Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
137

Saudades da pátria

1371Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos,

lembrando-nos de Sião.

2Nos salgueiros que lá havia,

pendurávamos as nossas harpas,

3pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções,

e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo:

Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.

4Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor

em terra estranha?

5Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém,

que se resseque a minha mão direita.

6Apegue-se-me a língua ao paladar,

se me não lembrar de ti,

se não preferir eu Jerusalém

à minha maior alegria.

7Contra os filhos de Edom, lembra-te, Senhor,

do dia de Jerusalém,

pois diziam: Arrasai, arrasai-a,

até aos fundamentos.

8Filha da Babilônia,

137.8
Ap 18.6
que hás de ser destruída,

feliz aquele que te der o pago

do mal que nos fizeste.

9Feliz aquele que pegar teus filhos

e esmagá-los contra a pedra.

138

Graças a Deus por sua fidelidade

Salmo de Davi

1381Render-te-ei graças, Senhor, de todo o meu coração;

na presença dos poderosos te cantarei louvores.

2Prostrar-me-ei para o teu santo templo

e louvarei o teu nome,

por causa da tua misericórdia e da tua verdade,

pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra.

3No dia em que eu clamei, tu me acudiste

e alentaste a força de minha alma.

4Render-te-ão graças, ó Senhor, todos os reis da terra,

quando ouvirem as palavras da tua boca,

5e cantarão os caminhos do Senhor,

pois grande é a glória do Senhor.

6O Senhor é excelso, contudo, atenta para os humildes;

os soberbos, ele os conhece de longe.

7Se ando em meio à tribulação,

tu me refazes a vida;

estendes a mão contra a ira dos meus inimigos;

a tua destra me salva.

8O que a mim me concerne o Senhor levará a bom termo;

a tua misericórdia, ó Senhor, dura para sempre;

não desampares as obras das tuas mãos.

139

Deus onisciente e onipotente

Ao mestre de canto. Salmo de Davi

1391Senhor, tu me sondas e me conheces.

2Sabes quando me assento e quando me levanto;

de longe penetras os meus pensamentos.

3Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar

e conheces todos os meus caminhos.

4Ainda a palavra me não chegou à língua,

e tu, Senhor, já a conheces toda.

5Tu me cercas por trás e por diante

e sobre mim pões a mão.

6Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim:

é sobremodo elevado, não o posso atingir.

7Para onde me ausentarei do teu Espírito?

Para onde fugirei da tua face?

8Se subo aos céus, lá estás;

se faço a minha cama no mais profundo abismo,

lá estás também;

9se tomo as asas da alvorada

e me detenho nos confins dos mares,

10ainda lá me haverá de guiar a tua mão,

e a tua destra me susterá.

11Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão,

e a luz ao redor de mim se fará noite,

12até as próprias trevas não te serão escuras:

as trevas e a luz são a mesma coisa.

13Pois tu formaste o meu interior,

tu me teceste no seio de minha mãe.

14Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;

as tuas obras são admiráveis,

e a minha alma o sabe muito bem;

15os meus ossos não te foram encobertos,

quando no oculto

fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.

16Os teus olhos me viram a substância ainda informe,

e no teu livro foram escritos todos os meus dias,

cada um deles escrito e determinado,

quando nem um deles havia ainda.

17Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos!

E como é grande a soma deles!

18Se os contasse, excedem os grãos de areia;

contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

19Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso;

apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue.

20Eles se rebelam insidiosamente contra ti

e como teus inimigos falam malícia.

21Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?

E não abomino os que contra ti se levantam?

22Aborreço-os com ódio consumado;

para mim são inimigos de fato.

23Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,

prova-me e conhece os meus pensamentos;

24vê se há em mim algum caminho mau

e guia-me pelo caminho eterno.