Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
26

261Como a neve no verão e como a chuva na ceifa,

assim, a honra não convém ao insensato.

2Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu voo,

assim, a maldição sem causa não se cumpre.

3O açoite é para o cavalo, o freio, para o jumento,

e a vara, para as costas dos insensatos.

4Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia,

para que não te faças semelhante a ele.

5Ao insensato responde segundo a sua estultícia,

para que não seja ele sábio aos seus próprios olhos.

6Os pés corta e o dano sofre

quem manda mensagens por intermédio do insensato.

7As pernas do coxo pendem bambas;

assim é o provérbio na boca dos insensatos.

8Como o que atira pedra preciosa num montão de ruínas,

assim é o que dá honra ao insensato.

9Como galho de espinhos na mão do bêbado,

assim é o provérbio na boca dos insensatos.

10Como um flecheiro que a todos fere,

assim é o que assalaria os insensatos e os transgressores.

11Como o cão que torna ao seu vômito,

26.11
2Pe 2.22

assim é o insensato que reitera a sua estultícia.

12Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos?

Maior esperança há no insensato do que nele.

13Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho;

um leão está nas ruas.

14Como a porta se revolve nos seus gonzos,

assim, o preguiçoso, no seu leito.

15O preguiçoso mete a mão no prato

e não quer ter o trabalho de a levar à boca.

16Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos

do que sete homens que sabem responder bem.

17Quem se mete em questão alheia

é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa.

18Como o louco que lança

fogo, flechas e morte,

19assim é o homem que engana a seu próximo

e diz: Fiz isso por brincadeira.

20Sem lenha, o fogo se apaga;

e, não havendo maldizente, cessa a contenda.

21Como o carvão é para a brasa, e a lenha, para o fogo,

assim é o homem contencioso para acender rixas.

22As palavras do maldizente são comida fina,

que desce para o mais interior do ventre.

23Como vaso de barro coberto de escórias de prata,

assim são os lábios amorosos e o coração maligno.

24Aquele que aborrece dissimula com os lábios,

mas no íntimo encobre o engano;

25quando te falar suavemente, não te fies nele,

porque sete abominações há no seu coração.

26Ainda que o seu ódio se encobre com engano,

a sua malícia se descobrirá publicamente.

27Quem abre uma cova nela cairá;

e a pedra rolará sobre quem a revolve.

28A língua falsa aborrece a quem feriu,

e a boca lisonjeira é causa de ruína.

27

271Não te glories do dia de amanhã,

27.1
Tg 4.13-16

porque não sabes o que trará à luz.

2Seja outro o que te louve, e não a tua boca;

o estrangeiro, e não os teus lábios.

3Pesada é a pedra, e a areia é uma carga;

mas a ira do insensato é mais pesada do que uma e outra.

4Cruel é o furor, e impetuosa, a ira,

mas quem pode resistir à inveja?

5Melhor é a repreensão franca

do que o amor encoberto.

6Leais são as feridas feitas pelo que ama,

porém os beijos de quem odeia são enganosos.

7A alma farta pisa o favo de mel,

mas à alma faminta todo amargo é doce.

8Qual ave que vagueia longe do seu ninho,

tal é o homem que anda vagueando longe do seu lar.

9Como o óleo e o perfume alegram o coração,

assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.

10Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai,

nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade.

Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.

11Sê sábio, filho meu, e alegra o meu coração,

para que eu saiba responder àqueles que me afrontam.

12O prudente vê o mal e esconde-se;

mas os simples passam adiante e sofrem a pena.

13Tome-se a roupa àquele que fica fiador por outrem;

e, por penhor, àquele que se obriga por mulher estranha.

14O que bendiz ao seu vizinho em alta voz, logo de manhã,

por maldição lhe atribuem o que faz.

15O gotejar contínuo no dia de grande chuva

e a mulher rixosa são semelhantes;

16contê-la seria conter o vento,

seria pegar o óleo na mão.

17Como o ferro com o ferro se afia,

assim, o homem, ao seu amigo.

18O que trata da figueira comerá do seu fruto;

e o que cuida do seu senhor será honrado.

19Como na água o rosto corresponde ao rosto,

assim, o coração do homem, ao homem.

20O inferno e o abismo nunca se fartam,

e os olhos do homem nunca se satisfazem.

21Como o crisol prova a prata, e o forno, o ouro,

assim, o homem é provado pelos louvores que recebe.

22Ainda que pises o insensato com mão de gral

entre grãos pilados de cevada,

não se vai dele a sua estultícia.

23Procura conhecer o estado das tuas ovelhas

e cuida dos teus rebanhos,

24porque as riquezas não duram para sempre,

nem a coroa, de geração em geração.

25Quando, removido o feno, aparecerem os renovos

e se recolherem as ervas dos montes,

26então, os cordeiros te darão as vestes,

os bodes, o preço do campo,

27e as cabras, leite em abundância para teu alimento,

para alimento da tua casa e para sustento das tuas servas.

28

Provérbios antitéticos

281Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga;

mas o justo é intrépido como o leão.

2Por causa da transgressão da terra,

mudam-se frequentemente os príncipes,

mas por um, sábio e prudente, se faz estável a sua ordem.

3O homem pobre que oprime os pobres é como chuva

que a tudo arrasta e não deixa trigo.

4Os que desamparam a lei louvam o perverso,

mas os que guardam a lei se indignam contra ele.

5Os homens maus não entendem o que é justo,

mas os que buscam o Senhor entendem tudo.

6Melhor é o pobre que anda na sua integridade

do que o perverso, nos seus caminhos, ainda que seja rico.

7O que guarda a lei é filho prudente,

mas o companheiro de libertinos envergonha a seu pai.

8O que aumenta os seus bens com juros e ganância

ajunta-os para o que se compadece do pobre.

9O que desvia os ouvidos de ouvir a lei,

até a sua oração será abominável.

10O que desvia os retos para o mau caminho,

ele mesmo cairá na cova que fez,

mas os íntegros herdarão o bem.

11O homem rico é sábio aos seus próprios olhos;

mas o pobre que é sábio sabe sondá-lo.

12Quando triunfam os justos, há grande festividade;

quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem.

13O que encobre as suas transgressões jamais prosperará;

mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

14Feliz o homem constante no temor de Deus;

mas o que endurece o coração cairá no mal.

15Como leão que ruge e urso que ataca,

assim é o perverso que domina sobre um povo pobre.

16O príncipe falto de inteligência multiplica as opressões,

mas o que aborrece a avareza viverá muitos anos.

17O homem carregado do sangue de outrem

fugirá até à cova;

ninguém o detenha.

18O que anda em integridade será salvo,

mas o perverso em seus caminhos cairá logo.

19O que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão,

mas o que se ajunta a vadios se fartará de pobreza.

20O homem fiel será cumulado de bênçãos,

mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo.

21Parcialidade não é bom,

porque até por um bocado de pão o homem prevaricará.

22Aquele que tem olhos invejosos corre atrás das riquezas,

mas não sabe que há de vir sobre ele a penúria.

23O que repreende ao homem achará, depois, mais favor

do que aquele que lisonjeia com a língua.

24O que rouba a seu pai ou a sua mãe e diz: Não é pecado,

companheiro é do destruidor.

25O cobiçoso levanta contendas,

mas o que confia no Senhor prosperará.

26O que confia no seu próprio coração é insensato,

mas o que anda em sabedoria será salvo.

27O que dá ao pobre não terá falta,

mas o que dele esconde os olhos será cumulado de maldições.

28Quando sobem os perversos, os homens se escondem,

mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam.