Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
24

241Não tenhas inveja dos homens malignos,

nem queiras estar com eles,

2porque o seu coração maquina violência,

e os seus lábios falam para o mal.

3Com a sabedoria edifica-se a casa,

e com a inteligência ela se firma;

4pelo conhecimento se encherão as câmaras

de toda sorte de bens, preciosos e deleitáveis.

5Mais poder tem o sábio do que o forte,

e o homem de conhecimento, mais do que o robusto.

6Com medidas de prudência farás a guerra;

na multidão de conselheiros está a vitória.

7A sabedoria é alta demais para o insensato;

no juízo, a sua boca não terá palavra.

8Ao que cuida em fazer o mal,

mestre de intrigas lhe chamarão.

9Os desígnios do insensato são pecado,

e o escarnecedor é abominável aos homens.

10Se te mostras fraco no dia da angústia,

a tua força é pequena.

11Livra os que estão sendo levados para a morte

e salva os que cambaleiam indo para serem mortos.

12Se disseres: Não o soubemos,

não o perceberá aquele que pesa os corações?

Não o saberá aquele que atenta para a tua alma?

E não pagará ele ao homem segundo as suas obras?

13Filho meu, saboreia o mel, porque é saudável,

e o favo, porque é doce ao teu paladar.

14Então, sabe que assim é a sabedoria para a tua alma;

se a achares, haverá bom futuro,

e não será frustrada a tua esperança.

15Não te ponhas de emboscada, ó perverso, contra a habitação do justo,

nem assoles o lugar do seu repouso,

16porque sete vezes cairá o justo e se levantará;

mas os perversos são derribados pela calamidade.

17Quando cair o teu inimigo, não te alegres,

e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar;

18para que o Senhor não veja isso,

e lhe desagrade, e desvie dele a sua ira.

19Não te aflijas por causa dos malfeitores,

nem tenhas inveja dos perversos,

20porque o maligno não terá bom futuro,

e a lâmpada dos perversos se apagará.

21Teme ao Senhor, filho meu, e ao rei

e não te associes com os revoltosos.

22Porque de repente levantará a sua perdição,

e a ruína que virá daqueles dois, quem a conhecerá?

Mais alguns provérbios dos sábios

23São também estes provérbios dos sábios.

Parcialidade no julgar não é bom.

24O que disser ao perverso: Tu és justo;

pelo povo será maldito e detestado pelas nações.

25Mas os que o repreenderem se acharão bem,

e sobre eles virão grandes bênçãos.

26Como beijo nos lábios,

é a resposta com palavras retas.

27Cuida dos teus negócios lá fora,

apronta a lavoura no campo

e, depois, edifica a tua casa.

28Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo,

nem o enganes com os teus lábios.

29Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele;

pagarei a cada um segundo a sua obra.

30Passei pelo campo do preguiçoso

e junto à vinha do homem falto de entendimento;

31eis que tudo estava cheio de espinhos,

a sua superfície, coberta de urtigas,

e o seu muro de pedra, em ruínas.

32Tendo-o visto, considerei;

vi e recebi a instrução.

33Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar,

um pouco para encruzar os braços em repouso,

34assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão,

e a tua necessidade, como um homem armado.

24.33-34
Pv 6.10-11

25

Símiles e lições morais

251São também estes provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá.

2A glória de Deus é encobrir as coisas,

mas a glória dos reis é esquadrinhá-las.

3Como a altura dos céus e a profundeza da terra,

assim o coração dos reis é insondável.

4Tira da prata a escória,

e sairá vaso para o ourives;

5tira o perverso da presença do rei,

e o seu trono se firmará na justiça.

6Não te glories na presença do rei,

nem te ponhas no meio dos grandes;

7porque melhor é que te digam: Sobe para aqui!,

do que seres humilhado diante do príncipe.

25.6-7
Lc 14.8-10

A respeito do que os teus olhos viram,

8não te apresses a litigar,

pois, ao fim, que farás,

quando o teu próximo te puser em apuros?

9Pleiteia a tua causa diretamente com o teu próximo

e não descubras o segredo de outrem;

10para que não te vitupere aquele que te ouvir,

e não se te apegue a tua infâmia.

11Como maçãs de ouro em salvas de prata,

assim é a palavra dita a seu tempo.

12Como pendentes e joias de ouro puro,

assim é o sábio repreensor para o ouvido atento.

13Como o frescor de neve no tempo da ceifa,

assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam,

porque refrigera a alma dos seus senhores.

14Como nuvens e ventos que não trazem chuva,

assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez.

15A longanimidade persuade o príncipe,

e a língua branda esmaga ossos.

16Achaste mel? Come apenas o que te basta,

para que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo.

17Não sejas frequente na casa do teu próximo,

para que não se enfade de ti e te aborreça.

18Maça, espada e flecha aguda é o homem

que levanta falso testemunho contra o seu próximo.

19Como dente quebrado e pé sem firmeza,

assim é a confiança no desleal, no tempo da angústia.

20Como quem se despe num dia de frio

e como vinagre sobre feridas,

assim é o que entoa canções junto ao coração aflito.

21Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer;

se tiver sede, dá-lhe água para beber,

22porque assim amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça,

e o Senhor te retribuirá.

25.21-22
Rm 12.20

23O vento norte traz chuva,

e a língua fingida, o rosto irado.

24Melhor é morar no canto do eirado

do que junto com a mulher rixosa na mesma casa.

25Como água fria para o sedento,

tais são as boas-novas vindas de um país remoto.

26Como fonte que foi turvada e manancial corrupto,

assim é o justo que cede ao perverso.

27Comer muito mel não é bom;

assim, procurar a própria honra não é honra.

28Como cidade derribada, que não tem muros,

assim é o homem que não tem domínio próprio.

26

261Como a neve no verão e como a chuva na ceifa,

assim, a honra não convém ao insensato.

2Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu voo,

assim, a maldição sem causa não se cumpre.

3O açoite é para o cavalo, o freio, para o jumento,

e a vara, para as costas dos insensatos.

4Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia,

para que não te faças semelhante a ele.

5Ao insensato responde segundo a sua estultícia,

para que não seja ele sábio aos seus próprios olhos.

6Os pés corta e o dano sofre

quem manda mensagens por intermédio do insensato.

7As pernas do coxo pendem bambas;

assim é o provérbio na boca dos insensatos.

8Como o que atira pedra preciosa num montão de ruínas,

assim é o que dá honra ao insensato.

9Como galho de espinhos na mão do bêbado,

assim é o provérbio na boca dos insensatos.

10Como um flecheiro que a todos fere,

assim é o que assalaria os insensatos e os transgressores.

11Como o cão que torna ao seu vômito,

26.11
2Pe 2.22

assim é o insensato que reitera a sua estultícia.

12Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos?

Maior esperança há no insensato do que nele.

13Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho;

um leão está nas ruas.

14Como a porta se revolve nos seus gonzos,

assim, o preguiçoso, no seu leito.

15O preguiçoso mete a mão no prato

e não quer ter o trabalho de a levar à boca.

16Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos

do que sete homens que sabem responder bem.

17Quem se mete em questão alheia

é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa.

18Como o louco que lança

fogo, flechas e morte,

19assim é o homem que engana a seu próximo

e diz: Fiz isso por brincadeira.

20Sem lenha, o fogo se apaga;

e, não havendo maldizente, cessa a contenda.

21Como o carvão é para a brasa, e a lenha, para o fogo,

assim é o homem contencioso para acender rixas.

22As palavras do maldizente são comida fina,

que desce para o mais interior do ventre.

23Como vaso de barro coberto de escórias de prata,

assim são os lábios amorosos e o coração maligno.

24Aquele que aborrece dissimula com os lábios,

mas no íntimo encobre o engano;

25quando te falar suavemente, não te fies nele,

porque sete abominações há no seu coração.

26Ainda que o seu ódio se encobre com engano,

a sua malícia se descobrirá publicamente.

27Quem abre uma cova nela cairá;

e a pedra rolará sobre quem a revolve.

28A língua falsa aborrece a quem feriu,

e a boca lisonjeira é causa de ruína.

Utilizamos cookies de acordo com o nossa Política de Privacidade, respeitando todos as suas informações pessoais.[ocultar]