Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)

171Melhor é um bocado seco e tranquilidade

do que a casa farta de carnes e contendas.

2O escravo prudente dominará sobre o filho que causa vergonha

e, entre os irmãos, terá parte na herança.

3O crisol prova a prata, e o forno, o ouro;

mas aos corações prova o Senhor.

4O malfazejo atenta para o lábio iníquo;

o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna.

5O que escarnece do pobre insulta ao que o criou;

o que se alegra da calamidade não ficará impune.

6Coroa dos velhos são os filhos dos filhos;

e a glória dos filhos são os pais.

7Ao insensato não convém a palavra excelente;

quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso!

8Pedra mágica é o suborno aos olhos de quem o dá,

e para onde quer que se volte terá seu proveito.

9O que encobre a transgressão adquire amor,

mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.

10Mais fundo entra a repreensão no prudente

do que cem açoites no insensato.

11O rebelde não busca senão o mal;

por isso, mensageiro cruel se enviará contra ele.

12Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos

do que o insensato na sua estultícia.

13Quanto àquele que paga o bem com o mal,

não se apartará o mal da sua casa.

14Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda;

desiste, pois, antes que haja rixas.

15O que justifica o perverso e o que condena o justo

abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.

16De que serviria o dinheiro na mão do insensato para comprar a sabedoria,

visto que não tem entendimento?

17Em todo tempo ama o amigo,

e na angústia se faz o irmão.

18O homem falto de entendimento compromete-se,

ficando por fiador do seu próximo.

19O que ama a contenda ama o pecado;

o que faz alta a sua porta facilita a própria queda.

20O perverso de coração jamais achará o bem;

e o que tem a língua dobre vem a cair no mal.

21O filho estulto é tristeza para o pai,

e o pai do insensato não se alegra.

22O coração alegre é bom remédio,

mas o espírito abatido faz secar os ossos.

23O perverso aceita suborno secretamente,

para perverter as veredas da justiça.

24A sabedoria é o alvo do inteligente,

mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra.

25O filho insensato é tristeza para o pai

e amargura para quem o deu à luz.

26Não é bom punir ao justo;

é contra todo direito ferir ao príncipe.

27Quem retém as palavras possui o conhecimento,

e o sereno de espírito é homem de inteligência.

28Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio,

e o que cerra os lábios, por sábio.