei.

41Gritaram por socorro, mas ninguém lhes acudiu;

clamaram ao Senhor, mas ele não respondeu.

42Então, os reduzi a pó ao léu do vento,

lancei-os fora como a lama das ruas.

43Das contendas do povo me livraste

e me fizeste cabeça das nações;

povo que não conheci me serviu.

44Bastou-lhe ouvir-me a voz, logo me obedeceu;

os estrangeiros se me mostram submissos.

45Sumiram-se os estrangeiros

e das suas fortificações saíram, espavoridos.

46Vive o Senhor, e bendita seja a minha rocha!

Exaltado seja o Deus da minha salvação,

47o Deus que por mim tomou vingança

e me submeteu povos;

48o Deus que me livrou dos meus inimigos;

sim, tu que me exaltaste acima dos meus adversários

e me livraste do homem violento.

49Glorificar-te-ei,

18.49
Rm 15.9
pois, entre os gentios, ó Senhor,

e cantarei louvores ao teu nome.

50É ele quem dá grandes vitórias ao seu rei

e usa de benignidade para com o seu ungido,

com Davi e sua posteridade, para sempre.

19

A excelência da criação e da palavra de Deus

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

191Os céus proclamam a glória de Deus,

e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.

2Um dia discursa a outro dia,

e uma noite revela conhecimento a outra noite.

3Não há linguagem, nem há palavras,

e deles não se ouve nenhum som;

4no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz,

19.4
Rm 10.18

e as suas palavras, até aos confins do mundo.

Aí, pôs uma tenda para o sol,

5o qual, como noivo que sai dos seus aposentos,

se regozija como herói, a percorrer o seu caminho.

6Principia numa extremidade dos céus,

e até à outra vai o seu percurso;

e nada refoge ao seu calor.

7A lei do Senhor é perfeita

e restaura a alma;

o testemunho do Senhor é fiel

e dá sabedoria aos símplices.

8Os preceitos do Senhor são retos

e alegram o coração;

o mandamento do Senhor é puro

e ilumina os olhos.

9O temor do Senhor é límpido

e permanece para sempre;

os juízos do Senhor são verdadeiros

e todos igualmente, justos.

10São mais desejáveis do que ouro,

mais do que muito ouro depurado;

e são mais doces do que o mel

e o destilar dos favos.

11Além disso, por eles se admoesta o teu servo;

em os guardar, há grande recompensa.

12Quem há que possa discernir as próprias faltas?

Absolve-me das que me são ocultas.

13Também da soberba guarda o teu servo,

que ela não me domine;

então, serei irrepreensível

e ficarei livre de grande transgressão.

14As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração

sejam agradáveis na tua presença,

Senhor, rocha minha e redentor meu!

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