Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
8

A excelência da Sabedoria

81Não clama, porventura, a Sabedoria,

e o Entendimento não faz ouvir a sua voz?

2No cimo das alturas, junto ao caminho,

nas encruzilhadas das veredas ela se coloca;

3junto às portas, à entrada da cidade,

à entrada das portas está gritando:

8.1-3
Pv 1.20-21

4A vós outros, ó homens, clamo;

e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

5Entendei, ó simples, a prudência;

e vós, néscios, entendei a sabedoria.

6Ouvi, pois falarei coisas excelentes;

os meus lábios proferirão coisas retas.

7Porque a minha boca proclamará a verdade;

os meus lábios abominam a impiedade.

8São justas todas as palavras da minha boca;

não há nelas nenhuma coisa torta, nem perversa.

9Todas são retas para quem as entende

e justas, para os que acham o conhecimento.

10Aceitai o meu ensino, e não a prata,

e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido.

11Porque melhor é a sabedoria do que joias,

e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.

12Eu, a Sabedoria, habito com a prudência

e disponho de conhecimentos e de conselhos.

13O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal;

a soberba, a arrogância, o mau caminho

e a boca perversa, eu os aborreço.

14Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria,

eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.

15Por meu intermédio, reinam os reis,

e os príncipes decretam justiça.

16Por meu intermédio, governam os príncipes,

os nobres e todos os juízes da terra.

17Eu amo os que me amam;

os que me procuram me acham.

18Riquezas e honra estão comigo,

bens duráveis e justiça.

19Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado;

e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida.

20Ando pelo caminho da justiça,

no meio das veredas do juízo,

21para dotar de bens os que me amam

e lhes encher os tesouros.

A eternidade da Sabedoria

22O Senhor me possuía no início de sua obra,

8.22
Ap 3.14

antes de suas obras mais antigas.

23Desde a eternidade fui estabelecida,

desde o princípio, antes do começo da terra.

24Antes de haver abismos, eu nasci,

e antes ainda de haver fontes carregadas de águas.

25Antes que os montes fossem firmados,

antes de haver outeiros, eu nasci.

26Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões,

nem sequer o princípio do pó do mundo.

27Quando ele preparava os céus, aí estava eu;

quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;

28quando firmava as nuvens de cima;

quando estabelecia as fontes do abismo;

29quando fixava ao mar o seu limite,

para que as águas não traspassassem os seus limites;

quando compunha os fundamentos da terra;

30então, eu estava com ele e era seu arquiteto,

dia após dia, eu era as suas delícias,

folgando perante ele em todo o tempo;

31regozijando-me no seu mundo habitável

e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

32Agora, pois, filhos, ouvi-me,

porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos.

33Ouvi o ensino, sede sábios

e não o rejeiteis.

34Feliz o homem que me dá ouvidos,

velando dia a dia às minhas portas,

esperando às ombreiras da minha entrada.

35Porque o que me acha acha a vida

e alcança favor do Senhor.

36Mas o que peca contra mim violenta a própria alma.

Todos os que me aborrecem amam a morte.

9

O banquete da Sabedoria

91A Sabedoria edificou a sua casa,

lavrou as suas sete colunas.

2Carneou os seus animais, misturou o seu vinho

e arrumou a sua mesa.

3Já deu ordens às suas criadas

e, assim, convida desde as alturas da cidade:

4Quem é simples, volte-se para aqui.

Aos faltos de senso diz:

5Vinde, comei do meu pão

e bebei do vinho que misturei.

6Deixai os insensatos e vivei;

andai pelo caminho do entendimento.

7O que repreende o escarnecedor traz afronta sobre si;

e o que censura o perverso a si mesmo se injuria.

8Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça;

repreende o sábio, e ele te amará.

9Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda;

ensina ao justo, e ele crescerá em prudência.

10O temor do Senhor

9.10
Jó 28.28
Sl 111.10
Pv 1.7
é o princípio da sabedoria,

e o conhecimento do Santo é prudência.

11Porque por mim se multiplicam os teus dias,

e anos de vida se te acrescentarão.

12Se és sábio, para ti mesmo o és;

se és escarnecedor, tu só o suportarás.

O convite da mulher-loucura

13A loucura é mulher apaixonada, é ignorante

e não sabe coisa alguma.

14Assenta-se à porta de sua casa,

nas alturas da cidade, toma uma cadeira,

15para dizer aos que passam

e seguem direito o seu caminho:

16Quem é simples, volte-se para aqui.

E aos faltos de senso diz:

17As águas roubadas são doces,

e o pão comido às ocultas é agradável.

18Eles, porém, não sabem que ali estão os mortos,

que os seus convidados estão nas profundezas do inferno.

10

O justo em contraste com o perverso

101Provérbios de Salomão.

O filho sábio alegra a seu pai,

mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.

2Os tesouros da impiedade de nada aproveitam,

mas a justiça livra da morte.

3O Senhor não deixa ter fome o justo,

mas rechaça a avidez dos perversos.

4O que trabalha com mão remissa empobrece,

mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se.

5O que ajunta no verão é filho sábio,

mas o que dorme na sega é filho que envergonha.

6Sobre a cabeça do justo há bênçãos,

mas na boca dos perversos mora a violência.

7A memória do justo é abençoada,

mas o nome dos perversos cai em podridão.

8O sábio de coração aceita os mandamentos,

mas o insensato de lábios vem a arruinar-se.

9Quem anda em integridade anda seguro,

mas o que perverte os seus caminhos será conhecido.

10O que acena com os olhos traz desgosto,

e o insensato de lábios vem a arruinar-se.

11A boca do justo é manancial de vida,

mas na boca dos perversos mora a violência.

12O ódio excita contendas,

mas o amor cobre todas as transgressões.

10.12
Tg 5.20
1Pe 4.8

13Nos lábios do prudente, se acha sabedoria,

mas a vara é para as costas do falto de senso.

14Os sábios entesouram o conhecimento,

mas a boca do néscio é uma ruína iminente.

15Os bens do rico são a sua cidade forte;

a pobreza dos pobres é a sua ruína.

16A obra do justo conduz à vida,

e o rendimento do perverso, ao pecado.

17O caminho para a vida é de quem guarda o ensino,

mas o que abandona a repreensão anda errado.

18O que retém o ódio é de lábios falsos,

e o que difama é insensato.

19No muito falar não falta transgressão,

mas o que modera os lábios é prudente.

20Prata escolhida é a língua do justo,

mas o coração dos perversos vale mui pouco.

21Os lábios do justo apascentam a muitos,

mas, por falta de senso, morrem os tolos.

22A bênção do Senhor enriquece,

e, com ela, ele não traz desgosto.

23Para o insensato, praticar a maldade é divertimento;

para o homem inteligente, o ser sábio.

24Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevém,

mas o anelo dos justos Deus o cumpre.

25Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso,

mas o justo tem perpétuo fundamento.

26Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos,

assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam.

27O temor do Senhor prolonga os dias da vida,

mas os anos dos perversos serão abreviados.

28A esperança dos justos é alegria,

mas a expectação dos perversos perecerá.

29O caminho do Senhor é fortaleza para os íntegros,

mas ruína aos que praticam a iniquidade.

30O justo jamais será abalado,

mas os perversos não habitarão a terra.

31A boca do justo produz sabedoria,

mas a língua da perversidade será desarraigada.

32Os lábios do justo sabem o que agrada,

mas a boca dos perversos, somente o mal.