Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
30

As palavras de Agur

301Palavras de Agur, filho de Jaque, de Massá.

Disse o homem: Fatiguei-me, ó Deus;

fatiguei-me, ó Deus, e estou exausto

2porque sou demasiadamente estúpido para ser homem;

não tenho inteligência de homem,

3não aprendi a sabedoria,

nem tenho o conhecimento do Santo.

4Quem subiu ao céu e desceu?

Quem encerrou os ventos nos seus punhos?

Quem amarrou as águas na sua roupa?

Quem estabeleceu todas as extremidades da terra?

Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho,

se é que o sabes?

5Toda palavra de Deus é pura;

ele é escudo para os que nele confiam.

6Nada acrescentes às suas palavras,

para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.

7Duas coisas te peço;

não mas negues, antes que eu morra:

8afasta de mim a falsidade e a mentira;

não me dês nem a pobreza nem a riqueza;

dá-me o pão que me for necessário;

9para não suceder que, estando eu farto, te negue

e diga: Quem é o Senhor?

Ou que, empobrecido, venha a furtar

e profane o nome de Deus.

10Não calunies o servo diante de seu senhor,

para que aquele te não amaldiçoe e fiques culpado.

11Há daqueles que amaldiçoam a seu pai

e que não bendizem a sua mãe.

12Há daqueles que são puros aos próprios olhos

e que jamais foram lavados da sua imundícia.

13Há daqueles — quão altivos são os seus olhos

e levantadas as suas pálpebras!

14Há daqueles cujos dentes são espadas,

e cujos queixais são facas,

para consumirem na terra os aflitos

e os necessitados entre os homens.

15A sanguessuga tem duas filhas,

a saber: Dá, Dá.

Há três coisas que nunca se fartam,

sim, quatro que não dizem: Basta!

16Elas são a sepultura, a madre estéril,

a terra, que se não farta de água,

e o fogo, que nunca diz: Basta!

17Os olhos de quem zomba do pai

ou de quem despreza a obediência à sua mãe,

corvos no ribeiro os arrancarão

e pelos pintãos da águia serão comidos.

18Há três coisas que são maravilhosas demais para mim,

sim, há quatro que não entendo:

19o caminho da águia no céu,

o caminho da cobra na penha,

o caminho do navio no meio do mar

e o caminho do homem com uma donzela.

20Tal é o caminho da mulher adúltera:

come, e limpa a boca,

e diz: Não cometi maldade.

21Sob três coisas estremece a terra,

sim, sob quatro não pode subsistir:

22sob o servo quando se torna rei;

sob o insensato quando anda farto de pão;

23sob a mulher desdenhada quando se casa;

sob a serva quando se torna herdeira da sua senhora.

24Há quatro coisas mui pequenas na terra

que, porém, são mais sábias que os sábios:

25as formigas, povo sem força;

todavia, no verão preparam a sua comida;

26os arganazes, povo não poderoso;

contudo, fazem a sua casa nas rochas;

27os gafanhotos não têm rei;

contudo, marcham todos em bandos;

28o geco, que se apanha com as mãos;

contudo, está nos palácios dos reis.

29Há três que têm passo elegante,

sim, quatro que andam airosamente:

30O leão, o mais forte entre os animais,

que por ninguém torna atrás;

31o galo, que anda ereto, o bode

e o rei, a quem não se pode resistir.

32Se procedeste insensatamente em te exaltares

ou se maquinaste o mal,

põe a mão na boca.

33Porque o bater do leite produz manteiga,

e o torcer do nariz produz sangue,

e o açular a ira produz contendas.