Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
18

181O solitário busca o seu próprio interesse

e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.

2O insensato não tem prazer no entendimento,

senão em externar o seu interior.

3Vindo a perversidade, vem também o desprezo;

e, com a ignomínia, a vergonha.

4Águas profundas são as palavras da boca do homem,

e a fonte da sabedoria, ribeiros transbordantes.

5Não é bom ser parcial com o perverso,

para torcer o direito contra os justos.

6Os lábios do insensato entram na contenda,

e por açoites brada a sua boca.

7A boca do insensato é a sua própria destruição,

e os seus lábios, um laço para a sua alma.

8As palavras do maldizente são doces bocados

que descem para o mais interior do ventre.

9Quem é negligente na sua obra

já é irmão do desperdiçador.

10Torre forte é o nome do Senhor,

à qual o justo se acolhe e está seguro.

11Os bens do rico lhe são cidade forte

e, segundo imagina, uma alta muralha.

12Antes da ruína, gaba-se o coração do homem,

e diante da honra vai a humildade.

13Responder antes de ouvir

é estultícia e vergonha.

14O espírito firme sustém o homem na sua doença,

mas o espírito abatido, quem o pode suportar?

15O coração do sábio adquire o conhecimento,

e o ouvido dos sábios procura o saber.

16O presente que o homem faz alarga-lhe o caminho

e leva-o perante os grandes.

17O que começa o pleito parece justo,

até que vem o outro e o examina.

18Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos,

e se decide a causa entre os poderosos.

19O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza;

suas contendas são ferrolhos de um castelo.

20Do fruto da boca o coração se farta,

do que produzem os lábios se satisfaz.

21A morte e a vida estão no poder da língua;

o que bem a utiliza come do seu fruto.

22O que acha uma esposa acha o bem

e alcançou a benevolência do Senhor.

23O pobre fala com súplicas,

porém o rico responde com durezas.

24O homem que tem muitos amigos sai perdendo;

mas há amigo mais chegado do que um irmão.

19

191Melhor é o pobre que anda na sua integridade

do que o perverso de lábios e tolo.

2Não é bom proceder sem refletir,

e peca quem é precipitado.

3A estultícia do homem perverte o seu caminho,

mas é contra o Senhor que o seu coração se ira.

4As riquezas multiplicam os amigos;

mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa.

5A falsa testemunha não fica impune,

e o que profere mentiras não escapa.

6Ao generoso, muitos o adulam,

e todos são amigos do que dá presentes.

7Se os irmãos do pobre o aborrecem,

quanto mais se afastarão dele os seus amigos!

Corre após eles com súplicas, mas não os alcança.

8O que adquire entendimento ama a sua alma;

o que conserva a inteligência acha o bem.

9A falsa testemunha não fica impune,

e o que profere mentiras perece.

10Ao insensato não convém a vida regalada,

quanto menos ao escravo dominar os príncipes!

11A discrição do homem o torna longânimo,

e sua glória é perdoar as injúrias.

12Como o bramido do leão, assim é a indignação do rei;

mas seu favor é como o orvalho sobre a erva.

13O filho insensato é a desgraça do pai,

e um gotejar contínuo, as contenções da esposa.

14A casa e os bens vêm como herança dos pais;

mas do Senhor, a esposa prudente.

15A preguiça faz cair em profundo sono,

e o ocioso vem a padecer fome.

16O que guarda o mandamento guarda a sua alma;

mas o que despreza os seus caminhos, esse morre.

17Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta,

e este lhe paga o seu benefício.

18Castiga a teu filho, enquanto há esperança,

mas não te excedas a ponto de matá-lo.

19Homem de grande ira tem de sofrer o dano;

porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo.

20Ouve o conselho e recebe a instrução,

para que sejas sábio nos teus dias por vir.

21Muitos propósitos há no coração do homem,

mas o desígnio do Senhor permanecerá.

22O que torna agradável o homem é a sua misericórdia;

o pobre é preferível ao mentiroso.

23O temor do Senhor conduz à vida;

aquele que o tem ficará satisfeito, e mal nenhum o visitará.

24O preguiçoso mete a mão no prato

e não quer ter o trabalho de a levar à boca.

25Quando ferires ao escarnecedor, o simples aprenderá a prudência;

repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento.

26O que maltrata a seu pai ou manda embora a sua mãe

filho é que envergonha e desonra.

27Filho meu, se deixas de ouvir a instrução,

desviar-te-ás das palavras do conhecimento.

28A testemunha de Belial escarnece da justiça,

e a boca dos perversos devora a iniquidade.

29Preparados estão os juízos para os escarnecedores

e os açoites, para as costas dos insensatos.

20

201O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora;

todo aquele que por eles é vencido não é sábio.

2Como o bramido do leão, é o terror do rei;

o que lhe provoca a ira peca contra a sua própria vida.

3Honroso é para o homem o desviar-se de contendas,

mas todo insensato se mete em rixas.

4O preguiçoso não lavra por causa do inverno,

pelo que, na sega, procura e nada encontra.

5Como águas profundas, são os propósitos do coração do homem,

mas o homem de inteligência sabe descobri-los.

6Muitos proclamam a sua própria benignidade;

mas o homem fidedigno, quem o achará?

7O justo anda na sua integridade;

felizes lhe são os filhos depois dele.

8Assentando-se o rei no trono do juízo,

com os seus olhos dissipa todo mal.

9Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração,

limpo estou do meu pecado?

10Dois pesos e duas medidas,

uns e outras são abomináveis ao Senhor.

11Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações,

se o que faz é puro e reto.

12O ouvido que ouve e o olho que vê,

o Senhor os fez, tanto um como o outro.

13Não ames o sono, para que não empobreças;

abre os olhos e te fartarás do teu próprio pão.

14Nada vale, nada vale, diz o comprador,

mas, indo-se, então, se gaba.

15Há ouro e abundância de pérolas,

mas os lábios instruídos são joia preciosa.

16Tome-se a roupa àquele que fica fiador por outrem;

e, por penhor, àquele que se obriga por estrangeiros.

17Suave é ao homem o pão ganho por fraude,

mas, depois, a sua boca se encherá de pedrinhas de areia.

18Os planos mediante os conselhos têm bom êxito;

faze a guerra com prudência.

19O mexeriqueiro revela o segredo;

portanto, não te metas com quem muito abre os lábios.

20A quem amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe,

apagar-se-lhe-á a lâmpada nas mais densas trevas.

21A posse antecipada de uma herança

no fim não será abençoada.

22Não digas: Vingar-me-ei do mal;

espera pelo Senhor, e ele te livrará.

23Dois pesos são coisa abominável ao Senhor,

e balança enganosa não é boa.

24Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor;

como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?

25Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo!

E só refletir depois de fazer o voto.

26O rei sábio joeira os perversos

e faz passar sobre eles a roda.

27O espírito do homem é a lâmpada do Senhor,

a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.

28Amor e fidelidade preservam o rei,

e com benignidade sustém ele o seu trono.

29O ornato dos jovens é a sua força,

e a beleza dos velhos, as suas cãs.

30Os vergões das feridas purificam do mal,

e os açoites, o mais íntimo do corpo.

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