Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

171Melhor é um bocado seco e tranquilidade

do que a casa farta de carnes e contendas.

2O escravo prudente dominará sobre o filho que causa vergonha

e, entre os irmãos, terá parte na herança.

3O crisol prova a prata, e o forno, o ouro;

mas aos corações prova o Senhor.

4O malfazejo atenta para o lábio iníquo;

o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna.

5O que escarnece do pobre insulta ao que o criou;

o que se alegra da calamidade não ficará impune.

6Coroa dos velhos são os filhos dos filhos;

e a glória dos filhos são os pais.

7Ao insensato não convém a palavra excelente;

quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso!

8Pedra mágica é o suborno aos olhos de quem o dá,

e para onde quer que se volte terá seu proveito.

9O que encobre a transgressão adquire amor,

mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.

10Mais fundo entra a repreensão no prudente

do que cem açoites no insensato.

11O rebelde não busca senão o mal;

por isso, mensageiro cruel se enviará contra ele.

12Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos

do que o insensato na sua estultícia.

13Quanto àquele que paga o bem com o mal,

não se apartará o mal da sua casa.

14Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda;

desiste, pois, antes que haja rixas.

15O que justifica o perverso e o que condena o justo

abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.

16De que serviria o dinheiro na mão do insensato para comprar a sabedoria,

visto que não tem entendimento?

17Em todo tempo ama o amigo,

e na angústia se faz o irmão.

18O homem falto de entendimento compromete-se,

ficando por fiador do seu próximo.

19O que ama a contenda ama o pecado;

o que faz alta a sua porta facilita a própria queda.

20O perverso de coração jamais achará o bem;

e o que tem a língua dobre vem a cair no mal.

21O filho estulto é tristeza para o pai,

e o pai do insensato não se alegra.

22O coração alegre é bom remédio,

mas o espírito abatido faz secar os ossos.

23O perverso aceita suborno secretamente,

para perverter as veredas da justiça.

24A sabedoria é o alvo do inteligente,

mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra.

25O filho insensato é tristeza para o pai

e amargura para quem o deu à luz.

26Não é bom punir ao justo;

é contra todo direito ferir ao príncipe.

27Quem retém as palavras possui o conhecimento,

e o sereno de espírito é homem de inteligência.

28Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio,

e o que cerra os lábios, por sábio.

18

181O solitário busca o seu próprio interesse

e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.

2O insensato não tem prazer no entendimento,

senão em externar o seu interior.

3Vindo a perversidade, vem também o desprezo;

e, com a ignomínia, a vergonha.

4Águas profundas são as palavras da boca do homem,

e a fonte da sabedoria, ribeiros transbordantes.

5Não é bom ser parcial com o perverso,

para torcer o direito contra os justos.

6Os lábios do insensato entram na contenda,

e por açoites brada a sua boca.

7A boca do insensato é a sua própria destruição,

e os seus lábios, um laço para a sua alma.

8As palavras do maldizente são doces bocados

que descem para o mais interior do ventre.

9Quem é negligente na sua obra

já é irmão do desperdiçador.

10Torre forte é o nome do Senhor,

à qual o justo se acolhe e está seguro.

11Os bens do rico lhe são cidade forte

e, segundo imagina, uma alta muralha.

12Antes da ruína, gaba-se o coração do homem,

e diante da honra vai a humildade.

13Responder antes de ouvir

é estultícia e vergonha.

14O espírito firme sustém o homem na sua doença,

mas o espírito abatido, quem o pode suportar?

15O coração do sábio adquire o conhecimento,

e o ouvido dos sábios procura o saber.

16O presente que o homem faz alarga-lhe o caminho

e leva-o perante os grandes.

17O que começa o pleito parece justo,

até que vem o outro e o examina.

18Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos,

e se decide a causa entre os poderosos.

19O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza;

suas contendas são ferrolhos de um castelo.

20Do fruto da boca o coração se farta,

do que produzem os lábios se satisfaz.

21A morte e a vida estão no poder da língua;

o que bem a utiliza come do seu fruto.

22O que acha uma esposa acha o bem

e alcançou a benevolência do Senhor.

23O pobre fala com súplicas,

porém o rico responde com durezas.

24O homem que tem muitos amigos sai perdendo;

mas há amigo mais chegado do que um irmão.

19

191Melhor é o pobre que anda na sua integridade

do que o perverso de lábios e tolo.

2Não é bom proceder sem refletir,

e peca quem é precipitado.

3A estultícia do homem perverte o seu caminho,

mas é contra o Senhor que o seu coração se ira.

4As riquezas multiplicam os amigos;

mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa.

5A falsa testemunha não fica impune,

e o que profere mentiras não escapa.

6Ao generoso, muitos o adulam,

e todos são amigos do que dá presentes.

7Se os irmãos do pobre o aborrecem,

quanto mais se afastarão dele os seus amigos!

Corre após eles com súplicas, mas não os alcança.

8O que adquire entendimento ama a sua alma;

o que conserva a inteligência acha o bem.

9A falsa testemunha não fica impune,

e o que profere mentiras perece.

10Ao insensato não convém a vida regalada,

quanto menos ao escravo dominar os príncipes!

11A discrição do homem o torna longânimo,

e sua glória é perdoar as injúrias.

12Como o bramido do leão, assim é a indignação do rei;

mas seu favor é como o orvalho sobre a erva.

13O filho insensato é a desgraça do pai,

e um gotejar contínuo, as contenções da esposa.

14A casa e os bens vêm como herança dos pais;

mas do Senhor, a esposa prudente.

15A preguiça faz cair em profundo sono,

e o ocioso vem a padecer fome.

16O que guarda o mandamento guarda a sua alma;

mas o que despreza os seus caminhos, esse morre.

17Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta,

e este lhe paga o seu benefício.

18Castiga a teu filho, enquanto há esperança,

mas não te excedas a ponto de matá-lo.

19Homem de grande ira tem de sofrer o dano;

porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo.

20Ouve o conselho e recebe a instrução,

para que sejas sábio nos teus dias por vir.

21Muitos propósitos há no coração do homem,

mas o desígnio do Senhor permanecerá.

22O que torna agradável o homem é a sua misericórdia;

o pobre é preferível ao mentiroso.

23O temor do Senhor conduz à vida;

aquele que o tem ficará satisfeito, e mal nenhum o visitará.

24O preguiçoso mete a mão no prato

e não quer ter o trabalho de a levar à boca.

25Quando ferires ao escarnecedor, o simples aprenderá a prudência;

repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento.

26O que maltrata a seu pai ou manda embora a sua mãe

filho é que envergonha e desonra.

27Filho meu, se deixas de ouvir a instrução,

desviar-te-ás das palavras do conhecimento.

28A testemunha de Belial escarnece da justiça,

e a boca dos perversos devora a iniquidade.

29Preparados estão os juízos para os escarnecedores

e os açoites, para as costas dos insensatos.