Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
27

271Não te glories do dia de amanhã,

27.1
Tg 4.13-16

porque não sabes o que trará à luz.

2Seja outro o que te louve, e não a tua boca;

o estrangeiro, e não os teus lábios.

3Pesada é a pedra, e a areia é uma carga;

mas a ira do insensato é mais pesada do que uma e outra.

4Cruel é o furor, e impetuosa, a ira,

mas quem pode resistir à inveja?

5Melhor é a repreensão franca

do que o amor encoberto.

6Leais são as feridas feitas pelo que ama,

porém os beijos de quem odeia são enganosos.

7A alma farta pisa o favo de mel,

mas à alma faminta todo amargo é doce.

8Qual ave que vagueia longe do seu ninho,

tal é o homem que anda vagueando longe do seu lar.

9Como o óleo e o perfume alegram o coração,

assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.

10Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai,

nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade.

Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.

11Sê sábio, filho meu, e alegra o meu coração,

para que eu saiba responder àqueles que me afrontam.

12O prudente vê o mal e esconde-se;

mas os simples passam adiante e sofrem a pena.

13Tome-se a roupa àquele que fica fiador por outrem;

e, por penhor, àquele que se obriga por mulher estranha.

14O que bendiz ao seu vizinho em alta voz, logo de manhã,

por maldição lhe atribuem o que faz.

15O gotejar contínuo no dia de grande chuva

e a mulher rixosa são semelhantes;

16contê-la seria conter o vento,

seria pegar o óleo na mão.

17Como o ferro com o ferro se afia,

assim, o homem, ao seu amigo.

18O que trata da figueira comerá do seu fruto;

e o que cuida do seu senhor será honrado.

19Como na água o rosto corresponde ao rosto,

assim, o coração do homem, ao homem.

20O inferno e o abismo nunca se fartam,

e os olhos do homem nunca se satisfazem.

21Como o crisol prova a prata, e o forno, o ouro,

assim, o homem é provado pelos louvores que recebe.

22Ainda que pises o insensato com mão de gral

entre grãos pilados de cevada,

não se vai dele a sua estultícia.

23Procura conhecer o estado das tuas ovelhas

e cuida dos teus rebanhos,

24porque as riquezas não duram para sempre,

nem a coroa, de geração em geração.

25Quando, removido o feno, aparecerem os renovos

e se recolherem as ervas dos montes,

26então, os cordeiros te darão as vestes,

os bodes, o preço do campo,

27e as cabras, leite em abundância para teu alimento,

para alimento da tua casa e para sustento das tuas servas.

28

Provérbios antitéticos

281Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga;

mas o justo é intrépido como o leão.

2Por causa da transgressão da terra,

mudam-se frequentemente os príncipes,

mas por um, sábio e prudente, se faz estável a sua ordem.

3O homem pobre que oprime os pobres é como chuva

que a tudo arrasta e não deixa trigo.

4Os que desamparam a lei louvam o perverso,

mas os que guardam a lei se indignam contra ele.

5Os homens maus não entendem o que é justo,

mas os que buscam o Senhor entendem tudo.

6Melhor é o pobre que anda na sua integridade

do que o perverso, nos seus caminhos, ainda que seja rico.

7O que guarda a lei é filho prudente,

mas o companheiro de libertinos envergonha a seu pai.

8O que aumenta os seus bens com juros e ganância

ajunta-os para o que se compadece do pobre.

9O que desvia os ouvidos de ouvir a lei,

até a sua oração será abominável.

10O que desvia os retos para o mau caminho,

ele mesmo cairá na cova que fez,

mas os íntegros herdarão o bem.

11O homem rico é sábio aos seus próprios olhos;

mas o pobre que é sábio sabe sondá-lo.

12Quando triunfam os justos, há grande festividade;

quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem.

13O que encobre as suas transgressões jamais prosperará;

mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

14Feliz o homem constante no temor de Deus;

mas o que endurece o coração cairá no mal.

15Como leão que ruge e urso que ataca,

assim é o perverso que domina sobre um povo pobre.

16O príncipe falto de inteligência multiplica as opressões,

mas o que aborrece a avareza viverá muitos anos.

17O homem carregado do sangue de outrem

fugirá até à cova;

ninguém o detenha.

18O que anda em integridade será salvo,

mas o perverso em seus caminhos cairá logo.

19O que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão,

mas o que se ajunta a vadios se fartará de pobreza.

20O homem fiel será cumulado de bênçãos,

mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo.

21Parcialidade não é bom,

porque até por um bocado de pão o homem prevaricará.

22Aquele que tem olhos invejosos corre atrás das riquezas,

mas não sabe que há de vir sobre ele a penúria.

23O que repreende ao homem achará, depois, mais favor

do que aquele que lisonjeia com a língua.

24O que rouba a seu pai ou a sua mãe e diz: Não é pecado,

companheiro é do destruidor.

25O cobiçoso levanta contendas,

mas o que confia no Senhor prosperará.

26O que confia no seu próprio coração é insensato,

mas o que anda em sabedoria será salvo.

27O que dá ao pobre não terá falta,

mas o que dele esconde os olhos será cumulado de maldições.

28Quando sobem os perversos, os homens se escondem,

mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam.

29

291O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz

será quebrantado de repente sem que haja cura.

2Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra,

quando, porém, domina o perverso, o povo suspira.

3O homem que ama a sabedoria alegra a seu pai,

mas o companheiro de prostitutas desperdiça os bens.

4O rei justo sustém a terra,

mas o amigo de impostos a transtorna.

5O homem que lisonjeia a seu próximo

arma-lhe uma rede aos passos.

6Na transgressão do homem mau, há laço,

mas o justo canta e se regozija.

7Informa-se o justo da causa dos pobres,

mas o perverso de nada disso quer saber.

8Os homens escarnecedores alvoroçam a cidade,

mas os sábios desviam a ira.

9Se o homem sábio discute com o insensato,

quer este se encolerize, quer se ria, não haverá fim.

10Os sanguinários aborrecem o íntegro,

ao passo que, quanto aos retos, procuram tirar-lhes a vida.

11O insensato expande toda a sua ira,

mas o sábio afinal lha reprime.

12Se o governador dá atenção a palavras mentirosas,

virão a ser perversos todos os seus servos.

13O pobre e o seu opressor se encontram,

mas é o Senhor quem dá luz aos olhos de ambos.

14O rei que julga os pobres com equidade

firmará o seu trono para sempre.

15A vara e a disciplina dão sabedoria,

mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.

16Quando os perversos se multiplicam,

multiplicam-se as transgressões,

mas os justos verão a ruína deles.

17Corrige o teu filho, e te dará descanso,

dará delícias à tua alma.

18Não havendo profecia, o povo se corrompe;

mas o que guarda a lei, esse é feliz.

19O servo não se emendará com palavras,

porque, ainda que entenda, não obedecerá.

20Tens visto um homem precipitado nas suas palavras?

Maior esperança há para o insensato do que para ele.

21Se alguém amimar o escravo desde a infância,

por fim ele quererá ser filho.

22O iracundo levanta contendas,

e o furioso multiplica as transgressões.

23A soberba do homem o abaterá,

mas o humilde de espírito obterá honra.

24O que tem parte com o ladrão aborrece a própria alma;

ouve as maldições e nada denuncia.

25Quem teme ao homem arma ciladas,

mas o que confia no Senhor está seguro.

26Muitos buscam o favor daquele que governa,

mas para o homem a justiça vem do Senhor.

27Para o justo, o iníquo é abominação,

e o reto no seu caminho é abominação ao perverso.

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