Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
139

Deus onisciente e onipotente

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

1391Senhor, tu me sondas e me conheces.

2Sabes quando me assento e quando me levanto;

de longe penetras os meus pensamentos.

3Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar

e conheces todos os meus caminhos.

4Ainda a palavra me não chegou à língua,

e tu, Senhor, já a conheces toda.

5Tu me cercas por trás e por diante

e sobre mim pões a mão.

6Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim:

é sobremodo elevado, não o posso atingir.

7Para onde me ausentarei do teu Espírito?

Para onde fugirei da tua face?

8Se subo aos céus, lá estás;

se faço a minha cama no mais profundo abismo,

lá estás também;

9se tomo as asas da alvorada

e me detenho nos confins dos mares,

10ainda lá me haverá de guiar a tua mão,

e a tua destra me susterá.

11Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão,

e a luz ao redor de mim se fará noite,

12até as próprias trevas não te serão escuras:

as trevas e a luz são a mesma coisa.

13Pois tu formaste o meu interior,

tu me teceste no seio de minha mãe.

14Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;

as tuas obras são admiráveis,

e a minha alma o sabe muito bem;

15os meus ossos não te foram encobertos,

quando no oculto

fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.

16Os teus olhos me viram a substância ainda informe,

e no teu livro foram escritos todos os meus dias,

cada um deles escrito e determinado,

quando nem um deles havia ainda.

17Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos!

E como é grande a soma deles!

18Se os contasse, excedem os grãos de areia;

contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

19Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso;

apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue.

20Eles se rebelam insidiosamente contra ti

e como teus inimigos falam malícia.

21Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?

E não abomino os que contra ti se levantam?

22Aborreço-os com ódio consumado;

para mim são inimigos de fato.

23Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,

prova-me e conhece os meus pensamentos;

24vê se há em mim algum caminho mau

e guia-me pelo caminho eterno.

140

Contra inimigos e perfídias

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

1401Livra-me, Senhor, do homem perverso,

guarda-me do homem violento,

2cujo coração maquina iniquidades

e vive forjando contendas.

3Aguçam a língua como a serpente;

sob os lábios têm veneno de áspide.

140.3
Rm 3.13

4Guarda-me, Senhor, da mão dos ímpios,

preserva-me do homem violento,

os quais se empenham por me desviar os passos.

5Os soberbos ocultaram armadilhas e cordas contra mim,

estenderam-me uma rede à beira do caminho,

armaram ciladas contra mim.

6Digo ao Senhor: tu és o meu Deus;

acode, Senhor, à voz das minhas súplicas.

7Ó Senhor, força da minha salvação,

tu me protegeste a cabeça no dia da batalha.

8Não concedas, Senhor, ao ímpio os seus desejos;

não permitas que vingue o seu mau propósito.

9Se exaltam a cabeça os que me cercam,

cubra-os a maldade dos seus lábios.

10Caiam sobre eles brasas vivas, sejam atirados ao fogo,

lançados em abismos para que não mais se levantem.

11O caluniador não se estabelecerá na terra;

ao homem violento, o mal o perseguirá com golpe sobre golpe.

12Sei que o Senhor manterá a causa do oprimido

e o direito do necessitado.

13Assim, os justos renderão graças ao teu nome;

os retos habitarão na tua presença.

141

Oração vespertina por santificação e proteção

Salmo de Davi

1411Senhor, a ti clamo, dá-te pressa em me acudir;

inclina os ouvidos à minha voz, quando te invoco.

2Suba à tua presença a minha oração, como incenso,

141.2
Ap 5.8

e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.

3Põe guarda, Senhor, à minha boca;

vigia a porta dos meus lábios.

4Não permitas que meu coração se incline para o mal,

para a prática da perversidade

na companhia de homens que são malfeitores;

e não coma eu das suas iguarias.

5Fira-me o justo, será isso mercê;

repreenda-me, será como óleo sobre a minha cabeça,

a qual não há de rejeitá-lo.

Continuarei a orar enquanto os perversos praticam maldade.

6Os seus juízes serão precipitados penha abaixo,

mas ouvirão as minhas palavras, que são agradáveis,

7ainda que sejam espalhados os meus ossos à boca da sepultura,

quando se lavra e sulca a terra.

8Pois em ti, Senhor Deus, estão fitos os meus olhos:

em ti confio; não desampares a minha alma.

9Guarda-me dos laços que me armaram

e das armadilhas dos que praticam iniquidade.

10Caiam os ímpios nas suas próprias redes,

enquanto eu, nesse meio tempo, me salvo incólume.