Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
21

211Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor;

este, segundo o seu querer, o inclina.

2Todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos,

mas o Senhor sonda os corações.

3Exercitar justiça e juízo

é mais aceitável ao Senhor do que sacrifício.

4Olhar altivo e coração orgulhoso,

a lâmpada dos perversos, são pecado.

5Os planos do diligente tendem à abundância,

mas a pressa excessiva, à pobreza.

6Trabalhar por adquirir tesouro com língua falsa

é vaidade e laço mortal.

7A violência dos perversos os arrebata,

porque recusam praticar a justiça.

8Tortuoso é o caminho do homem carregado de culpa,

mas reto, o proceder do honesto.

9Melhor é morar no canto do eirado

do que junto com a mulher rixosa na mesma casa.

10A alma do perverso deseja o mal;

nem o seu vizinho recebe dele compaixão.

11Quando o escarnecedor é castigado, o simples se torna sábio;

e, quando o sábio é instruído, recebe o conhecimento.

12O Justo considera a casa dos perversos

e os arrasta para o mal.

13O que tapa o ouvido ao clamor do pobre

também clamará e não será ouvido.

14O presente que se dá em segredo abate a ira,

e a dádiva em sigilo, uma forte indignação.

15Praticar a justiça é alegria para o justo,

mas espanto, para os que praticam a iniquidade.

16O homem que se desvia do caminho do entendimento

na congregação dos mortos repousará.

17Quem ama os prazeres empobrecerá,

quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá.

18O perverso serve de resgate para o justo;

e, para os retos, o pérfido.

19Melhor é morar numa terra deserta

do que com a mulher rixosa e iracunda.

20Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio,

mas o homem insensato os desperdiça.

21O que segue a justiça e a bondade

achará a vida, a justiça e a honra.

22O sábio escala a cidade dos valentes

e derriba a fortaleza em que ela confia.

23O que guarda a boca e a língua

guarda a sua alma das angústias.

24Quanto ao soberbo e presumido, zombador é seu nome;

procede com indignação e arrogância.

25O preguiçoso morre desejando,

porque as suas mãos recusam trabalhar.

26O cobiçoso cobiça todo o dia,

mas o justo dá e nada retém.

27O sacrifício dos perversos já é abominação;

quanto mais oferecendo-o com intenção maligna!

28A testemunha falsa perecerá,

mas a auricular falará sem ser contestada.

29O homem perverso mostra dureza no rosto,

mas o reto considera o seu caminho.

30Não há sabedoria, nem inteligência,

nem mesmo conselho contra o Senhor.

31O cavalo prepara-se para o dia da batalha,

mas a vitória vem do Senhor.

22

221Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas;

e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro.

2O rico e o pobre se encontram;

a um e a outro faz o Senhor.

3O prudente vê o mal e esconde-se;

mas os simples passam adiante e sofrem a pena.

4O galardão da humildade e o temor do Senhor

são riquezas, e honra, e vida.

5Espinhos e laços há no caminho do perverso;

o que guarda a sua alma retira-se para longe deles.

6Ensina a criança no caminho em que deve andar,

e, ainda quando for velho, não se desviará dele.

7O rico domina sobre o pobre,

e o que toma emprestado é servo do que empresta.

8O que semeia a injustiça segará males;

e a vara da sua indignação falhará.

9O generoso será abençoado,

porque dá do seu pão ao pobre.

10Lança fora o escarnecedor, e com ele se irá a contenda;

cessarão as demandas e a ignomínia.

11O que ama a pureza do coração e é grácil no falar

terá por amigo o rei.

12Os olhos do Senhor conservam aquele que tem conhecimento,

mas as palavras do iníquo ele transtornará.

13Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora;

serei morto no meio das ruas.

14Cova profunda é a boca da mulher estranha;

aquele contra quem o Senhor se irar cairá nela.

15A estultícia está ligada ao coração da criança,

mas a vara da disciplina a afastará dela.

16O que oprime ao pobre para enriquecer a si

ou o que dá ao rico certamente empobrecerá.

Preceitos e admoestações dos sábios

17Inclina o ouvido, e ouve as palavras dos sábios,

e aplica o coração ao meu conhecimento.

18Porque é coisa agradável os guardares no teu coração

e os aplicares todos aos teus lábios.

19Para que a tua confiança esteja no Senhor,

quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo.

20Porventura, não te escrevi excelentes coisas

acerca de conselhos e conhecimentos,

21para mostrar-te a certeza das palavras da verdade,

a fim de que possas responder claramente aos que te enviarem?

22Não roubes ao pobre, porque é pobre,

nem oprimas em juízo ao aflito,

23porque o Senhor defenderá a causa deles

e tirará a vida aos que os despojam.

24Não te associes com o iracundo,

nem andes com o homem colérico,

25para que não aprendas as suas veredas

e, assim, enlaces a tua alma.

26Não estejas entre os que se comprometem

e ficam por fiadores de dívidas,

27pois, se não tens com que pagar,

por que arriscas perder a cama de debaixo de ti?

28Não removas os marcos antigos

que puseram teus pais.

29Vês a um homem perito na sua obra?

Perante reis será posto; não entre a plebe.

23

231Quando te assentares a comer com um governador,

atenta bem para aquele que está diante de ti;

2mete uma faca à tua garganta,

se és homem glutão.

3Não cobices os seus delicados manjares,

porque são comidas enganadoras.

4Não te fatigues para seres rico;

não apliques nisso a tua inteligência.

5Porventura, fitarás os olhos naquilo que não é nada?

Pois, certamente, a riqueza fará para si asas,

como a águia que voa pelos céus.

6Não comas o pão do invejoso,

nem cobices os seus delicados manjares.

7Porque, como imagina em sua alma, assim ele é;

ele te diz: Come e bebe;

mas o seu coração não está contigo.

8Vomitarás o bocado que comeste

e perderás as tuas suaves palavras.

9Não fales aos ouvidos do insensato,

porque desprezará a sabedoria das tuas palavras.

10Não removas os marcos antigos,

nem entres nos campos dos órfãos,

11porque o seu Vingador é forte

e lhes pleiteará a causa contra ti.

12Aplica o coração ao ensino

e os ouvidos às palavras do conhecimento.

13Não retires da criança a disciplina,

pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.

14Tu a fustigarás com a vara

e livrarás a sua alma do inferno.

15Filho meu, se o teu coração for sábio,

alegrar-se-á também o meu;

16exultará o meu íntimo,

quando os teus lábios falarem coisas retas.

17Não tenha o teu coração inveja dos pecadores;

antes, no temor do Senhor perseverarás todo dia.

18Porque deveras haverá bom futuro;

não será frustrada a tua esperança.

19Ouve, filho meu, e sê sábio;

guia retamente no caminho o teu coração.

20Não estejas entre os bebedores de vinho

nem entre os comilões de carne.

21Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza;

e a sonolência vestirá de trapos o homem.

22Ouve a teu pai, que te gerou,

e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer.

23Compra a verdade e não a vendas;

compra a sabedoria, a instrução e o entendimento.

24Grandemente se regozijará o pai do justo,

e quem gerar a um sábio nele se alegrará.

25Alegrem-se teu pai e tua mãe,

e regozije-se a que te deu à luz.

26Dá-me, filho meu, o teu coração,

e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.

27Pois cova profunda é a prostituta,

poço estreito, a alheia.

28Ela, como salteador, se põe a espreitar

e multiplica entre os homens os infiéis.

29Para quem são os ais? Para quem, os pesares?

Para quem, as rixas? Para quem, as queixas?

Para quem, as feridas sem causa?

E para quem, os olhos vermelhos?

30Para os que se demoram em beber vinho,

para os que andam buscando bebida misturada.

31Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho,

quando resplandece no copo e se escoa suavemente.

32Pois ao cabo morderá como a cobra

e picará como o basilisco.

33Os teus olhos verão coisas esquisitas,

e o teu coração falará perversidades.

34Serás como o que se deita no meio do mar

e como o que se deita no alto do mastro

35e dirás: Espancaram-me, e não me doeu;

bateram-me, e não o senti;

quando despertarei?

Então, tornarei a beber.