Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
7

Mais advertências contra a mulher adúltera

71Filho meu, guarda as minhas palavras

e conserva dentro de ti os meus mandamentos.

2Guarda os meus mandamentos e vive;

e a minha lei, como a menina dos teus olhos.

3Ata-os aos dedos,

escreve-os na tábua do teu coração.

4Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã;

e ao Entendimento chama teu parente;

5para te guardarem da mulher alheia,

da estranha que lisonjeia com palavras.

6Porque da janela da minha casa,

por minhas grades, olhando eu,

7vi entre os simples, descobri entre os jovens

um que era carecente de juízo,

8que ia e vinha pela rua junto à esquina da mulher estranha

e seguia o caminho da sua casa,

9à tarde do dia, no crepúsculo,

na escuridão da noite, nas trevas.

10Eis que a mulher lhe sai ao encontro,

com vestes de prostituta e astuta de coração.

11É apaixonada e inquieta,

cujos pés não param em casa;

12ora está nas ruas, ora, nas praças,

espreitando por todos os cantos.

13Aproximou-se dele, e o beijou,

e de cara impudente lhe diz:

14Sacrifícios pacíficos tinha eu de oferecer;

paguei hoje os meus votos.

15Por isso, saí ao teu encontro,

a buscar-te, e te achei.

16Já cobri de colchas a minha cama,

de linho fino do Egito, de várias cores;

17já perfumei o meu leito com mirra,

aloés e cinamomo.

18Vem, embriaguemo-nos com as delícias do amor, até pela manhã;

gozemos amores.

19Porque o meu marido não está em casa,

saiu de viagem para longe.

20Levou consigo um saquitel de dinheiro;

só por volta da lua cheia ele tornará para casa.

21Seduziu-o com as suas muitas palavras,

com as lisonjas dos seus lábios o arrastou.

22E ele num instante a segue,

como o boi que vai ao matadouro;

como o cervo que corre para a rede,

23até que a flecha lhe atravesse o coração;

como a ave que se apressa para o laço,

sem saber que isto lhe custará a vida.

24Agora, pois, filho, dá-me ouvidos

e sê atento às palavras da minha boca;

25não se desvie o teu coração para os caminhos dela,

e não andes perdido nas suas veredas;

26porque a muitos feriu e derribou;

e são muitos os que por ela foram mortos.

27A sua casa é caminho para a sepultura

e desce para as câmaras da morte.

8

A excelência da Sabedoria

81Não clama, porventura, a Sabedoria,

e o Entendimento não faz ouvir a sua voz?

2No cimo das alturas, junto ao caminho,

nas encruzilhadas das veredas ela se coloca;

3junto às portas, à entrada da cidade,

à entrada das portas está gritando:

8.1-3
Pv 1.20-21

4A vós outros, ó homens, clamo;

e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

5Entendei, ó simples, a prudência;

e vós, néscios, entendei a sabedoria.

6Ouvi, pois falarei coisas excelentes;

os meus lábios proferirão coisas retas.

7Porque a minha boca proclamará a verdade;

os meus lábios abominam a impiedade.

8São justas todas as palavras da minha boca;

não há nelas nenhuma coisa torta, nem perversa.

9Todas são retas para quem as entende

e justas, para os que acham o conhecimento.

10Aceitai o meu ensino, e não a prata,

e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido.

11Porque melhor é a sabedoria do que joias,

e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.

12Eu, a Sabedoria, habito com a prudência

e disponho de conhecimentos e de conselhos.

13O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal;

a soberba, a arrogância, o mau caminho

e a boca perversa, eu os aborreço.

14Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria,

eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.

15Por meu intermédio, reinam os reis,

e os príncipes decretam justiça.

16Por meu intermédio, governam os príncipes,

os nobres e todos os juízes da terra.

17Eu amo os que me amam;

os que me procuram me acham.

18Riquezas e honra estão comigo,

bens duráveis e justiça.

19Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado;

e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida.

20Ando pelo caminho da justiça,

no meio das veredas do juízo,

21para dotar de bens os que me amam

e lhes encher os tesouros.

A eternidade da Sabedoria

22O Senhor me possuía no início de sua obra,

8.22
Ap 3.14

antes de suas obras mais antigas.

23Desde a eternidade fui estabelecida,

desde o princípio, antes do começo da terra.

24Antes de haver abismos, eu nasci,

e antes ainda de haver fontes carregadas de águas.

25Antes que os montes fossem firmados,

antes de haver outeiros, eu nasci.

26Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões,

nem sequer o princípio do pó do mundo.

27Quando ele preparava os céus, aí estava eu;

quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;

28quando firmava as nuvens de cima;

quando estabelecia as fontes do abismo;

29quando fixava ao mar o seu limite,

para que as águas não traspassassem os seus limites;

quando compunha os fundamentos da terra;

30então, eu estava com ele e era seu arquiteto,

dia após dia, eu era as suas delícias,

folgando perante ele em todo o tempo;

31regozijando-me no seu mundo habitável

e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

32Agora, pois, filhos, ouvi-me,

porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos.

33Ouvi o ensino, sede sábios

e não o rejeiteis.

34Feliz o homem que me dá ouvidos,

velando dia a dia às minhas portas,

esperando às ombreiras da minha entrada.

35Porque o que me acha acha a vida

e alcança favor do Senhor.

36Mas o que peca contra mim violenta a própria alma.

Todos os que me aborrecem amam a morte.

9

O banquete da Sabedoria

91A Sabedoria edificou a sua casa,

lavrou as suas sete colunas.

2Carneou os seus animais, misturou o seu vinho

e arrumou a sua mesa.

3Já deu ordens às suas criadas

e, assim, convida desde as alturas da cidade:

4Quem é simples, volte-se para aqui.

Aos faltos de senso diz:

5Vinde, comei do meu pão

e bebei do vinho que misturei.

6Deixai os insensatos e vivei;

andai pelo caminho do entendimento.

7O que repreende o escarnecedor traz afronta sobre si;

e o que censura o perverso a si mesmo se injuria.

8Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça;

repreende o sábio, e ele te amará.

9Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda;

ensina ao justo, e ele crescerá em prudência.

10O temor do Senhor

9.10
Jó 28.28
Sl 111.10
Pv 1.7
é o princípio da sabedoria,

e o conhecimento do Santo é prudência.

11Porque por mim se multiplicam os teus dias,

e anos de vida se te acrescentarão.

12Se és sábio, para ti mesmo o és;

se és escarnecedor, tu só o suportarás.

O convite da mulher-loucura

13A loucura é mulher apaixonada, é ignorante

e não sabe coisa alguma.

14Assenta-se à porta de sua casa,

nas alturas da cidade, toma uma cadeira,

15para dizer aos que passam

e seguem direito o seu caminho:

16Quem é simples, volte-se para aqui.

E aos faltos de senso diz:

17As águas roubadas são doces,

e o pão comido às ocultas é agradável.

18Eles, porém, não sabem que ali estão os mortos,

que os seus convidados estão nas profundezas do inferno.