Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
5

Advertência contra a lascívia

51Filho meu, atende a minha sabedoria;

à minha inteligência inclina os ouvidos

2para que conserves a discrição,

e os teus lábios guardem o conhecimento;

3porque os lábios da mulher adúltera destilam favos de mel,

e as suas palavras são mais suaves do que o azeite;

4mas o fim dela é amargoso como o absinto,

agudo, como a espada de dois gumes.

5Os seus pés descem à morte;

os seus passos conduzem-na ao inferno.

6Ela não pondera a vereda da vida;

anda errante nos seus caminhos e não o sabe.

7Agora, pois, filho, dá-me ouvidos

e não te desvies das palavras da minha boca.

8Afasta o teu caminho da mulher adúltera

e não te aproximes da porta da sua casa;

9para que não dês a outrem a tua honra,

nem os teus anos, a cruéis;

10para que dos teus bens não se fartem os estranhos,

e o fruto do teu trabalho não entre em casa alheia;

11e gemas no fim de tua vida,

quando se consumirem a tua carne e o teu corpo,

12e digas: Como aborreci o ensino!

E desprezou o meu coração a disciplina!

13E não escutei a voz dos que me ensinavam,

nem a meus mestres inclinei os ouvidos!

14Quase que me achei em todo mal

que sucedeu no meio da assembleia e da congregação.

15Bebe a água da tua própria cisterna

e das correntes do teu poço.

16Derramar-se-iam por fora as tuas fontes,

e, pelas praças, os ribeiros de águas?

17Sejam para ti somente

e não para os estranhos contigo.

18Seja bendito o teu manancial,

e alegra-te com a mulher da tua mocidade,

19corça de amores e gazela graciosa.

Saciem-te os seus seios em todo o tempo;

e embriaga-te sempre com as suas carícias.

20Por que, filho meu, andarias cego pela estranha

e abraçarias o peito de outra?

21Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor,

e ele considera todas as suas veredas.

22Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão,

e com as cordas do seu pecado será detido.

23Ele morrerá pela falta de disciplina,

e, pela sua muita loucura, perdido, cambaleia.

6

Advertência contra o servir de fiador

61Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro

e se te empenhaste ao estranho,

2estás enredado com o que dizem os teus lábios,

estás preso com as palavras da tua boca.

3Agora, pois, faze isto, filho meu,

e livra-te, pois caíste nas mãos do teu companheiro:

vai, prostra-te e importuna o teu companheiro;

4não dês sono aos teus olhos,

nem repouso às tuas pálpebras;

5livra-te, como a gazela, da mão do caçador

e, como a ave, da mão do passarinheiro.

Advertência contra a preguiça

6Vai ter com a formiga, ó preguiçoso,

considera os seus caminhos e sê sábio.

7Não tendo ela chefe,

nem oficial, nem comandante,

8no estio, prepara o seu pão,

na sega, ajunta o seu mantimento.

9Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?

Quando te levantarás do teu sono?

10Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar,

um pouco para encruzar os braços em repouso,

11assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão,

e a tua necessidade, como um homem armado.

6.10-11
Pv 24.33-34

Advertência contra a maldade

12O homem de Belial, o homem vil,

é o que anda com a perversidade na boca,

13acena com os olhos, arranha com os pés

e faz sinais com os dedos.

14No seu coração há perversidade;

todo o tempo maquina o mal;

anda semeando contendas.

15Pelo que a sua destruição virá repentinamente;

subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.

16Seis coisas o Senhor aborrece,

e a sétima a sua alma abomina:

17olhos altivos, língua mentirosa,

mãos que derramam sangue inocente,

18coração que trama projetos iníquos,

pés que se apressam a correr para o mal,

19testemunha falsa que profere mentiras

e o que semeia contendas entre irmãos.

Advertência contra a mulher adúltera

20Filho meu, guarda o mandamento de teu pai

e não deixes a instrução de tua mãe;

21ata-os perpetuamente ao teu coração,

pendura-os ao pescoço.

22Quando caminhares, isso te guiará;

quando te deitares, te guardará;

quando acordares, falará contigo.

23Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz;

e as repreensões da disciplina são o caminho da vida;

24para te guardarem da vil mulher

e das lisonjas da mulher alheia.

25Não cobices no teu coração a sua formosura,

nem te deixes prender com as suas olhadelas.

26Por uma prostituta o máximo que se paga é um pedaço de pão,

mas a adúltera anda à caça de vida preciosa.

27Tomará alguém fogo no seio,

sem que as suas vestes se incendeiem?

28Ou andará alguém sobre brasas,

sem que se queimem os seus pés?

29Assim será com o que se chegar à mulher do seu próximo;

não ficará sem castigo todo aquele que a tocar.

30Não é certo que se despreza o ladrão,

quando furta para saciar-se, tendo fome?

31Pois este, quando encontrado, pagará sete vezes tanto;

entregará todos os bens de sua casa.

32O que adultera com uma mulher está fora de si;

só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa.

33Achará açoites e infâmia,

e o seu opróbrio nunca se apagará.

34Porque o ciúme excita o furor do marido;

e não terá compaixão no dia da vingança.

35Não se contentará com o resgate,

nem aceitará presentes, ainda que sejam muitos.

7

Mais advertências contra a mulher adúltera

71Filho meu, guarda as minhas palavras

e conserva dentro de ti os meus mandamentos.

2Guarda os meus mandamentos e vive;

e a minha lei, como a menina dos teus olhos.

3Ata-os aos dedos,

escreve-os na tábua do teu coração.

4Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã;

e ao Entendimento chama teu parente;

5para te guardarem da mulher alheia,

da estranha que lisonjeia com palavras.

6Porque da janela da minha casa,

por minhas grades, olhando eu,

7vi entre os simples, descobri entre os jovens

um que era carecente de juízo,

8que ia e vinha pela rua junto à esquina da mulher estranha

e seguia o caminho da sua casa,

9à tarde do dia, no crepúsculo,

na escuridão da noite, nas trevas.

10Eis que a mulher lhe sai ao encontro,

com vestes de prostituta e astuta de coração.

11É apaixonada e inquieta,

cujos pés não param em casa;

12ora está nas ruas, ora, nas praças,

espreitando por todos os cantos.

13Aproximou-se dele, e o beijou,

e de cara impudente lhe diz:

14Sacrifícios pacíficos tinha eu de oferecer;

paguei hoje os meus votos.

15Por isso, saí ao teu encontro,

a buscar-te, e te achei.

16Já cobri de colchas a minha cama,

de linho fino do Egito, de várias cores;

17já perfumei o meu leito com mirra,

aloés e cinamomo.

18Vem, embriaguemo-nos com as delícias do amor, até pela manhã;

gozemos amores.

19Porque o meu marido não está em casa,

saiu de viagem para longe.

20Levou consigo um saquitel de dinheiro;

só por volta da lua cheia ele tornará para casa.

21Seduziu-o com as suas muitas palavras,

com as lisonjas dos seus lábios o arrastou.

22E ele num instante a segue,

como o boi que vai ao matadouro;

como o cervo que corre para a rede,

23até que a flecha lhe atravesse o coração;

como a ave que se apressa para o laço,

sem saber que isto lhe custará a vida.

24Agora, pois, filho, dá-me ouvidos

e sê atento às palavras da minha boca;

25não se desvie o teu coração para os caminhos dela,

e não andes perdido nas suas veredas;

26porque a muitos feriu e derribou;

e são muitos os que por ela foram mortos.

27A sua casa é caminho para a sepultura

e desce para as câmaras da morte.

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