Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
13

131O filho sábio ouve a instrução do pai,

mas o escarnecedor não atende à repreensão.

2Do fruto da boca o homem comerá o bem,

mas o desejo dos pérfidos é a violência.

3O que guarda a boca conserva a sua alma,

mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.

4O preguiçoso deseja e nada tem,

mas a alma dos diligentes se farta.

5O justo aborrece a palavra de mentira,

mas o perverso faz vergonha e se desonra.

6A justiça guarda ao que anda em integridade,

mas a malícia subverte ao pecador.

7Uns se dizem ricos sem terem nada;

outros se dizem pobres, sendo mui ricos.

8Com as suas riquezas se resgata o homem,

mas ao pobre não ocorre ameaça.

9A luz dos justos brilha intensamente,

mas a lâmpada dos perversos se apagará.

10Da soberba só resulta a contenda,

mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.

11Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem,

mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.

12A esperança que se adia faz adoecer o coração,

mas o desejo cumprido é árvore de vida.

13O que despreza a palavra a ela se apenhora,

mas o que teme o mandamento será galardoado.

14O ensino do sábio é fonte de vida,

para que se evitem os laços da morte.

15A boa inteligência consegue favor,

mas o caminho dos pérfidos é intransitável.

16Todo prudente procede com conhecimento,

mas o insensato espraia a sua loucura.

17O mau mensageiro se precipita no mal,

mas o embaixador fiel é medicina.

18Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução,

mas o que guarda a repreensão será honrado.

19O desejo que se cumpre agrada a alma,

mas apartar-se do mal é abominável para os insensatos.

20Quem anda com os sábios será sábio,

mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.

21A desventura persegue os pecadores,

mas os justos serão galardoados com o bem.

22O homem de bem deixa herança aos filhos de seus filhos,

mas a riqueza do pecador é depositada para o justo.

23A terra virgem dos pobres dá mantimento em abundância,

mas a falta de justiça o dissipa.

24O que retém a vara aborrece a seu filho,

mas o que o ama, cedo, o disciplina.

25O justo tem o bastante para satisfazer o seu apetite,

mas o estômago dos perversos passa fome.

14

141A mulher sábia edifica a sua casa,

mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.

2O que anda na retidão teme ao Senhor,

mas o que anda em caminhos tortuosos, esse o despreza.

3Está na boca do insensato a vara para a sua própria soberba,

mas os lábios do prudente o preservarão.

4Não havendo bois, o celeiro fica limpo,

mas pela força do boi há abundância de colheitas.

5A testemunha verdadeira não mente,

mas a falsa se desboca em mentiras.

6O escarnecedor procura a sabedoria e não a encontra,

mas para o prudente o conhecimento é fácil.

7Foge da presença do homem insensato,

porque nele não divisarás lábios de conhecimento.

8A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho,

mas a estultícia dos insensatos é enganadora.

9Os loucos zombam do pecado,

mas entre os retos há boa vontade.

10O coração conhece a sua própria amargura,

e da sua alegria não participará o estranho.

11A casa dos perversos será destruída,

mas a tenda dos retos florescerá.

12Há caminho

14.12
Pv 16.25
que ao homem parece direito,

mas ao cabo dá em caminhos de morte.

13Até no riso tem dor o coração,

e o fim da alegria é tristeza.

14O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta,

como do seu próprio proceder, o homem de bem.

15O simples dá crédito a toda palavra,

mas o prudente atenta para os seus passos.

16O sábio é cauteloso e desvia-se do mal,

mas o insensato encoleriza-se e dá-se por seguro.

17O que presto se ira faz loucuras,

e o homem de maus desígnios é odiado.

18Os simples herdam a estultícia,

mas os prudentes se coroam de conhecimento.

19Os maus inclinam-se perante a face dos bons,

e os perversos, junto às portas do justo.

20O pobre é odiado até do vizinho,

mas o rico tem muitos amigos.

21O que despreza ao seu vizinho peca,

mas o que se compadece dos pobres é feliz.

22Acaso, não erram os que maquinam o mal?

Mas amor e fidelidade haverá para os que planejam o bem.

23Em todo trabalho há proveito;

meras palavras, porém, levam à penúria.

24Aos sábios a riqueza é coroa,

mas a estultícia dos insensatos não passa de estultícia.

25A testemunha verdadeira livra almas,

mas o que se desboca em mentiras é enganador.

26No temor do Senhor, tem o homem forte amparo,

e isso é refúgio para os seus filhos.

27O temor do Senhor é fonte de vida

para evitar os laços da morte.

28Na multidão do povo, está a glória do rei,

mas, na falta de povo, a ruína do príncipe.

29O longânimo é grande em entendimento,

mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.

30O ânimo sereno é a vida do corpo,

mas a inveja é a podridão dos ossos.

31O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou,

mas a este honra o que se compadece do necessitado.

32Pela sua malícia é derribado o perverso,

mas o justo, ainda morrendo, tem esperança.

33No coração do prudente, repousa a sabedoria,

mas o que há no interior dos insensatos vem a lume.

34A justiça exalta as nações,

mas o pecado é o opróbrio dos povos.

35O servo prudente goza do favor do rei,

mas o que procede indignamente é objeto do seu furor.

15

151A resposta branda desvia o furor,

mas a palavra dura suscita a ira.

2A língua dos sábios adorna o conhecimento,

mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.

3Os olhos do Senhor estão em todo lugar,

contemplando os maus e os bons.

4A língua serena é árvore de vida,

mas a perversa quebranta o espírito.

5O insensato despreza a instrução de seu pai,

mas o que atende à repreensão consegue a prudência.

6Na casa do justo há grande tesouro,

mas na renda dos perversos há perturbação.

7A língua dos sábios derrama o conhecimento,

mas o coração dos insensatos não procede assim.

8O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor,

mas a oração dos retos é o seu contentamento.

9O caminho do perverso é abominação ao Senhor,

mas este ama o que segue a justiça.

10Disciplina rigorosa há para o que deixa a vereda,

e o que odeia a repreensão morrerá.

11O além e o abismo estão descobertos perante o Senhor;

quanto mais o coração dos filhos dos homens!

12O escarnecedor não ama àquele que o repreende,

nem se chegará para os sábios.

13O coração alegre aformoseia o rosto,

mas com a tristeza do coração o espírito se abate.

14O coração sábio procura o conhecimento,

mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia.

15Todos os dias do aflito são maus,

mas a alegria do coração é banquete contínuo.

16Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor,

do que grande tesouro onde há inquietação.

17Melhor é um prato de hortaliças onde há amor

do que o boi cevado e, com ele, o ódio.

18O homem iracundo suscita contendas,

mas o longânimo apazigua a luta.

19O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos,

mas a vereda dos retos é plana.

20O filho sábio alegra a seu pai,

mas o homem insensato despreza a sua mãe.

21A estultícia é alegria para o que carece de entendimento,

mas o homem sábio anda retamente.

22Onde não há conselho fracassam os projetos,

mas com os muitos conselheiros há bom êxito.

23O homem se alegra em dar resposta adequada,

e a palavra, a seu tempo, quão boa é!

24Para o sábio há o caminho da vida que o leva para cima,

a fim de evitar o inferno, embaixo.

25O Senhor deita por terra a casa dos soberbos;

contudo, mantém a herança da viúva.

26Abomináveis são para o Senhor os desígnios do mau,

mas as palavras bondosas lhe são aprazíveis.

27O que é ávido por lucro desonesto transtorna a sua casa,

mas o que odeia o suborno, esse viverá.

28O coração do justo medita o que há de responder,

mas a boca dos perversos transborda maldades.

29O Senhor está longe dos perversos,

mas atende à oração dos justos.

30O olhar de amigo alegra ao coração;

as boas-novas fortalecem até os ossos.

31Os ouvidos que atendem à repreensão salutar

no meio dos sábios têm a sua morada.

32O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma,

porém o que atende à repreensão adquire entendimento.

33O temor do Senhor é a instrução da sabedoria,

e a humildade precede a honra.