Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

Advertência contra o servir de fiador

61Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro

e se te empenhaste ao estranho,

2estás enredado com o que dizem os teus lábios,

estás preso com as palavras da tua boca.

3Agora, pois, faze isto, filho meu,

e livra-te, pois caíste nas mãos do teu companheiro:

vai, prostra-te e importuna o teu companheiro;

4não dês sono aos teus olhos,

nem repouso às tuas pálpebras;

5livra-te, como a gazela, da mão do caçador

e, como a ave, da mão do passarinheiro.

Advertência contra a preguiça

6Vai ter com a formiga, ó preguiçoso,

considera os seus caminhos e sê sábio.

7Não tendo ela chefe,

nem oficial, nem comandante,

8no estio, prepara o seu pão,

na sega, ajunta o seu mantimento.

9Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?

Quando te levantarás do teu sono?

10Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar,

um pouco para encruzar os braços em repouso,

11assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão,

e a tua necessidade, como um homem armado.

6.10-11
Pv 24.33-34

Advertência contra a maldade

12O homem de Belial, o homem vil,

é o que anda com a perversidade na boca,

13acena com os olhos, arranha com os pés

e faz sinais com os dedos.

14No seu coração há perversidade;

todo o tempo maquina o mal;

anda semeando contendas.

15Pelo que a sua destruição virá repentinamente;

subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.

16Seis coisas o Senhor aborrece,

e a sétima a sua alma abomina:

17olhos altivos, língua mentirosa,

mãos que derramam sangue inocente,

18coração que trama projetos iníquos,

pés que se apressam a correr para o mal,

19testemunha falsa que profere mentiras

e o que semeia contendas entre irmãos.

Advertência contra a mulher adúltera

20Filho meu, guarda o mandamento de teu pai

e não deixes a instrução de tua mãe;

21ata-os perpetuamente ao teu coração,

pendura-os ao pescoço.

22Quando caminhares, isso te guiará;

quando te deitares, te guardará;

quando acordares, falará contigo.

23Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz;

e as repreensões da disciplina são o caminho da vida;

24para te guardarem da vil mulher

e das lisonjas da mulher alheia.

25Não cobices no teu coração a sua formosura,

nem te deixes prender com as suas olhadelas.

26Por uma prostituta o máximo que se paga é um pedaço de pão,

mas a adúltera anda à caça de vida preciosa.

27Tomará alguém fogo no seio,

sem que as suas vestes se incendeiem?

28Ou andará alguém sobre brasas,

sem que se queimem os seus pés?

29Assim será com o que se chegar à mulher do seu próximo;

não ficará sem castigo todo aquele que a tocar.

30Não é certo que se despreza o ladrão,

quando furta para saciar-se, tendo fome?

31Pois este, quando encontrado, pagará sete vezes tanto;

entregará todos os bens de sua casa.

32O que adultera com uma mulher está fora de si;

só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa.

33Achará açoites e infâmia,

e o seu opróbrio nunca se apagará.

34Porque o ciúme excita o furor do marido;

e não terá compaixão no dia da vingança.

35Não se contentará com o resgate,

nem aceitará presentes, ainda que sejam muitos.

7

Mais advertências contra a mulher adúltera

71Filho meu, guarda as minhas palavras

e conserva dentro de ti os meus mandamentos.

2Guarda os meus mandamentos e vive;

e a minha lei, como a menina dos teus olhos.

3Ata-os aos dedos,

escreve-os na tábua do teu coração.

4Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã;

e ao Entendimento chama teu parente;

5para te guardarem da mulher alheia,

da estranha que lisonjeia com palavras.

6Porque da janela da minha casa,

por minhas grades, olhando eu,

7vi entre os simples, descobri entre os jovens

um que era carecente de juízo,

8que ia e vinha pela rua junto à esquina da mulher estranha

e seguia o caminho da sua casa,

9à tarde do dia, no crepúsculo,

na escuridão da noite, nas trevas.

10Eis que a mulher lhe sai ao encontro,

com vestes de prostituta e astuta de coração.

11É apaixonada e inquieta,

cujos pés não param em casa;

12ora está nas ruas, ora, nas praças,

espreitando por todos os cantos.

13Aproximou-se dele, e o beijou,

e de cara impudente lhe diz:

14Sacrifícios pacíficos tinha eu de oferecer;

paguei hoje os meus votos.

15Por isso, saí ao teu encontro,

a buscar-te, e te achei.

16Já cobri de colchas a minha cama,

de linho fino do Egito, de várias cores;

17já perfumei o meu leito com mirra,

aloés e cinamomo.

18Vem, embriaguemo-nos com as delícias do amor, até pela manhã;

gozemos amores.

19Porque o meu marido não está em casa,

saiu de viagem para longe.

20Levou consigo um saquitel de dinheiro;

só por volta da lua cheia ele tornará para casa.

21Seduziu-o com as suas muitas palavras,

com as lisonjas dos seus lábios o arrastou.

22E ele num instante a segue,

como o boi que vai ao matadouro;

como o cervo que corre para a rede,

23até que a flecha lhe atravesse o coração;

como a ave que se apressa para o laço,

sem saber que isto lhe custará a vida.

24Agora, pois, filho, dá-me ouvidos

e sê atento às palavras da minha boca;

25não se desvie o teu coração para os caminhos dela,

e não andes perdido nas suas veredas;

26porque a muitos feriu e derribou;

e são muitos os que por ela foram mortos.

27A sua casa é caminho para a sepultura

e desce para as câmaras da morte.

8

A excelência da Sabedoria

81Não clama, porventura, a Sabedoria,

e o Entendimento não faz ouvir a sua voz?

2No cimo das alturas, junto ao caminho,

nas encruzilhadas das veredas ela se coloca;

3junto às portas, à entrada da cidade,

à entrada das portas está gritando:

8.1-3
Pv 1.20-21

4A vós outros, ó homens, clamo;

e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

5Entendei, ó simples, a prudência;

e vós, néscios, entendei a sabedoria.

6Ouvi, pois falarei coisas excelentes;

os meus lábios proferirão coisas retas.

7Porque a minha boca proclamará a verdade;

os meus lábios abominam a impiedade.

8São justas todas as palavras da minha boca;

não há nelas nenhuma coisa torta, nem perversa.

9Todas são retas para quem as entende

e justas, para os que acham o conhecimento.

10Aceitai o meu ensino, e não a prata,

e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido.

11Porque melhor é a sabedoria do que joias,

e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.

12Eu, a Sabedoria, habito com a prudência

e disponho de conhecimentos e de conselhos.

13O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal;

a soberba, a arrogância, o mau caminho

e a boca perversa, eu os aborreço.

14Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria,

eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.

15Por meu intermédio, reinam os reis,

e os príncipes decretam justiça.

16Por meu intermédio, governam os príncipes,

os nobres e todos os juízes da terra.

17Eu amo os que me amam;

os que me procuram me acham.

18Riquezas e honra estão comigo,

bens duráveis e justiça.

19Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado;

e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida.

20Ando pelo caminho da justiça,

no meio das veredas do juízo,

21para dotar de bens os que me amam

e lhes encher os tesouros.

A eternidade da Sabedoria

22O Senhor me possuía no início de sua obra,

8.22
Ap 3.14

antes de suas obras mais antigas.

23Desde a eternidade fui estabelecida,

desde o princípio, antes do começo da terra.

24Antes de haver abismos, eu nasci,

e antes ainda de haver fontes carregadas de águas.

25Antes que os montes fossem firmados,

antes de haver outeiros, eu nasci.

26Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões,

nem sequer o princípio do pó do mundo.

27Quando ele preparava os céus, aí estava eu;

quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;

28quando firmava as nuvens de cima;

quando estabelecia as fontes do abismo;

29quando fixava ao mar o seu limite,

para que as águas não traspassassem os seus limites;

quando compunha os fundamentos da terra;

30então, eu estava com ele e era seu arquiteto,

dia após dia, eu era as suas delícias,

folgando perante ele em todo o tempo;

31regozijando-me no seu mundo habitável

e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

32Agora, pois, filhos, ouvi-me,

porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos.

33Ouvi o ensino, sede sábios

e não o rejeiteis.

34Feliz o homem que me dá ouvidos,

velando dia a dia às minhas portas,

esperando às ombreiras da minha entrada.

35Porque o que me acha acha a vida

e alcança favor do Senhor.

36Mas o que peca contra mim violenta a própria alma.

Todos os que me aborrecem amam a morte.

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