Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
15

151A resposta branda desvia o furor,

mas a palavra dura suscita a ira.

2A língua dos sábios adorna o conhecimento,

mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.

3Os olhos do Senhor estão em todo lugar,

contemplando os maus e os bons.

4A língua serena é árvore de vida,

mas a perversa quebranta o espírito.

5O insensato despreza a instrução de seu pai,

mas o que atende à repreensão consegue a prudência.

6Na casa do justo há grande tesouro,

mas na renda dos perversos há perturbação.

7A língua dos sábios derrama o conhecimento,

mas o coração dos insensatos não procede assim.

8O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor,

mas a oração dos retos é o seu contentamento.

9O caminho do perverso é abominação ao Senhor,

mas este ama o que segue a justiça.

10Disciplina rigorosa há para o que deixa a vereda,

e o que odeia a repreensão morrerá.

11O além e o abismo estão descobertos perante o Senhor;

quanto mais o coração dos filhos dos homens!

12O escarnecedor não ama àquele que o repreende,

nem se chegará para os sábios.

13O coração alegre aformoseia o rosto,

mas com a tristeza do coração o espírito se abate.

14O coração sábio procura o conhecimento,

mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia.

15Todos os dias do aflito são maus,

mas a alegria do coração é banquete contínuo.

16Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor,

do que grande tesouro onde há inquietação.

17Melhor é um prato de hortaliças onde há amor

do que o boi cevado e, com ele, o ódio.

18O homem iracundo suscita contendas,

mas o longânimo apazigua a luta.

19O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos,

mas a vereda dos retos é plana.

20O filho sábio alegra a seu pai,

mas o homem insensato despreza a sua mãe.

21A estultícia é alegria para o que carece de entendimento,

mas o homem sábio anda retamente.

22Onde não há conselho fracassam os projetos,

mas com os muitos conselheiros há bom êxito.

23O homem se alegra em dar resposta adequada,

e a palavra, a seu tempo, quão boa é!

24Para o sábio há o caminho da vida que o leva para cima,

a fim de evitar o inferno, embaixo.

25O Senhor deita por terra a casa dos soberbos;

contudo, mantém a herança da viúva.

26Abomináveis são para o Senhor os desígnios do mau,

mas as palavras bondosas lhe são aprazíveis.

27O que é ávido por lucro desonesto transtorna a sua casa,

mas o que odeia o suborno, esse viverá.

28O coração do justo medita o que há de responder,

mas a boca dos perversos transborda maldades.

29O Senhor está longe dos perversos,

mas atende à oração dos justos.

30O olhar de amigo alegra ao coração;

as boas-novas fortalecem até os ossos.

31Os ouvidos que atendem à repreensão salutar

no meio dos sábios têm a sua morada.

32O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma,

porém o que atende à repreensão adquire entendimento.

33O temor do Senhor é a instrução da sabedoria,

e a humildade precede a honra.

16

161O coração do homem pode fazer planos,

mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.

2Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos,

mas o Senhor pesa o espírito.

3Confia ao Senhor as tuas obras,

e os teus desígnios serão estabelecidos.

4O Senhor fez todas as coisas para determinados fins

e até o perverso, para o dia da calamidade.

5Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração;

é evidente que não ficará impune.

6Pela misericórdia e pela verdade, se expia a culpa;

e pelo temor do Senhor os homens evitam o mal.

7Sendo o caminho dos homens agradável ao Senhor,

este reconcilia com eles os seus inimigos.

8Melhor é o pouco, havendo justiça,

do que grandes rendimentos com injustiça.

9O coração do homem traça o seu caminho,

mas o Senhor lhe dirige os passos.

10Nos lábios do rei se acham decisões autorizadas;

no julgar não transgrida, pois, a sua boca.

11Peso e balança justos pertencem ao Senhor;

obra sua são todos os pesos da bolsa.

12A prática da impiedade é abominável para os reis,

porque com justiça se estabelece o trono.

13Os lábios justos são o contentamento do rei,

e ele ama o que fala coisas retas.

14O furor do rei são uns mensageiros de morte,

mas o homem sábio o apazigua.

15O semblante alegre do rei significa vida,

e a sua benevolência é como a nuvem que traz chuva serôdia.

16Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro!

E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata!

17O caminho dos retos é desviar-se do mal;

o que guarda o seu caminho preserva a sua alma.

18A soberba precede a ruína,

e a altivez do espírito, a queda.

19Melhor é ser humilde de espírito com os humildes

do que repartir o despojo com os soberbos.

20O que atenta para o ensino acha o bem,

e o que confia no Senhor, esse é feliz.

21O sábio de coração é chamado prudente,

e a doçura no falar aumenta o saber.

22O entendimento, para aqueles que o possuem, é fonte de vida;

mas, para o insensato, a sua estultícia lhe é castigo.

23O coração do sábio é mestre de sua boca

e aumenta a persuasão nos seus lábios.

24Palavras agradáveis são como favo de mel:

doces para a alma e medicina para o corpo.

25Há caminho

16.25
Pv 14.12
que parece direito ao homem,

mas afinal são caminhos de morte.

26A fome do trabalhador o faz trabalhar,

porque a sua boca a isso o incita.

27O homem depravado cava o mal,

e nos seus lábios há como que fogo ardente.

28O homem perverso espalha contendas,

e o difamador separa os maiores amigos.

29O homem violento alicia o seu companheiro

e guia-o por um caminho que não é bom.

30Quem fecha os olhos imagina o mal,

e, quando morde os lábios, o executa.

31Coroa de honra são as cãs,

quando se acham no caminho da justiça.

32Melhor é o longânimo do que o herói da guerra,

e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.

33A sorte se lança no regaço,

mas do Senhor procede toda decisão.

17

171Melhor é um bocado seco e tranquilidade

do que a casa farta de carnes e contendas.

2O escravo prudente dominará sobre o filho que causa vergonha

e, entre os irmãos, terá parte na herança.

3O crisol prova a prata, e o forno, o ouro;

mas aos corações prova o Senhor.

4O malfazejo atenta para o lábio iníquo;

o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna.

5O que escarnece do pobre insulta ao que o criou;

o que se alegra da calamidade não ficará impune.

6Coroa dos velhos são os filhos dos filhos;

e a glória dos filhos são os pais.

7Ao insensato não convém a palavra excelente;

quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso!

8Pedra mágica é o suborno aos olhos de quem o dá,

e para onde quer que se volte terá seu proveito.

9O que encobre a transgressão adquire amor,

mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.

10Mais fundo entra a repreensão no prudente

do que cem açoites no insensato.

11O rebelde não busca senão o mal;

por isso, mensageiro cruel se enviará contra ele.

12Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos

do que o insensato na sua estultícia.

13Quanto àquele que paga o bem com o mal,

não se apartará o mal da sua casa.

14Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda;

desiste, pois, antes que haja rixas.

15O que justifica o perverso e o que condena o justo

abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.

16De que serviria o dinheiro na mão do insensato para comprar a sabedoria,

visto que não tem entendimento?

17Em todo tempo ama o amigo,

e na angústia se faz o irmão.

18O homem falto de entendimento compromete-se,

ficando por fiador do seu próximo.

19O que ama a contenda ama o pecado;

o que faz alta a sua porta facilita a própria queda.

20O perverso de coração jamais achará o bem;

e o que tem a língua dobre vem a cair no mal.

21O filho estulto é tristeza para o pai,

e o pai do insensato não se alegra.

22O coração alegre é bom remédio,

mas o espírito abatido faz secar os ossos.

23O perverso aceita suborno secretamente,

para perverter as veredas da justiça.

24A sabedoria é o alvo do inteligente,

mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra.

25O filho insensato é tristeza para o pai

e amargura para quem o deu à luz.

26Não é bom punir ao justo;

é contra todo direito ferir ao príncipe.

27Quem retém as palavras possui o conhecimento,

e o sereno de espírito é homem de inteligência.

28Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio,

e o que cerra os lábios, por sábio.