Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
14

141A mulher sábia edifica a sua casa,

mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.

2O que anda na retidão teme ao Senhor,

mas o que anda em caminhos tortuosos, esse o despreza.

3Está na boca do insensato a vara para a sua própria soberba,

mas os lábios do prudente o preservarão.

4Não havendo bois, o celeiro fica limpo,

mas pela força do boi há abundância de colheitas.

5A testemunha verdadeira não mente,

mas a falsa se desboca em mentiras.

6O escarnecedor procura a sabedoria e não a encontra,

mas para o prudente o conhecimento é fácil.

7Foge da presença do homem insensato,

porque nele não divisarás lábios de conhecimento.

8A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho,

mas a estultícia dos insensatos é enganadora.

9Os loucos zombam do pecado,

mas entre os retos há boa vontade.

10O coração conhece a sua própria amargura,

e da sua alegria não participará o estranho.

11A casa dos perversos será destruída,

mas a tenda dos retos florescerá.

12Há caminho

14.12
Pv 16.25
que ao homem parece direito,

mas ao cabo dá em caminhos de morte.

13Até no riso tem dor o coração,

e o fim da alegria é tristeza.

14O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta,

como do seu próprio proceder, o homem de bem.

15O simples dá crédito a toda palavra,

mas o prudente atenta para os seus passos.

16O sábio é cauteloso e desvia-se do mal,

mas o insensato encoleriza-se e dá-se por seguro.

17O que presto se ira faz loucuras,

e o homem de maus desígnios é odiado.

18Os simples herdam a estultícia,

mas os prudentes se coroam de conhecimento.

19Os maus inclinam-se perante a face dos bons,

e os perversos, junto às portas do justo.

20O pobre é odiado até do vizinho,

mas o rico tem muitos amigos.

21O que despreza ao seu vizinho peca,

mas o que se compadece dos pobres é feliz.

22Acaso, não erram os que maquinam o mal?

Mas amor e fidelidade haverá para os que planejam o bem.

23Em todo trabalho há proveito;

meras palavras, porém, levam à penúria.

24Aos sábios a riqueza é coroa,

mas a estultícia dos insensatos não passa de estultícia.

25A testemunha verdadeira livra almas,

mas o que se desboca em mentiras é enganador.

26No temor do Senhor, tem o homem forte amparo,

e isso é refúgio para os seus filhos.

27O temor do Senhor é fonte de vida

para evitar os laços da morte.

28Na multidão do povo, está a glória do rei,

mas, na falta de povo, a ruína do príncipe.

29O longânimo é grande em entendimento,

mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.

30O ânimo sereno é a vida do corpo,

mas a inveja é a podridão dos ossos.

31O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou,

mas a este honra o que se compadece do necessitado.

32Pela sua malícia é derribado o perverso,

mas o justo, ainda morrendo, tem esperança.

33No coração do prudente, repousa a sabedoria,

mas o que há no interior dos insensatos vem a lume.

34A justiça exalta as nações,

mas o pecado é o opróbrio dos povos.

35O servo prudente goza do favor do rei,

mas o que procede indignamente é objeto do seu furor.

15

151A resposta branda desvia o furor,

mas a palavra dura suscita a ira.

2A língua dos sábios adorna o conhecimento,

mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.

3Os olhos do Senhor estão em todo lugar,

contemplando os maus e os bons.

4A língua serena é árvore de vida,

mas a perversa quebranta o espírito.

5O insensato despreza a instrução de seu pai,

mas o que atende à repreensão consegue a prudência.

6Na casa do justo há grande tesouro,

mas na renda dos perversos há perturbação.

7A língua dos sábios derrama o conhecimento,

mas o coração dos insensatos não procede assim.

8O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor,

mas a oração dos retos é o seu contentamento.

9O caminho do perverso é abominação ao Senhor,

mas este ama o que segue a justiça.

10Disciplina rigorosa há para o que deixa a vereda,

e o que odeia a repreensão morrerá.

11O além e o abismo estão descobertos perante o Senhor;

quanto mais o coração dos filhos dos homens!

12O escarnecedor não ama àquele que o repreende,

nem se chegará para os sábios.

13O coração alegre aformoseia o rosto,

mas com a tristeza do coração o espírito se abate.

14O coração sábio procura o conhecimento,

mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia.

15Todos os dias do aflito são maus,

mas a alegria do coração é banquete contínuo.

16Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor,

do que grande tesouro onde há inquietação.

17Melhor é um prato de hortaliças onde há amor

do que o boi cevado e, com ele, o ódio.

18O homem iracundo suscita contendas,

mas o longânimo apazigua a luta.

19O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos,

mas a vereda dos retos é plana.

20O filho sábio alegra a seu pai,

mas o homem insensato despreza a sua mãe.

21A estultícia é alegria para o que carece de entendimento,

mas o homem sábio anda retamente.

22Onde não há conselho fracassam os projetos,

mas com os muitos conselheiros há bom êxito.

23O homem se alegra em dar resposta adequada,

e a palavra, a seu tempo, quão boa é!

24Para o sábio há o caminho da vida que o leva para cima,

a fim de evitar o inferno, embaixo.

25O Senhor deita por terra a casa dos soberbos;

contudo, mantém a herança da viúva.

26Abomináveis são para o Senhor os desígnios do mau,

mas as palavras bondosas lhe são aprazíveis.

27O que é ávido por lucro desonesto transtorna a sua casa,

mas o que odeia o suborno, esse viverá.

28O coração do justo medita o que há de responder,

mas a boca dos perversos transborda maldades.

29O Senhor está longe dos perversos,

mas atende à oração dos justos.

30O olhar de amigo alegra ao coração;

as boas-novas fortalecem até os ossos.

31Os ouvidos que atendem à repreensão salutar

no meio dos sábios têm a sua morada.

32O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma,

porém o que atende à repreensão adquire entendimento.

33O temor do Senhor é a instrução da sabedoria,

e a humildade precede a honra.

16

161O coração do homem pode fazer planos,

mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.

2Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos,

mas o Senhor pesa o espírito.

3Confia ao Senhor as tuas obras,

e os teus desígnios serão estabelecidos.

4O Senhor fez todas as coisas para determinados fins

e até o perverso, para o dia da calamidade.

5Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração;

é evidente que não ficará impune.

6Pela misericórdia e pela verdade, se expia a culpa;

e pelo temor do Senhor os homens evitam o mal.

7Sendo o caminho dos homens agradável ao Senhor,

este reconcilia com eles os seus inimigos.

8Melhor é o pouco, havendo justiça,

do que grandes rendimentos com injustiça.

9O coração do homem traça o seu caminho,

mas o Senhor lhe dirige os passos.

10Nos lábios do rei se acham decisões autorizadas;

no julgar não transgrida, pois, a sua boca.

11Peso e balança justos pertencem ao Senhor;

obra sua são todos os pesos da bolsa.

12A prática da impiedade é abominável para os reis,

porque com justiça se estabelece o trono.

13Os lábios justos são o contentamento do rei,

e ele ama o que fala coisas retas.

14O furor do rei são uns mensageiros de morte,

mas o homem sábio o apazigua.

15O semblante alegre do rei significa vida,

e a sua benevolência é como a nuvem que traz chuva serôdia.

16Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro!

E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata!

17O caminho dos retos é desviar-se do mal;

o que guarda o seu caminho preserva a sua alma.

18A soberba precede a ruína,

e a altivez do espírito, a queda.

19Melhor é ser humilde de espírito com os humildes

do que repartir o despojo com os soberbos.

20O que atenta para o ensino acha o bem,

e o que confia no Senhor, esse é feliz.

21O sábio de coração é chamado prudente,

e a doçura no falar aumenta o saber.

22O entendimento, para aqueles que o possuem, é fonte de vida;

mas, para o insensato, a sua estultícia lhe é castigo.

23O coração do sábio é mestre de sua boca

e aumenta a persuasão nos seus lábios.

24Palavras agradáveis são como favo de mel:

doces para a alma e medicina para o corpo.

25Há caminho

16.25
Pv 14.12
que parece direito ao homem,

mas afinal são caminhos de morte.

26A fome do trabalhador o faz trabalhar,

porque a sua boca a isso o incita.

27O homem depravado cava o mal,

e nos seus lábios há como que fogo ardente.

28O homem perverso espalha contendas,

e o difamador separa os maiores amigos.

29O homem violento alicia o seu companheiro

e guia-o por um caminho que não é bom.

30Quem fecha os olhos imagina o mal,

e, quando morde os lábios, o executa.

31Coroa de honra são as cãs,

quando se acham no caminho da justiça.

32Melhor é o longânimo do que o herói da guerra,

e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.

33A sorte se lança no regaço,

mas do Senhor procede toda decisão.